Nas ruas de Buenos Aires, argentinos choram morte de Maradona

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Por Luciana Rosa, especial para a AE

A Argentina foi surpreendida nesta quarta-feira com a pior notícia que um país apaixonado pelo futebol poderia receber, a de que Diego Armando Maradona havia falecido. Alguns painéis municipais, que costumam alertar sobre acidentes de trânsito, diziam “Obrigado, Diego”. A bandeira argentina foi pendurada em várias varandas. Centenas de torcedores foram ao Obelisco, tradicional ponto de encontro das festas do futebol em Buenos Aires.

Nas ruas da capital argentina, as pessoas, ainda um pouco incrédulas, caminhavam errantes procurando algo de consolo, como três jovens que caminhavam pela Plaza de Mayo, no centro da capital. Perguntados como receberam a notícia da morte de Maradona disseram: “Muito mal, como todos os argentinos”. Um deles nem podia falar tamanha a emoção. “Eu não posso falar, me desculpe!”, respondeu à pergunta de como ficou sabendo da notícia, para na sequência mostrar uma tatuagem de Maradona na panturrilha.

Outro cidadão disse que foi liberado do trabalho para poder ir para casa atravessar o luto. “Eu tive que ir embora do trabalho porque não podia continuar o dia”, disse. “Maradona representa os valores do nosso povo, ele é uma síntese do argentino, é possível ver que as pessoas na rua estão muito mal.”

Não muito longe dali, em frente ao estádio do Boca Juniors, a famosa La Bombonera, acumulava-se jornalistas e também torcedores vizinhos ao clube que fizeram uma espécie de vigília. “Não esperávamos, tínhamos fé de que ele ia se recuperar, foi uma surpresa”, diz a torcedora do Boca que foi à Bombonera com a família, com a voz embargada pelas lágrimas que teimam em descer por seu rosto.

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Alguns depositaram flores na bilheteria do estádio, outros cantavam o nome do camisa 10 e alguns apenas se recostavam tristes pelas paredes.

O presidente Alberto Fernandez publicou no Twitter uma foto abraçando o craque seguida da mensagem na qual agradecia a Maradona por haver existido. A vice-presidente Cristina Kirchner também enviou suas condolências à família de Maradona, dizendo que estava muito triste e que o país perde um grande.

Outro argentino que manifestou sua comoção pela morte do camisa 10 foi o papa Francisco. O pontífice que é fã de futebol, torcedor do San Lorenzo, disse lembrava com carinho o encontro recente que tiveram e das orações que fez quando soube que Diego seria operado.

“Tchau, Diego! Obrigado, Diego!”, escreveram as Mães da Praça de Maio no Instagram, com a foto de um encontro entre Maradona e a líder do movimento, Taty Almeida.

Maradona entrará nesta quinta-feira para um grupo seleto de cidadãos argentinos velados na sede de governo, a Casa Rosada. Espera-se que nem mesmo o contexto de pandemia seja capaz de impedir que uma multidão compareça à cerimônia.

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