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Balneário Camboriú

Balneário Camboriú tem duas árvores símbolo: o Ipê Amarelo de fato e as Amendoeiras da praia por direito

Como todas as datas comemorativas, o Dia da Árvore (21) também foi criado para chamar atenção sobre o principal ‘pulmão’ urbano que a sociedade moderna dispõe. 

Balneário Camboriú está cercada de verde, Mata Atlântica, morros, árvores exóticas, nativas, frutíferas e floridas, como o Ipê Amarelo, árvore símbolo de Balneário Camboriú desde 1999, quando Leonel Pavan era prefeito.

“Foi uma escolha das secretarias do Meio Ambiente e da Educação e, na época, houve plantio de muitos ipês nas encostas e na cidade também”, comentou o ex-prefeito. Ele exibiu um quadro com a árvore símbolo que ganhou dos professores na época.

(Arquivo Pessoal)

O Ipê Amarelo é também uma das árvores símbolos da primavera.

Desde 1961, a flor do Ipê Amarelo foi decretada símbolo do Brasil, no mesmo decreto assinado pelo presidente Jânio Quadros que tornou o Pau Brasil a árvore símbolo nacional.

Nesta semana em que a data é lembrada, a reportagem do Página 3 buscou informações sobre duas árvores bem conhecidas em Balneário Camboriú: o Ipê Amarelo e as Amendoeiras na beira mar. Uma porque é a árvore símbolo, mas ainda tem pouca visibilidade e a outra, porque é ‘das antigas’ e hoje está dentro de um cenário de grandes transformações.

Um Ipê em cada praça

Em 2006 quando era vereador, Fabrício Oliveira tornou pública sua preocupação com a ‘pouca visibilidade’ da árvore símbolo de Balneário Camboriú. Ele fez uma indicação ao então secretário de Obras, Edson Kratz, para que determinasse o plantio da árvore símbolo em todas as praças de Balneário Camboriú, desde que apresentem condições favoráveis.

“Como árvore símbolo, torna-se interessante o plantio de um Ipê Amarelo em cada praça pública de Balneário Camboriú, a fim de proporcionar aos nossos moradores um contato cada vez maior com esta árvore de importante papel no equilíbrio ecológico do Vale do Itajaí”, diz a justificativa.

Ou as praças não apresentaram condições ou o assunto foi esquecido, mas na condição de prefeito, Fabrício poderia hoje atender e realizar seu pedido de 15 anos atrás e desta forma, tornar a árvore símbolo mais presente na vida da comunidade.

FLORAÇÃO CURTA

Heloisa disse que a pouca visibilidade pode estar relacionada com o tempo de floração.

A secretária do Meio Ambiente Heloísa Lenzi Furtado  (credito Arquivo Pessoal)

“O Ipê amarelo floresce por pouco tempo, em média 10 a 15 dias e suas folhas caem na floração expondo os galhos. Talvez esse seja o motivo, ela não é bonita o ano todo. Durante uma boa parte do tempo ela possui mais galhos do que folhas ou flores. Temos outras espécies nativas que também possuem flores e mantém suas folhas o ano todo, tais como a Quaresmeira (Tibouchina granulosa)e a Pata de vaca (Bauhinia foficata)”, disse.

A árvore símbolo é cultivada no viveiro de plantas do Parque Ecológico, que distribui as mudas gratuitamente. Segundo Heloísa, esse ano já foram distribuídas 3.086 mudas de diversas espécies. Em 2020 por conta da pandemia foram números menores.

De janeiro a agosto deste ano foram produzidas 145 mudas de Ipê amarelo, 30 de Ipê branco e 13 de Ipê roxo.

“A população vem buscar muitas mudas conosco e esperamos que elas estejam sendo plantadas pela cidade. Assim aumentamos nosso índice de arborização urbana, que já é bom. Segundo o IBGE, Balneário Camboriú é a cidade com a maior taxa de árvores em espaços públicos das cidades do litoral norte de Santa Catarina. Considerando o adensamento populacional de BC, esses dados são muito positivos”, afirmou Heloísa.


Amendoeiras históricas vão ficar na praia

Rubens Spernau (credito Arquivo Pessoal)

As amendoeiras que vivem na beira mar fazem parte da historia de Balneário Camboriú. Desde que começou a obra de alargamento da Praia Central que depois de finalizada receberá um novo projeto de urbanização, muitas pessoas têm manifestado preocupação com o destino das amendoeiras. 

Muito antes de iniciar a obra, nas tantas idas a Florianópolis em busca da licença ambiental para o alargamento, o ex-secretário de Obras Edson Kratz e o então secretário de Planejamento, Rubens Spernau, atual assessor do prefeito Fabrício Oliveira, já afirmavam que as amendoeiras ficam onde estão. 

Esta semana, a reportagem procurou Rubens Spernau para perguntar mais uma vez sobre o futuro das amendoeiras.

“Preservar as amendoeiras é uma condição do projeto que colocamos para o estudo do Índio da Costa, basicamente pedimos que elas permaneçam e sejam inseridas no projeto”, reafirmou.

Sobre o projeto, Spernau disse que a primeira parte está chegando à prefeitura para análise. Nesta primeira parte está projetada uma via  de serviço que será exclusivamente para o transporte coletivo e que vai servir também como rota de fuga para uma ambulância, uma necessidade.

“Também pedimos uma ciclofaixa de 4m de largura,  uma pista de corrida, uma condição que o prefeito colocou e colocou muito bem,  porque  hoje as pessoas correm na ciclovia; um espaço para caminhada, um eventual calçadão e um outro paisagismo”, segue Spernau.

O paisagismo ainda não está desenhado, mas Spernau adiantou que será uma vegetação rasteira, que é uma condição ambiental.

“O municipio se comprometeu e vai fazer, está em licitação a compra de mudas, para plantio de restinga rasteira junto ao limite da futura urbanização, fazendo um cinturão verde e os acessos para a praia, que são 60, normalmente definindo as ruas que ligam a Brasil na Atlântica. Esses acessos terão que ser com deck para não pisar sobre a restinga. Então vai se criar um cinturão acompanhando o desenho da orla, uma vegetação rasteira, que é fixadora de areia, e que na verdade, vai formar pequenas dunas ali, que é um processo natural de formação de praia”, finalizou Spernau.


Arborização em espaços públicos

Neste ano foram plantadas 200 mudas em Balneário Camboriú

Plantio de árvores (foto Paisagismo)

Tão importante quanto o cultivo é o planejamento da arborização de praças e ruas que em Balneário Camboriú é feito através do departamento de Paisagismo, anexo à Secretaria de Obras. 

Somente neste ano, foram plantadas pela cidade 200 mudas – em rótulas, canteiros, ruas e avenidas. Uma das ‘preferidas’ é o ipê-amarelo, que é a árvore símbolo de Balneário Camboriú.  

Porém, uma problemática é a questão das podas. Leitores e o Página 3 já flagraram árvores ‘machucadas’ por conta do trabalho feito de forma errada – principalmente por empresas como a Celesc, que fez a poda por conta da fiação elétrica. 

Segundo o secretário de Obras de Balneário, Osmar de Souza Nunes Filho, o Mazoca, o plantio de árvores vem acontecendo de forma gradativa pela cidade. 

“Estamos trabalhando no ajardinamento ao longo do elevado da Quarta Avenida, onde foi feito seguindo o urbanismo proposto pela empresa, com palmeiras, e também na Estrada da Rainha. Para plantar as árvores, antes falamos com a Secretaria do Meio Ambiente, para saber quais utilizar, mas normalmente optamos pelo Manacá-da-serra, ipês… Nas praças optamos por plantar mais arbustos, que são perenes, e também flores. De quatro em quatro meses trocamos as flores, pois as chuvas podem prejudicar e exige que as replantemos. A manutenção é diária”, diz, citando que perto da primavera e verão, como agora, há um volume maior de mato, que exige mais atenção das equipes. 

Arranjo de arbustos (foto Paisagismo)

Sobre o ipê-amarelo, que é o símbolo da cidade, Mazoca explica que não está sendo feito nenhum projeto para priorizá-lo [havia um que propunha uma rua inteira de ipês], mas que ele é uma das árvores mais plantadas no município.

“É a SEMAM que determina onde e qual árvore devemos plantar. Mas sempre estamos plantando ipês, tanto amarelo quanto rosa, etc”, acrescenta.

Prefeitura tem equipe de poda, mas preocupação é com a Celesc 

Segundo o secretário, anualmente a equipe de Obras faz 600 podas de árvores em Balneário Camboriú, buscando fazer o trabalho correto e com supervisão de especialista; porém, as podas incorretas normalmente aconteceriam através dos servidores da Celes.

“Onde tem fio deles, eles vão lá e fazem a poda completamente errada e ainda deixam a madeira jogada na rua. A Celesc assassina as árvores. Eles e outras concessionárias deveriam ter mais cuidado. Eles têm dinheiro, poderiam ter alguém na equipe que entende de poda. Precisamos até mesmo retirar algumas árvores, como algumas da Terceira Avenida, porque foram cortadas de forma errada. Agora estamos colocando arbustos e árvores menores”, afirma.

Comunidade pode podar, mas deve seguir normas 

Uma dúvida que muitas pessoas têm é a respeito da poda de árvores na calçada de casa – ela pode ser feita, mas desde que com autorização da SEMAM. 

“A comunidade deve fazer de forma harmoniosa, mas nós também podamos árvores do passeio público, só não fazemos dentro de quintal. Ruas e praças, sim. Fazemos pelas avenidas, como na Atlântica, que é a chamada poda de manutenção, porque as árvores crescem muito e precisamos estar sempre cuidando. Inclusive esse cuidado com o meio-ambiente é uma marca de Balneário, é um grande diferencial que temos”, completa. 

As podas mal feitas pela Celesc estão gerando formas estranhas de árvores


ESPAÇO OPINIÃO

Planejamento&Vontade política

Arlete Tomazoni

(credito – Arquivo Pessoal)

Entender a importância das árvores em ambientes urbanos nas cidades é fundamental se considerarmos que o índice de urbanização na América Latina é um dos mais altos do planeta e a previsão é que até 2040 chegaremos a 90% dos habitantes vivendo em cidades.

Balneário Camboriú, apesar da pequena área territorial, apresenta problemas relacionados a um desenvolvimento com pouca base de planejamento urbano cientificamente fundamentado no que concerne à arborização urbana. 

Alguns pequenos passos já foram dados, como o Projeto de Arborização Urbana em 2005 e a aprovação, em 2018, de uma lei municipal que define as normas da Arborização Urbana. 

Muitos problemas que já deveriam estar resolvidos ou bem encaminhados a esta altura, ainda são timidamente ou não são sequer incluídos entre as políticas públicas para o desenvolvimento urbano do município.

Em nossa cidade, a responsabilidade pela manutenção e remoção das árvores plantadas nas ruas, praças, em áreas públicas é do poder público municipal. 

Por um lado isso facilita o manejo e a implantação de planos. Por outro lado, depende também da prioridade que o poder público dá ao tema, o que pode variar de gestão para gestão. 

A centralização maior das decisões sobre as árvores seria uma vantagem se os governos considerassem a questão do planejamento de arborização urbana como uma atividade de estado e não de governo. Só assim seria possível dar a continuidade necessária aos projetos e obter os inúmeros benefícios que as árvores trazem para a cidade.

Levando-se em consideração que árvores são seres vivos, altamente complexos e que têm esperança de vida muitas vezes semelhante ou até maior que a dos seres humanos, qualquer plano que se faça pode transcender gerações humanas. 

Portanto, ações de plantio de árvores urbanas precisariam ser submetidas a um planejamento criterioso, fora dos mandatos de governos, e tentando formular cenários de longo prazo que beneficiem as futuras gerações. Esse planejamento criterioso necessita de dados importantes, como o número de exemplares arbóreos existentes no município, as espécies mais encontradas, as mais adaptadas, a idade média dos exemplares, entre outros, que ainda não dispomos.

A vegetação em áreas urbanas promove a qualidade ambiental aos habitantes, diminuindo os desconfortos causados pela rápida e não planejada urbanização, como o que aconteceu em Balneário Camboriú. 

Mas com um bom planejamento e gestão ambiental, novos espaços verdes de qualidade poderão ser criados ou revitalizados na cidade.

Depende da vontade política. Antes tarde do que nunca.

  • Arlete Tomazoni é bióloga

OPINIÃO

Árvores, condição Sine Qua Non

Luiz Carlos Amorim 

(credito – Arquivo Pessoal)

A primavera chegou no dia 22 de setembro e o Dia da Árvore chegou um dia antes, para anunciar a mais bela estação do ano. Infelizmente, acho que não temos muito para comemorar, pois nós, seres humanos, não sabemos ou não queremos cuidar bem da natureza. Nós não cuidamos do nosso meio ambiente, não protegemos as árvores que nos dão tudo, até o ar que respiramos e sem o qual não vivemos. O resultado é um planeta cada vez mais maltratado e poluído, com cada vez menos condições de dar sustentação à vida.

Eu não tenho árvores grandes em minha casa, pois meu jardim é pequeno e é o único lugar onde tem um pouquinho de terra para plantar. E gostaria, gostaria de ter uma grande área para plantar muitas árvores e cuidar bem delas.

Nem meus pés de jacatirão tenho mais, que morreram, mas que floresciam lindamente. Tenho só alguns pés de araçá, pequenos, embora produzam abundantemente e dois pés de mamão papaia, dos quais um já frutificou, mas eu não colho, deixo os mamões para os passarinhos que vêm cantar no meu jardim e nas minhas calhas, nas minhas janelas e no chão da minha cozinha. 

Eles me fazem festejar o dia da árvore, eles me lembram da importância vital do verde para o ser humano.

E por falar em jacatirão, o manacá-da-serra, aquela variedade de jacatirão do inverno, que floresce em julho, ainda está florido, fazendo companhia para os ipês, que estão cobertos de sol. Já nem sei mais direito a época de florescência deles, dos ipês, com todo esse descompasso do tempo, resultado do nosso descaso para com o meio ambiente, que têm mudado tudo, inclusive as estações.

Dá gosto ver árvores majestosas como o ipê e o jacatirão exibirem suas flores e suas cores ao mesmo tempo e é uma coisa que não é normal, pois o manacá-da-serra floresce em julho, dificilmente alcançaria a florada do ipê. E a nossa primavera entra, assim, ornada com as flores douradas do ipê, que irradiam luz, e as flores do jacatirão-manacá, que ainda persistem. Persistem, apesar do nosso descaso para com Mãe Natureza.

Como eu já disse em outra crônica, eu gosto de árvores. Gosto de muitas coisas: de um sorriso de criança, de um rio de águas claras, de flores, campos e praças. Gosto de natureza, simplicidade, pureza, de terra, mar e de sol. E gosto muito de árvores. Gosto delas na primavera, no inverno, no verão e até no outono. Gosto do verde das árvores, gosto das cores das suas floradas, gosto da sua sombra, dos seus frutos. Gosto de árvores pequenas, médias e grandes, símbolos da natureza. E parabenizo a todas elas, que nos dão tanto, a todos nós, até purificam o ar que respiramos e nós cuidamos tão pouco delas… 

Que não nos lembremos de refletir sobre o valor das árvores em nossas vidas apenas num dia do ano reservado a elas. Precisamos nos conscientizar que sem elas, não sobreviveremos neste planeta que já foi mais azul. Se não protegermos nossas matas, nosso verde, a água desaparecerá e tudo virará deserto. E a vida não resiste em desertos.

Todo dia é dia das árvores, é dia da vida.


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