Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Opinião
O centenário do falecimento de Benjamin de Souza Vieira

Ele foi Superintendente e Chefe Escolar de Camboriú, deputado estadual e Coronel da Guarda Nacional

Quinta, 25/6/2020 10:04.
Reprodução
Benjamin de Souza Vieira

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Por José Angelo Rebelo

Hercílio Pedro da Luz volta a tomar posse do governo catarinense em 28 de setembro de 1918. Por isso, o Superintendente Municipal de Camboriú, Benjamin de Souza Vieira (foto), tentou trazê-lo várias vezes ao seu município, no entanto, suas investidas eram obstadas por diversas causas, entre elas a gripe espanhola que assolava, na época, a região.

Finalmente ele consegue seu intento no dia 24 de junho de 1920. O governador e sua comitiva foram recebidos às 11h, daquele dia, na sede da Vila pelas autoridades e pelo povo camboriuense.

A razão principal do convite era a inauguração do retrato do governador, que seria colocado na parede da sala do Paço Municipal, entre outras inaugurações. Depois de lauto almoço oferecido pelo Superintendente em sua casa, todos partiram, às 13h, para a sede da prefeitura municipal, onde se efetuaria a citada inauguração entre os discursos de Benjamin e do governador.

Curiosamente, o arqui-inimigo de Benjamin, João Chrisóstomo Pacheco, ex-secretário e ex-Procurador da Superintendência, exonerado que fora por Benjamin e gerente do jornal de oposição, “O Democrata”, era um dos convidados do promotor da festa. Pacheco aproveitou-se da oportunidade e convidou Hercílio Luz e sua comitiva, formada, entre outros, pelos Secretários Estaduais Adolpho Konder e José Boiteux, para uma visita a sua casa, o que foi gentilmente aceito. Porém, Benjamin ao ser convidado por Sua Excelência para acompanhá-lo, declinou do convite dizendo-lhe “ser impossível”. À porta da casa de João, onde o governador foi recebido, uma comitiva de senhoritas lhe espargiu flores. Alegando ter que estar de volta à capital ainda naquela tarde, o governador não se demorou ali.

Benjamin organizou o bota-fora do governador e sua comitiva para a capital e partiram da Vila às 15h50, pela estrada do bairro Rio Pequeno, de onde o Superintendente retornou. Voltava em um automóvel conduzido pelo seu motorista e acompanhado pelo senhor Alcebíades Seara e pelo seu genro Heitor Wedekin dos Santos. Em determinado ponto da estrada, numa curva próxima da ponte chamada “Maria Vitalina”, o carro derrapou no areião, bateu num cepo e tombou dando várias cambalhotas. Todos os ocupantes foram atirados para fora do carro. O motorista, Seara e Wedekin caíram no rio e pouco se feriram, mas Benjamin ficou estirado sobre o assoalho da ponte, onde bateu gravemente com a parte posterior da cabeça, o que lhe causou seu estado de coma. Levado para uma casa próxima dali pelos vizinhos, foi socorrido pelo médico Bohomolelz e pelo farmacêutico Heitor Liberato, ambos vindos de Itajaí. Em seguida foi conduzido em maca para sua casa na Vila, onde aquele médico permaneceu ao seu lado.

O Governador, ao saber do ocorrido, enviou de Florianópolis o médico Carlos Correia, trazido pelo Capitão Câncio, o ajudante de ordem de Hercílio. Chegaram em Camboriú às 17 horas do dia 25 e o recém-chegado médico ficou impressionado com a gravidade do ferimento de Benjamim que veio a falecer às 23h2min daquele dia de junho de 1920. Foi sepultado às 16h do dia seguinte ao de seu falecimento, no cemitério da Vila, onde seus restos mortais permanecem. Seu sepultamento foi muito concorrido por numerosa presença de autoridades e populares, somando mais de 700 pessoas. Para representá-lo nessa cerimônia, o governador enviou o seu Secretário da Fazenda Adolpho Konder acompanhado pelo Capitão João Câncio, e pelo chefe de gabinete José Colaço.

Entre tantas missas encomendadas em prol da alma do de cujus, a Comissão Executiva do Partido Republicano Catarinense mandou celebrar solene ritual de exéquias na catedral de Florianópolis, marcada para às 8h30 do dia 1⁰/7/1920.

Na Assembléia Legislativa, o necrológio de Benjamin Vieira foi feito pelo deputado Abelardo Luz.

Benjamin nasceu em 8 de fevereiro de 1862, na Penha de Itapocorói, distrito que, juntamente com o distrito de Camboriú, passaram a compor o município de Itajaí em 1859. Portanto, Benjamin era itajaiense. Seu pai foi Manoel Caetano Vieira e a professora Bernardina Carolina Machado de Souza, a sua mãe, que era irmã do Coronel Fernando Machado de Souza, herói morto durante a guerra contra o Paraguai, por ocasião da batalha de Itororó. Veio para Camboriú aos 8 anos de idade e pouco tempo depois voltou para a Penha.

Em 1882 retornou para se fixar na localidade da Barra, a sede do então Distrito de Camboriú, que pertencia a Itajaí e posteriormente sede do município de Camboriú a partir de 1884. Benjamin retornou a nós porque casara, em 28 de maio de 1881, aos 19 anos, com a camboriuense Maria Ambrozia Garcia, filha de Geremias Francisco Garcia e de Anna Maria Baptista. O casal teve cinco filhos: Hermínio Irineo Vieira (Prefeito); Flávio de Souza Vieira (Prefeito); Lybia Vieira, que casou com Heitor Vedekin dos Santos (Prefeito); Evelina Vieira (nascida em 1899), que casou com Ernesto Florêncio Pereira, e Oscar Vieira, que faleceu aos 28 anos de idade em 1930.

Por ocasião da troca da sede do município de Camboriú, em 1890, da Barra para onde hoje permanece, Benjamin se muda também, onde residiu até a sua morte. Neste ano, a partir de 21 de agosto de 1890, torna-se 2º Suplente de Subdelegado de Polícia.

Entre diversos cargos e função foi o fundador e proprietário do Jornal “O Democrata”, Comissário de Polícia e chefe Escolar, e foi o tesoureiro da prefeitura na gestão do Prefeito Joaquim José Rebelo (1887 a 1890). A partir daí se elegeu Conselheiro (Vereador) e presidente do Conselho no quadriênio 1895 a 1898. Em seguida foi eleito Superintendente Municipal em 1899 a 1903, quando foi novamente eleito e permanecendo até 1906, ano em que elegeu à superintendência o seu cunhado Joaquim da Silva Santos. Mas Benjamin não ficou sem mandato, pois se elegeu Vereador (Conselheiro) para o período de Joaquim dos Santos, ocasião em que assume a presidência do Conselho e a chefia do Partido Republicano. Em face da surpreendente morte de Joaquim dos Santos em 31 de maio de 1909, Benjamin, na qualidade de chefe de Partido, marca a nova eleição para 10 de junho daquele ano e, eleito Superintendente, toma posse em 29 de junho daquele mês. E daí, de reeleição em reeleição, permaneceu no cargo até o seu impensável falecimento em 1920.

Em 1912 foi eleito Deputado Estadual permanecendo como tal de 1913 a 1915. Há dois netos vivos de Benjamim de Souza Vieira: José Ernesto Pereira, filho de Evelina Vieira, que casou com Ernesto Florêncio Pereira. José Ernesto mora em Balneário Camboriú; e Marta Vieira dos Santos, filha de Lybia de Souza Vieira, que casou com Heitor Wedekin dos Santos. Marta casou com o deputado estadual Hermelino Trentini Largura e passou a se chamar Marta Santos Largura. Viúva, mora em Florianópolis.


Fontes:

- Rebelo, J.A. As Villas de Thomaz Francisco Garcia de Cambriú e suas relações com Santa Catarina e o Brasil – no prelo, 470 p.

- O DEMOCRATA, Camboriú, Ano II, n. 38, 3/7/1920

- O INTRANSIGENTE, Camboriú, Ano III, n. 75, de 1/8/1920

- Jornal “O ESTADO, Florianópolis, de 29/6/1920)

- TERRA - Revista Semanal Catharinense, ano 1, nº. 5, de 29/7/1920, Florianópolis, SC.

- PIAZZA, WALTER. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985


*José Angelo Rebelo é Engenheiro-Agrônomo, com doutorado em Agronomia, na área da Fitopatologia e está aposentado como pesquisador da Epagri. Nasceu em Camboriú em 22 de outubro de 1950. Tem várias publicações profissionais e, por gostar de ler e de escrever, publicou outros livros como “Sem História Não Dá – e assim se fez em Camboriú; O Menino e a Pedreira; Camboriú 120 anos; A Saga da Família de certo Pereira; Sete Minutos (ghost writer de Anna Fuchs); Minha vida, uma história que tinha que ser contada (ghost writer de Jaci da Silva); Para Nascer Vivi (ghost writer de Angelo Gilberto Silva); Caminhos que trilhei (ghost writer de Rose Rebelo); e outros. Tem pronto para publicar neste semestre ‘As Villas de Thomaz Francisco Garcia e suas relações com Santa Catarina e o Brasil”, com 470 páginas.


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Página 3
Reprodução
Benjamin de Souza Vieira
Benjamin de Souza Vieira

O centenário do falecimento de Benjamin de Souza Vieira

Ele foi Superintendente e Chefe Escolar de Camboriú, deputado estadual e Coronel da Guarda Nacional

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Quinta, 25/6/2020 10:04.
Por José Angelo Rebelo

Hercílio Pedro da Luz volta a tomar posse do governo catarinense em 28 de setembro de 1918. Por isso, o Superintendente Municipal de Camboriú, Benjamin de Souza Vieira (foto), tentou trazê-lo várias vezes ao seu município, no entanto, suas investidas eram obstadas por diversas causas, entre elas a gripe espanhola que assolava, na época, a região.

Finalmente ele consegue seu intento no dia 24 de junho de 1920. O governador e sua comitiva foram recebidos às 11h, daquele dia, na sede da Vila pelas autoridades e pelo povo camboriuense.

A razão principal do convite era a inauguração do retrato do governador, que seria colocado na parede da sala do Paço Municipal, entre outras inaugurações. Depois de lauto almoço oferecido pelo Superintendente em sua casa, todos partiram, às 13h, para a sede da prefeitura municipal, onde se efetuaria a citada inauguração entre os discursos de Benjamin e do governador.

Curiosamente, o arqui-inimigo de Benjamin, João Chrisóstomo Pacheco, ex-secretário e ex-Procurador da Superintendência, exonerado que fora por Benjamin e gerente do jornal de oposição, “O Democrata”, era um dos convidados do promotor da festa. Pacheco aproveitou-se da oportunidade e convidou Hercílio Luz e sua comitiva, formada, entre outros, pelos Secretários Estaduais Adolpho Konder e José Boiteux, para uma visita a sua casa, o que foi gentilmente aceito. Porém, Benjamin ao ser convidado por Sua Excelência para acompanhá-lo, declinou do convite dizendo-lhe “ser impossível”. À porta da casa de João, onde o governador foi recebido, uma comitiva de senhoritas lhe espargiu flores. Alegando ter que estar de volta à capital ainda naquela tarde, o governador não se demorou ali.

Benjamin organizou o bota-fora do governador e sua comitiva para a capital e partiram da Vila às 15h50, pela estrada do bairro Rio Pequeno, de onde o Superintendente retornou. Voltava em um automóvel conduzido pelo seu motorista e acompanhado pelo senhor Alcebíades Seara e pelo seu genro Heitor Wedekin dos Santos. Em determinado ponto da estrada, numa curva próxima da ponte chamada “Maria Vitalina”, o carro derrapou no areião, bateu num cepo e tombou dando várias cambalhotas. Todos os ocupantes foram atirados para fora do carro. O motorista, Seara e Wedekin caíram no rio e pouco se feriram, mas Benjamin ficou estirado sobre o assoalho da ponte, onde bateu gravemente com a parte posterior da cabeça, o que lhe causou seu estado de coma. Levado para uma casa próxima dali pelos vizinhos, foi socorrido pelo médico Bohomolelz e pelo farmacêutico Heitor Liberato, ambos vindos de Itajaí. Em seguida foi conduzido em maca para sua casa na Vila, onde aquele médico permaneceu ao seu lado.

O Governador, ao saber do ocorrido, enviou de Florianópolis o médico Carlos Correia, trazido pelo Capitão Câncio, o ajudante de ordem de Hercílio. Chegaram em Camboriú às 17 horas do dia 25 e o recém-chegado médico ficou impressionado com a gravidade do ferimento de Benjamim que veio a falecer às 23h2min daquele dia de junho de 1920. Foi sepultado às 16h do dia seguinte ao de seu falecimento, no cemitério da Vila, onde seus restos mortais permanecem. Seu sepultamento foi muito concorrido por numerosa presença de autoridades e populares, somando mais de 700 pessoas. Para representá-lo nessa cerimônia, o governador enviou o seu Secretário da Fazenda Adolpho Konder acompanhado pelo Capitão João Câncio, e pelo chefe de gabinete José Colaço.

Entre tantas missas encomendadas em prol da alma do de cujus, a Comissão Executiva do Partido Republicano Catarinense mandou celebrar solene ritual de exéquias na catedral de Florianópolis, marcada para às 8h30 do dia 1⁰/7/1920.

Na Assembléia Legislativa, o necrológio de Benjamin Vieira foi feito pelo deputado Abelardo Luz.

Benjamin nasceu em 8 de fevereiro de 1862, na Penha de Itapocorói, distrito que, juntamente com o distrito de Camboriú, passaram a compor o município de Itajaí em 1859. Portanto, Benjamin era itajaiense. Seu pai foi Manoel Caetano Vieira e a professora Bernardina Carolina Machado de Souza, a sua mãe, que era irmã do Coronel Fernando Machado de Souza, herói morto durante a guerra contra o Paraguai, por ocasião da batalha de Itororó. Veio para Camboriú aos 8 anos de idade e pouco tempo depois voltou para a Penha.

Em 1882 retornou para se fixar na localidade da Barra, a sede do então Distrito de Camboriú, que pertencia a Itajaí e posteriormente sede do município de Camboriú a partir de 1884. Benjamin retornou a nós porque casara, em 28 de maio de 1881, aos 19 anos, com a camboriuense Maria Ambrozia Garcia, filha de Geremias Francisco Garcia e de Anna Maria Baptista. O casal teve cinco filhos: Hermínio Irineo Vieira (Prefeito); Flávio de Souza Vieira (Prefeito); Lybia Vieira, que casou com Heitor Vedekin dos Santos (Prefeito); Evelina Vieira (nascida em 1899), que casou com Ernesto Florêncio Pereira, e Oscar Vieira, que faleceu aos 28 anos de idade em 1930.

Por ocasião da troca da sede do município de Camboriú, em 1890, da Barra para onde hoje permanece, Benjamin se muda também, onde residiu até a sua morte. Neste ano, a partir de 21 de agosto de 1890, torna-se 2º Suplente de Subdelegado de Polícia.

Entre diversos cargos e função foi o fundador e proprietário do Jornal “O Democrata”, Comissário de Polícia e chefe Escolar, e foi o tesoureiro da prefeitura na gestão do Prefeito Joaquim José Rebelo (1887 a 1890). A partir daí se elegeu Conselheiro (Vereador) e presidente do Conselho no quadriênio 1895 a 1898. Em seguida foi eleito Superintendente Municipal em 1899 a 1903, quando foi novamente eleito e permanecendo até 1906, ano em que elegeu à superintendência o seu cunhado Joaquim da Silva Santos. Mas Benjamin não ficou sem mandato, pois se elegeu Vereador (Conselheiro) para o período de Joaquim dos Santos, ocasião em que assume a presidência do Conselho e a chefia do Partido Republicano. Em face da surpreendente morte de Joaquim dos Santos em 31 de maio de 1909, Benjamin, na qualidade de chefe de Partido, marca a nova eleição para 10 de junho daquele ano e, eleito Superintendente, toma posse em 29 de junho daquele mês. E daí, de reeleição em reeleição, permaneceu no cargo até o seu impensável falecimento em 1920.

Em 1912 foi eleito Deputado Estadual permanecendo como tal de 1913 a 1915. Há dois netos vivos de Benjamim de Souza Vieira: José Ernesto Pereira, filho de Evelina Vieira, que casou com Ernesto Florêncio Pereira. José Ernesto mora em Balneário Camboriú; e Marta Vieira dos Santos, filha de Lybia de Souza Vieira, que casou com Heitor Wedekin dos Santos. Marta casou com o deputado estadual Hermelino Trentini Largura e passou a se chamar Marta Santos Largura. Viúva, mora em Florianópolis.


Fontes:

- Rebelo, J.A. As Villas de Thomaz Francisco Garcia de Cambriú e suas relações com Santa Catarina e o Brasil – no prelo, 470 p.

- O DEMOCRATA, Camboriú, Ano II, n. 38, 3/7/1920

- O INTRANSIGENTE, Camboriú, Ano III, n. 75, de 1/8/1920

- Jornal “O ESTADO, Florianópolis, de 29/6/1920)

- TERRA - Revista Semanal Catharinense, ano 1, nº. 5, de 29/7/1920, Florianópolis, SC.

- PIAZZA, WALTER. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985


*José Angelo Rebelo é Engenheiro-Agrônomo, com doutorado em Agronomia, na área da Fitopatologia e está aposentado como pesquisador da Epagri. Nasceu em Camboriú em 22 de outubro de 1950. Tem várias publicações profissionais e, por gostar de ler e de escrever, publicou outros livros como “Sem História Não Dá – e assim se fez em Camboriú; O Menino e a Pedreira; Camboriú 120 anos; A Saga da Família de certo Pereira; Sete Minutos (ghost writer de Anna Fuchs); Minha vida, uma história que tinha que ser contada (ghost writer de Jaci da Silva); Para Nascer Vivi (ghost writer de Angelo Gilberto Silva); Caminhos que trilhei (ghost writer de Rose Rebelo); e outros. Tem pronto para publicar neste semestre ‘As Villas de Thomaz Francisco Garcia e suas relações com Santa Catarina e o Brasil”, com 470 páginas.

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