Livro reflete sobre como criar os filhos no tempo dos algoritmos

- Publicidade -
- Publicidade -

A ilusão das cores no tapume: como a “demarcação de terras” engessou o futuro de Balneário Camboriú

Por um Analista do Mercado Imobiliário * Quem caminha pelas ruas de Balneário Camboriú não enxerga apenas a imponência dos...

Fabrício de Oliveira enfrentará uma pedreira na eleição a deputado federal

O ex-prefeito Fabrício de Oliveira disputará eleição a deputado federal pelo Republicanos, partido que atualmente tem dois representantes catarinenses...

Homem roubou carro, atropelou mulher e bateu em viaturas durante fuga em Balneário Camboriú

Um homem de 33 anos foi preso pela Polícia Militar após uma perseguição pelas ruas de Balneário Camboriú na...

Leia também

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

(FOLHAPRESS) – Não espere um manual com regras sobre como criar seu filho no mundo das telas. O livro “O Algoritmo das Famílias”, que acaba de ser lançado, não diz aos pais “Dê o primeiro celular com tal idade”, “Libere ou proíba essa, ou aquela rede social”, “Faça isso ou faça aquilo”, mas organiza uma série de dados e reflexões que podem iluminar os caminhos da parentalidade na era de domínio das big techs.

A autora, Renata Cafardo, costura uma extensa bibliografia internacional sobre a educação dos filhos em meio ao universo digital com histórias do cotidiano de famílias brasileiras, pesquisas nacionais sobre hábitos de crianças e adolescentes na internet e os recentes debates e políticas públicas do país em torno da proteção da infância e da adolescência nesse universo —a exemplo da aprovação do ECA Digital e do banimento dos celulares no ambiente escolar.

Para navegar com o leitor por essa miscelânea de informações e análises, Renata parte da conjunção de suas vivências como mãe (ela tem um menino de 14 anos e uma menina de 10), jornalista (é repórter e colunista de educação do jornal O Estado de S. Paulo) e pesquisadora visitante da Universidade Stanford (EUA), no final de 2023 e início de 2024, quando estudou o impacto da tecnologia na educação.

Intitulada “O Algoritmo das Famílias – Como o Mundo Digital Desafia a Parentalidade” (ed. Contexto; 192 págs.; R$ 55,90), a obra não deixa de considerar o papel do Estado na proteção da infância e da adolescência na internet, bem como a necessidade de se regular as plataformas digitais, mas se volta à urgência dos pais. “A parentalidade não pode esperar”, escreve a autora.

“Não tem como tapar o sol com a peneira, esperar passar ou dizer ‘Isso não é comigo’. E a única forma de os pais protegerem os filhos é estarem informados e dispostos a conversar com eles sobre o universo digital”, afirma Renata à reportagem.

- Continue lendo após o anúncio -

O livro detalha uma série de perigos das plataformas, onde há cooptação de crianças e adolescentes por grupos neonazistas, de automutilação e de pedofilia, entre outros crimes. Em julho, o Discord transmitiu ao vivo a morte de uma menina de 13 anos em uma sessão de automutilação, o que levou a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) a determinar a suspensão de transmissões em tempo real nessa plataforma.

Renata também aborda o acesso dos menores a conteúdos pornográficos e de violência. Um médico, relata a autora no livro, lhe contou que um adolescente havia perguntado a ele como poderia “desver” um conteúdo pornográfico que tinha assistido involuntariamente no celular de um amigo.

Essa é uma das situações que revelam que, por maior que seja o cuidado que os pais possam ter em casa, os filhos não estão livres de se deparar com conteúdos impróprios. A autora cita pesquisas para dimensionar o fenômeno, como a da Common Sense Media, de 2022, feita com adolescentes de 13 a 17 anos nos EUA. Nesse levantamento, mais de 50% relataram ter visto vídeos violentos de sexo, que mostravam alguém sentindo dor, estupros e enforcamento.

Renata trata ainda do desafio, que ela própria vivencia, de se criar meninos em um mundo digital dominado por machismo e misoginia.

Cita a pensadora antirracista e feminista americana bell hooks (1952-2021; sem iniciais maiúsculas por sua opção) e sua crítica “incômoda, mas necessária” de correntes do feminismo que acabaram por criar um “sentimento anti-homem”, sem olhar para a infância dos meninos.

- Continue lendo após o anúncio -

A ideia não é culpar o feminismo, ressalta, mas propor algo mais complexo e urgente: “Incluir homens e mulheres, pais e mães, no esforço de construir referências emocionais mais saudáveis para os meninos”. “Fala-se muito da masculinidade tóxica. Falta, talvez, responder com mais clareza à pergunta que permanece em aberto: afinal, o que é uma masculinidade saudável?”, questiona.

O livro investe ainda em uma análise sobre a mudança, ao longo dos anos, da própria parentalidade e da visão a respeito da infância. Aborda o crescimento da sensação de insegurança entre os pais, que levou a uma superproteção no mundo presencial e à ilusão de que as telas poderiam ser passatempos seguros.

O tamanho desse equívoco foi ficando claro ao longo dos últimos anos, e a autora analisa como, nesse cenário, retoma-se a valorização do brincar livre, com as crianças ganhando autonomia.

Não é uma inflexão simples e muito menos sem ansiedade para os pais. Renata se lembra de uma reportagem em que uma mãe lhe confessou que cogitou enviar o filho de capacete para a escola para que ele ficasse protegido, porque lá havia uma ampla área em meio à natureza para as crianças brincarem.

Hoje, a percepção de que é preciso controlar o que os filhos fazem online também gera ansiedade. Renata diz acreditar que regras muito rígidas se tornam opressivas para os pais, especialmente para mães sobrecarregadas.

- Continue lendo após o anúncio -

Além disso, essas regras passam por cima de realidades desiguais e de necessidades particulares —como a de crianças e jovens com autismo, para os quais a tecnologia pode ser um auxílio para a comunicação.

A autora defende que os pais supervisionem o que os filhos acessam na internet e que dialoguem com eles, sem demonizar a tecnologia, mas os levando a entender os interesses por trás dessas ferramentas. “Quando percebem que não estão sendo apenas protegidos, mas também respeitados como sujeitos capazes de reflexão, a chance de escolhas mais conscientes aumenta.”

O ALGORITMO DAS FAMÍLIAS – COMO O MUNDO DIGITAL DESAFIA A PARENTALIDADE

– Editora Contexto

– Páginas 192

– Preço R$ 55,90

- publicidade -
Clique aqui para seguir o Página 3 no Instagram
Quer receber notícias do Página 3 no whatsapp? Entre em nosso grupo.
- publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas