A advogada e ex-vereadora de Balneário Camboriú, Juliethe Nitz, hoje assessora da Casa Civil, vai lançar seu primeiro livro ‘João no Tatame’, na terça-feira (16), às 19h, na Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis, com sessão de autógrafos e distribuição gratuita de exemplares.
O livro destinado a crianças entre 9 e 11 anos, conta a história de um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sua relação com o judô, através de uma colega que mostra como o esporte é importante para a autoestima e para superar desafios.
“O livro mostra as diferenças e como é possível superar preconceitos e promover a inclusão, andar lado a lado”, disse a autora.
O livro foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, com verbas da Prefeitura Municipal da cidade.
Esta semana Juliethe falou sobre sua obra ao Página3. Acompanhe:

JP3 – Advogada, política e agora escritora. O que motivou escrever um livro?
Juliethe Nitz – Sempre ouvi histórias de superação através do esporte e, dentro da minha própria casa, vivo isso com a trajetória do meu marido. No ano passado, como mediadora no Simpósio de Direito e Saúde das Pessoas com TEA, pude conhecer exemplos marcantes, como o do Dr. Aderlan, delegado e autista nível 1, que falou da sua trajetória de vida. Além disso, acompanho de perto a experiência da minha filha Constanza, que pratica judô desde os 3 anos, e vejo diariamente como o esporte faz bem para ela e para todas as crianças, independentemente das dificuldades ou diferenças. Foi desse conjunto de vivências que nasceu a motivação para escrever este livro.
JP3 – Como foram selecionados os temas que abordou?
JN – Comecei a escrever sem a intenção de publicar, era algo muito pessoal. Minha filha começou a falar depois dos três anos e meio, e com ela aprendi que cada criança é diferente, mas todas são iguais com as suas diferenças. A inspiração veio desse olhar, de mostrar que as diferenças não são barreiras, mas degraus que podem ser superados com amor.
JP3 – Qual o objetivo desta iniciativa?
JN – Meu objetivo é inspirar. Mostrar que desafios podem se transformar em oportunidades, que a inclusão é possível e que cada criança tem um potencial enorme a ser descoberto. Quero que as pessoas leiam e sintam esperança, mas também responsabilidade em fazer parte dessa transformação.
JP3 – Qual a importância da associação de crianças com TEA e esporte?
JN – É imensa. Há vários estudos que comprovam a importância do esporte na vida delas e ele (o esporte), além de desenvolver habilidades motoras, fortalece a autoestima, disciplina e a socialização. E isso faz com que a criança autista possa mostrar que não existem limites quando há o estímulo correto.
JP3 – Por que escolheu o judô para a narrativa?
JN – Como falei no início, minha filha começou no judô com três anos de idade e lá tem muito do acolhimento e de todos serem iguais. Ele ensina respeito, disciplina e equilíbrio. Para as crianças de modo geral o judô, como o jiu-jítsu, são espaços seguros para crescer, aprender e se fortalecer. O judô foi escolhido porque simboliza, na prática, o que acredito: vencer não é derrubar o outro, mas superar a si mesmo.
JP3 – Espaço aberto para o que mais gostaria de colocar
JN – Gostaria de reforçar que este livro é, acima de tudo, um convite: um convite para olhar além das diferenças, acreditar no esporte como um agente de transformação e compreender que, para as crianças, não existem preconceitos. Que cada página possa despertar empatia, sensibilidade e amor.


