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Balneário Camboriú
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Dia Mundial do Meio Ambiente: quais são os cuidados emergenciais que Balneário Camboriú precisa ter?

Tragédias como essa que destruiu o Rio Grande do Sul vão continuar acontecendo, segundo especialistas do ‘tempo’, que atribuem como causa principal as condições climáticas e a falta de atenção e cuidados com o meio ambiente.

Datas como o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrada na quarta-feira (5 de junho) servem como mais um alerta para assumir a responsabilidade de cuidar do ambiente em que vivemos. 

Nesta reportagem, o Página 3 pergunta: 

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Quais são os cuidados emergenciais que Balneário Camboriú, hoje a cidade mais verticalizada do Estado, precisa ter, porque tudo está relacionado com o meio ambiente:  a praia, os rios, os morros, os parques, a Mata Atlântica, a fauna, a flora e sobretudo as pessoas…?

Acompanhe as respostas:

“O mix urbano e preservação é o charme de nossa cidade”

(Divulgação/PMBC)

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú

“Há várias questões. A nossa cidade é muito adensada e pequena em seu espaço territorial. A proteção de encostas, das morrarias, precisa de constante cuidado para não termos desgaste ambiental advindo disso, que é um problema social como ocorre em vários lugares, o Rio de Janeiro é um exemplo disso. 

Além disso, a parte sanitária, de esgotamento, é outra preocupação. Balneário Camboriú está em constante aperfeiçoamento com as obras da ETE, cobrança constante para o esgotamento em Camboriú também. 

A educação ambiental é um tema importante através da consciência gerada sobre o meio-ambiente. 

As nossas praias são referência – hoje Balneário Camboriú tem uma mistura de cidade adensada com praias praticamente intocadas, o que é muito importante para esse mix que temos – praia com Bandeira Azul e outra extremamente urbana. 

O mix urbano e preservação é o charme de nossa cidade. 

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O meio ambiente é o nosso pulmão econômico e por isso temos vários títulos nacionais em relação a políticas públicas. Balneário Camboriú, nas últimas chuvas que castigaram muito Santa Catarina, suportou muito bem por conta das dragagens dos rios Peroba e Das Ostras, locais que inundavam e sofriam com as cheias e hoje não sofrem mais por conta do suporte para enfrentar as cheias, pelas obras realizadas. 

Porém, nossa cidade está no nível do mar e sempre vai ser castigada de uma maneira ou de outra, mas é algo momentâneo, passamos sem causar grandes danos. 

Há também o projeto de macrodrenagem para suportar melhor as chuvas, mas o mais importante são os nossos rios, por isso Balneário sofreu menos que muitos locais de SC e até mesmo como o RS”.

A gestão adequada dos resíduos sólidos é fundamental para a preservação

(Arquivo Pessoal)

July Dequêch, Engenheira Civil, coordenadora do Recicla BC

“A gestão adequada dos resíduos sólidos é fundamental para a preservação do Meio Ambiente, e Balneário Camboriú tem se destacado nessa temática. Melhorias contínuas na coleta estão sendo implementadas, como a instalação de contentores subterrâneos, a implantação de coleta mecanizada e a construção de Ecopontos e PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), que garantem a destinação adequada dos resíduos, evitando impactos negativos ao meio ambiente devido à disposição irregular.

É essencial que o município continue investindo em ações de conscientização ambiental, promovendo visitas de orientação e sensibilização, incentivando a separação correta dos resíduos e propagando a prática da reciclagem. Esse trabalho conjunto com empresas, munícipes e escolas fomenta a responsabilidade compartilhada e fortalece a preservação do Meio Ambiente”.

“O desafio maior ainda está em ouvir e respeitar a ciência nos processos decisórios”

(Arquivo Pessoal)

Marcos Polette, professor e pesquisador em Gestão e Governança Costeira e Marinha/Univali

 “Balneário Camboriú se consolidou dentro de duas realidades distintas. Na praia Central, uma cidade dinâmica, verticalizada, centro de referência internacional para o turismo e para os setores da construção civil e imobiliário. Uma cidade única no sul do Brasil em que o dia se encontra com a noite, e a noite com o dia. 

Já a Costa Brava ao sul, e em especial, a praia de Taquarinhas, pode ser considerada como um patrimônio natural para as atuais e futuras gerações. 

Apesar das potencialidades e oportunidades existentes, os cuidados emergenciais são inúmeros, desafiadores e complexos.  

O rio Camboriú continua sendo um dos mais poluídos do litoral brasileiro e afeta a qualidade ambiental da praia Central e ameaça empreendedores, investidores, população residente e turistas no simples e agradável ato do banho do mar. 

A circulação é o desafio da cidade que simplesmente travou no final do ano. 

O sistema de cabeamento elétrico aéreo diminui, em muito, a qualidade da paisagem urbana. 

Os alagamentos são reflexos de uma cidade que pouco aprendeu em relação a rápida velocidade do seu processo de urbanização e da lentidão da infraestrutura pública necessária para conter seus problemas básicos de drenagem, os quais deverão ser cada vez mais desafiadores com a emergência climática.

Sendo um município em que a sociedade possui uma forte relação de amor com a cidade, o desafio maior ainda está em ouvir e respeitar a ciência nos processos decisórios, pois este deverá ser o diferencial para o seu sucesso econômico, social e ambiental”.

“Priorizar o saneamento do rio e do canal do Marambaia”

(Arquivo Pessoal)

Gil Koeddermann, consultor, auditor e perito ambiental

“Nossa maior preocupação na questão ambiental na cidade é sem dúvida priorizar o saneamento do Rio Camboriú e canal do Marambaia. Nosso futuro depende disso”.

“Falar em meio ambiente é crucial para construir a Balneário do futuro”

(Divulgação/CVBC)

Lara Landeira, Presidente da Câmara de Vereadores Mirim de Balneário Camboriú

“Balneário Camboriú, com o título de cidade mais verticalizada de Santa Catarina, também deve ostentar um compromisso e uma responsabilidade ambiental à altura.

Ao analisarmos o cenário de uma grande população concentrada em um espaço reduzido, torna-se evidente que tal concentração intensifica o consumo, especialmente de recursos naturais, e consequentemente, a geração de resíduos.

Diante disso, e com o objetivo de preservar as maiores riquezas do nosso município – as nossas praias, torna-se crucial a ação imediata. 

Essa ação deve começar pela conscientização da população local e dos milhares de turistas que visitam a cidade ano após ano. 

Além disso, é fundamental investir em uma arquitetura urbana mais sustentável e em fontes de energia renováveis para impulsionar a economia local e buscar referência também nessa área.

Falar sobre o meio ambiente hoje é não apenas necessário, mas sim crucial para construirmos a Balneário do futuro. Garantindo um futuro próspero para as próximas gerações”.

“A maior urgência é tratar o esgoto, é uma questão de saúde pública e ambiental”

(Divulgação)

Cristiano Voitina, biólogo, estudioso da avifauna do Estado, escritor

“Emergencial para Balneário Camboriú? A Praia Central e o Rio Camboriú. Só teve um povoamento aqui por conta do Rio Camboriú, porque a gente precisa de água…então todas as cidades tem um rio de onde é tirada toda água que um ser humano precisa.  Isso falando das necessidades básicas, beber, fazer comida, tomar banho, mas tem as necessidades das linhas de produção, em toda a produção usa-se água…

Então é a maior vergonha o Rio Camboriú, pagamos uma fortuna para tratar o esgoto do Balneário Camboriú e isso não está acontecendo, o dinheiro está indo para outro lugar, não está indo para o tratamento…e se tiver  no caso dinheiro sobrando, é porque o serviço não está sendo bem feito. 

A prova disso é que o rio está podre, e não é por causa de Camboriú, porque eu passo toda semana pelo rio Camboriú de barco e quando chego na saída do canal do Cechinel, ele vem com água cristalina até quando ele recebe o recalque da Emasa, do sistema de tratamento de esgoto. 

Ali naquele ponto, de cristalino e límpido, ele se transforma em um afluente poluído e nocivo ao rio. A Emasa já deveria ser multada por estar destruindo um corpo d´água. 

Quando chego nesse ponto, a rotação do motor muda, de tão grosso, de tanto esgoto que tem, muda a densidade da água, isso tudo está indo para a Praia Central.

Alterou todo ecossistema que existia, na foz do rio…ali é um estuário rico, bonito e acabou afetando todo ecossistema da Praia Central, toda hora aparece aquela proliferação de algas na areia.

E se for fazer um levantamento das pessoas que ficaram doentes, porque chegaram perto dessa praia, é uma vergonha.

Então a maior necessidade, urgente, mas muito urgente, porque é caso de saúde pública além de saúde ambiental, é que o esgoto seja tratado, porque não está sendo”.

“Somos uma cidade muito urbana, mas também temos muito verde”

(Arquivo Pessoal)

Eduarda Montibeller, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

“Destaco a questão da gestão de resíduos, melhoramos a coleta seletiva, instalamos vários ecopontos de resíduos recicláveis e estamos inaugurando o segundo PEV, onde recebemos volumosos, que se encaixam na Política Nacional de Resíduos como logística reversa. 

O Centro de Valorização de Materiais está operando e beneficia não somente a questão ambiental, mas ainda o social e econômico, pois lá opera uma cooperativa. 

Destaco também o ReciclaBC, uma política-pública instituída, visando cada vez mais a reciclagem em nosso município. 

A educação ambiental é um dos pilares quando a gente quer melhorar o meio ambiente e disseminar a conscientização. Tivemos também as lixeiras subterrâneas e outros programas implantados, mas na gestão de resíduos destaco esses. 

Indo para rios e mares destaco que a Secretaria do Meio Ambiente implantou constantemente a limpeza dos costões, que agora é permanente. 

Ainda há desafios a serem enfrentados, fazemos a identificação e recolhimento dos resíduos constantemente, em contrapartida vemos quais são os resíduos para definir as nossas ações de educação ambiental e qual público precisa ser atingido. 

As limpezas auxiliam muito na qualidade do nosso mar. Destaco também o Plano de Manejo da nossa APA, temos uma Área de Proteção Permanente, de uso sustentável, com regramentos próprios, uma área verde que nos auxilia muito – 46% de nossa cidade é arborizada. 

Somos uma cidade muito urbana, mas também temos muito verde. Também temos o programa Abraço Animal, um grande avanço que tivemos, em parceria com Guarda Municipal, Secretaria de Saúde, Conselho de Proteção Animal, ONG Viva Bicho, Complexo Ambiental Cyro Geaverd, que trabalham em prol dessa política pública. Fazemos resgate, tratamos, temos castrações… são muitos os cuidados que temos com a fauna. Último ponto que precisamos avançar que destaco é a arborização urbana de nossas calçadas. 

Fizemos um diagnóstico, temos muitas árvores em Balneário Camboriú, mas precisamos avançar, lançamos o Arboriza BC, onde pensamos em aproximar a comunidade dessa arborização que desejamos alcançar. É um desafio arborizarmos cada vez mais a nossa cidade, mas esse novo programa irá promover a arborização ao longo dos anos”.

“Vivemos um grave problema econômico, social e ambiental”

(Arquivo Pessoal)

Aline Antunes, Engenheira Ambiental, Consultora Técnica do Comitê Camboriú e do Instituto Água Conecta; Doutoranda em Ciência e Tecnologia Ambiental

“A nossa cidade, assim como tantas outras, precisa do básico! Água e esgoto. Um lugar com o metro quadrado mais caro do Brasil não tem garantia de fornecimento de água tratada para a população a partir de 2025, e hoje trata apenas cerca de 60% do esgoto gerado no município. 

Então, você desce de seu apartamento milionário na Avenida Atlântica e não pode tomar um banho de mar de qualidade, sentar na areia com segurança sanitária, e pode correr o risco de ficar sem tomar banho.

Vivemos um grave problema econômico, social e ambiental. Conforme estudos científicos da Univali, a partir de 2025 a demanda por água na Bacia Hidrográfica (Bal. Camboriú e Camboriú) irá superar a capacidade de fornecimento do Rio Camboriú, se mantivermos o crescimento e não executarmos alternativas de remediação. 

Isso vem sendo alertado pelo Comitê Camboriú aos gestores municipais há cerca de dez anos. 

Outro ponto importante a ser entendido e incorporado é que a Bacia Hidrográfica é a unidade de gestão. 

Balneário Camboriú e Camboriú precisam estar unidas neste momento da história em que vivemos, mais do que nunca. 

O Parque Inundável Multiuso precisa sair do papel, para garantir que tenhamos água num horizonte temporal mais longo, e para proteger a população das enchentes, visto que o projeto atende estas duas esferas. E neste contexto, precisamos considerar as mudanças climáticas, que é um fato confirmado. Os gestores precisam urgentemente adaptar suas cidades para os eventos climáticos extremos, que já estão ocorrendo de modo cada vez mais frequente, esta é a fase em que estamos. 

Precisamos de mais áreas verdes e investir em sistemas de absorção das águas, criando cidades esponjas. As nascentes dos rios precisam ser cuidadosamente preservadas, essa é a nossa fonte! 

O Projeto Produtor de Água do Rio Camboriú precisa crescer de forma exponencial. 

A Política Municipal de Segurança Hídrica e Desenvolvimento Sustentável de Balneário Camboriú de 2021 precisa ser aplicada. 

Precisamos investir em sistemas de monitoramento quali-quantitativo dos recursos hídricos da Bacia, para que as tomadas de decisão sejam feitas de forma rápida e assertiva. Enfim, as necessidades são inúmeras, mas se fizermos o básico com excelência, ou seja, “água e esgoto”, já teremos um grande avanço. Somos parte do meio ambiente, e cuidar dele é cuidar de nós mesmos”.

“De nada adianta ter rede coletora de esgoto em 90 ou 100% da cidade se a eficiência do tratamento não chega a 20%”

(Arquivo Pessoal)

Eduardo Ribeiro, presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB de Balneário Camboriú

“O Dia Mundial do Meio Ambiente nos leva a pensar que, dentre todas as suas dimensões, a natureza é o elo global da humanidade, a teia da vida que sustenta tudo e todos. 

É em nível local que devemos trabalhar na conscientização, sensibilização e, consequentemente, na preservação do meio ambiente. 

Balneário Camboriú é uma cidade com alguns êxitos em políticas públicas ambientais e socioambientais, contudo ainda há muito a se fazer. 

A agenda local deve priorizar a questão do saneamento básico e buscar investir na eficiência da Estação de Tratamento. De nada adianta ter rede coletora de esgoto em 90 ou 100% da cidade se a eficiência do tratamento não chega a 20%. Questões como a reciclagem, e aqui inclui a reciclagem dos resíduos orgânicos através da compostagem, por exemplo, também devem ser priorizadas. 

Os resíduos recicláveis de Balneário Camboriú podem abastecer várias cooperativas de catadores e, com isso, fomentar a ideia do lixo ser um bem de valor econômico, social e propulsor de renda a inúmeras famílias. 

Podemos falar, também, das Unidades de Conservação e da criação do Parque Natural de Taquarinhas. Uma área que pode ser explorada de forma consciente e sustentável, unindo o espaço verde a atividades de ecoturismo e pesquisa científica. Resumindo, a cidade tem grande potencial no quesito Meio Ambiente e Sustentabilidade para desenvolver um modelo de urbe como países desenvolvidos, contudo, é preciso, acima de tudo, agenda política e interesse público”.

“Estamos prestes a atingir 100% de cobertura de rede de esgoto”

(Arquivo Pessoal)

Ronaldo de Oliveira, diretor da Emasa

“O cuidado com o meio ambiente é uma pauta mundial que se transformou numa obrigação de cada um de nós, seja em nossas vidas pessoais, seja na vida empresarial ou governamental, das mais importantes e necessárias. 

Como gestor da Emasa posso assegurar o compromisso da nossa Empresa de Água e Saneamento com o meio ambiente. 

O Projeto Produtor de Água da Emasa, que tem por objetivo a preservação e a recuperação de nascentes e mata ciliar do Rio Camboriú, tem 27 propriedades parceiras, numa área total inserida de 1.191 hectares de área conservada e com 72 hectares de áreas em processo de restauração. Investimos neste projeto, nos dois últimos anos, quase R$ 2 milhões. Temos também o Programa de Educação Ambiental Jacamasa, que atende alunos de escolas municipais desde 2019, levando educação e conhecimento sobre a questão ambiental a nossas crianças, um investimento, em 2023, de R$ 102 mil reais. 

O Programa Se Liga na Rede, que já realizou mais de 150 mil vistorias de ligações de esgoto por toda a cidade desde sua criação, também é um importante aliado ambiental na preservação de nossos rios e córregos, um investimento, em 2023, de mais de R$ R$ 2 milhões. 

Em ampliação de rede de esgoto, a Emasa investiu, em 2022, R$ 10,7 milhões, e em 2023, R$ 5,8 milhões. Estamos prestes a atingir 100% de cobertura de rede de esgoto em todos os bairros do município, antecipando em praticamente dez anos a meta de universalização do Governo Federal, com o novo Marco legal do Saneamento Básico, que prevê a universalização do saneamento nas cidades brasileiras para 2033. No projeto de segurança hídrica que desenvolvemos junto aos rizicultores, os investimentos também são expressivos, quase R$ 5 milhões nos dois últimos anos, assim como em projetos que estão em andamento, como o da nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Bairro Nova Esperança, e do Parque Inundável do Rio Camboriú, ambas as obras voltadas a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento humano sustentável. 

Para se ter ideia do montante, em 2023 foram investidos em programas de proteção, preservação e desenvolvimento do meio ambiente, sem contar os investimentos no programa com os rizicultores, 4,63% do orçamento da empresa. Isso é prova incontestável do compromisso da Emasa com o meio ambiente de BC”.

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