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Balneário Camboriú

Entrevista: professora e escritora de Balneário lança em breve quarto livro de sua saga ‘Mundos Paralelos’

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Por Renata Rutes

Rosana Ouriques é professora formada em Ciências da Religião e pós-graduada em Fundamentos e Metodologia em Ciências da Religião pela FURB (Fundação Universidade Regional de Blumenau). Escritora com seis livros publicados pelo Grupo Editorial Coerência, sua série ‘Mundos Paralelos’ foi lançada na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro em 2019. Desde então a autora catarinense, que morava em Blumenau, mas se ‘reencontrou’ atuando como professora em Balneário Camboriú e Itapema, tem se dedicado à literatura e em tempos de pandemia, participa de bate-papos virtuais com alunos das escolas públicas e particulares de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

Rosana está se preparando para lançar em breve o quarto e último livro da saga ‘Mundos Paralelos’, mas ela também possui outras duas obras lançadas: o infantojuvenil ‘A fantástica livraria dos livros vivos’, que recebeu os prêmios de Melhor infantojuvenil de 2020 pelo Coerência Choice Awards, Voices de Literatura e Saia dessa Bolha, e o romance ‘69 Vezes Amor’, disponível somente em e-book.

Rosana na Bienal do Rio de Janeiro, no lançamento de sua série (foto Divulgação)

“Comecei escrevendo a mão, mas era uma escrita fragmentada. Às vezes passava semanas, meses, sem escrever por falta de tempo”.

JP3: Como começou a sua trajetória na literatura? Sempre gostou de escrever?

Rosana: Escrevo desde 2005. Inicialmente, eu queria escrever um livro único do ‘Mundos Paralelos’ (inspirada na mitologia de diversas culturas e na teoria do Multiverso). Na época eu fazia pós-graduação, tenho três filhos, não tinha computador. Eu comecei escrevendo a mão, mas era uma escrita fragmentada. Às vezes eu passava semanas, meses, sem escrever por falta de tempo. O projeto até então não era minha prioridade, mas as ideias sempre surgiam, assim como personagens, diálogos. 

JP3: Você morava em Blumenau, o que motivou a mudança para a região de Balneário?

Rosana: Na época eu enfrentava uma fase de ‘reconstrução’ como mulher. Rompi com a minha religião e com o meu casamento. Em 2007 vim de Blumenau para Itapema, onde moro até hoje. Dou aula em Itapema e em Balneário. Atualmente sou readaptada [em 2014 passou por uma cirurgia na coluna] e trabalho na secretaria do Centro Educacional Municipal (CEM) Giovania de Almeida, que fica no Estaleirinho. Trabalho lá desde 2007, sou professora de História e de Filosofia para o Ensino Médio, e também dou aula de Ensino Religioso, tenho pós na área. Comecei com alfabetização, muitos anos trabalhei com os anos iniciais. Eu vivi uma busca muito intensa nessa época, por isso estudei Filosofia, procurando por respostas.

Personagens dos livros Mundos Paralelos (foto Divulgação Rosana Ouriques)
Personagens dos livros Mundos Paralelos 2 (foto Divulgação Rosana Ouriques)

JP3: Foi nessa época que você começou a trabalhar mais nos livros?

Rosana: Fui trabalhando neles durante todos esses anos. Não foi por falta de vontade. Em 2010 revisei, em 2011 registrei os direitos autorais na Biblioteca Nacional, o que já foi uma conquista, já me sentia uma escritora (risos). Foi aí que decidi fazer a série, que hoje são quatro livros [o quarto e último está indo para a gráfica, isso significa que nos próximos dias estará em pré-venda no site da editora e será lançado em breve]. 

JP3: O processo de publicação foi complicado? Normalmente autores novos e independentes encontram certa dificuldade…

Rosana: Para publicar o primeiro e segundo livro, em 2017 eu paguei para a editora Insular, de Florianópolis, e foi muito frustrante. Eles não seguiram o padrão do mercado editorial, as folhas e letras eram diferentes, assim como a capa que não era o que eu desejava. O próprio revisor errou o próprio nome. Não revisaram conforme precisava. Foi um desrespeito com o escritor catarinense. Isso me derrubou, cheguei a fazer lançamento, festa, mas comecei a ter vergonha de mostrar meus livros porque não era como eu esperava. Eu não tinha como pagar para fazer outra publicação. Nesse meio tempo, eu nunca deixei de sonhar com uma publicação nacional, eu sempre mandava os livros para editores maiores, porque realmente minha experiência como autora independente foi decepcionante, mas válida. Encontrei então a editora Coerência e hoje morro de orgulho dos meus livros, realmente me sinto escritora de verdade.

Rosana se prepara para lançar o quarto e último livro de Mundos Paralelos (foto Divulgação)

“Eu nunca deixei de sonhar com uma publicação nacional, eu sempre mandava os livros para editores maiores…”

JP3: Hoje eles são comercializados em todo o Brasil?

Rosana: Sim! Há a venda online, pelo site da editora (editoracoerencia.com.br) e em várias livrarias do país. Em Balneário é possível encontrá-los na Livraria Catarinense, do Balneário Shopping, onde já fiz um lançamento. É possível comprar pela Amazon também. O quarto livro será lançado em breve e será o último da série. Ele ia sair na Bienal de São Paulo, mas o evento foi cancelado. 

JP3: Você tem outros livros também, alcançou os objetivos?

Rosana: Sim, em paralelo ao ‘Mundos’ escrevi outras duas obras, o romance sobre a sexualidade feminina ‘69 Vezes Amor’ e o infantojuvenil ‘A fantástica livraria dos livros vivos’, que é uma fofura e foi bastante premiado já. Eu sentia falta de entrar nas escolas com um livro que realmente fosse focado no público infantil, pois a série é mais para os jovens e adultos. O ‘Fantástica livraria’ é muito relevante, ele pode ser o ‘primeiro contato’ das crianças com o universo da literatura. Ganhei três prêmios literários nacionais com ele e estou concorrendo ao quarto.

A Fantástica Livraria dos Livros Vivos, livro infantojuvenil escrito por Rosana (foto Rosana Ouriques)

JP3: Sua história lembra bastante a de uma conhecida escritora, J.K. Rowling, autora de Harry Potter, que também começou a escrever em um período difícil pós-separação, com filhos… ela te inspirou de alguma forma?

Rosana: Sim, totalmente! Sou apaixonada pelo universo que ela criou, Harry Potter foi um divisor de águas na literatura de fantasia. A J.K. é mulher, mãe, no começo de sua trajetória dependia até mesmo da ajuda do governo para se manter, e chegou onde chegou, por seu talento e caminhada. Ela com certeza é um exemplo e referência e me inspiro muito nela.

“Se você ama o que faz e acredita na sua obra, não pode desistir”.

JP3: A pandemia afetou muito o seu trabalho? Como tem sido divulgar os livros e estar em contato com o público somente virtualmente?

Rosana: Ah, o contato com o público é muito bom. Eu uso muito o Instagram (@ouriquesrosana). Como escritora, preciso estar perto dos meus leitores, vender a minha imagem, ter esse contato pessoal, mesmo sendo virtual. É um desafio que tive que encarar e ser também uma ‘blogueira’ (risos). Ofereço gratuitamente para escolas e universidades bate-papos. Já falei com turma de Pedagogia da UniAvan, faço palestras do 5ª ano até universitários, e faço por amor à literatura e educação, que são minhas duas paixões e vocações. Não vou para vender os livros e sim para incentivar a leitura. Tenho também um projeto com a professora Regina Delduque, da rede municipal de Balneário, para fazermos um livro com o objetivo de resgatar as memórias das primeiras professoras alfabetizadoras de Balneário. Estamos tentando pela LIC (Lei de Incentivo à Cultura), mas se não der certo iremos fazer por meios próprios. 

Rosana e o cantor Vinícius Perrone, autor da música-tema de seus livros (foto Divulgação)

JP3: Mesmo com as dificuldades, hoje você tem um espaço na literatura nacional, o que você diria para jovens escritores que pensam em desistir por conta da falta de apoio?

Rosana: Diria que é possível publicar, sim, e que não importa o grau de dificuldade, falta de apoio, distância de Santa Catarina, já que estamos fora do polo Rio-SP, onde estão as grandes editoras, livrarias, eventos culturais… se você ama o que faz e acredita na sua obra, não pode desistir. O eixo Rio-SP realmente tem um lado muito forte voltado para a cultura e em SC isso precisa crescer, mas vejo que já está abrindo espaço. Tenho muito apoio de Florianópolis, já fui convidada para apresentar meu livro na Biblioteca Pública de SC, na Alesc também [teria sido em abril/2020, mas o evento foi cancelado por conta da pandemia]. Temos excelentes feiras, como as de Joinville, Jaraguá do Sul e Floripa. Se você tem um sonho, sendo cantor, compositor, desenhista, escritor, precisa acreditar que tem público que quer conhecer seu trabalho e correr atrás. A gente se desanima, mas não ao ponto de desistir. Eu tive uma decepção muito grande, mas dois anos depois fui lançada na Bienal do Rio, onde fui com minha filha, que foi representando a sereia Yara e com o cantor Vinícius Perrone, que compôs a música tema da saga ‘Mundos Paralelos’.


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