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Enéas Athanázio: 50 anos de trajetórias e percursos literários

Escritor e ensaísta catarinense completa, neste mês, 50 anos de lançamento de sua obra O Peão Negro (1973), que marcou a sua estreia literária.

Por Guilherme Queiroz de Macedo

Impregnado desde a infância das coisas dos Campos Gerais, senti sempre com intensidade aflitiva que ali estava um veio forte e rico que muito oferecia à exploração ficcional. Mas sempre tive uma consciência muito aguda das dificuldades do escritor e, por isso, tentei fugir ao compromisso mais sério com as letras. Só depois dos trinta me decidi pela publicação do primeiro livro. Essa decisão veio de repente, numa tarde de céu anilado e sol amarelo. Estava só em meio ao campo silencioso, a perdiz piava ao longe, o vento embalava as árvores. Aquela beleza, tão suave e serena, me tocou fundo e eu me admirei que tão escassos catarinenses tentassem retratá-la na ficção. Resolvi, então, que eu o faria, pelo menos tentaria. Num desafogo, com alívio, entreguei-me à inclinação”. (ATHANÁZIO, Enéas. Regionalismo. In: Figuras e Lugares. Local, Editora, 1983, p. e ATHANÁZIO, Enéas. O Regionalismo passado a limpo. Local, Editora, 1999, p.)

O Peão Negro lançado em março de 1973

Enéas Athanázio é o maior escritor catarinense, representante do regionalismo dos Campos Gerais catarinenses, destacando-se como contista, novelista, cronista, além de ser ensaísta e crítico literário. As suas obras literárias de ficção apresentam o contexto histórico ambientado nos Gerais Catarinenses e, particularmente, na região da chamada Guerra do Contestado (1912 – 1916), onde viveu a infância e a juventude.

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Enéas Athanázio nasceu na cidade de Campos Novos, no Planalto Central de Santa Catarina, em 28 de março de 1.935. Filho do médico Dr. José Athanázio e de Irma Vieira Athanázio. Fez os estudos primários e secundários em Porto União (1945/1951) e Curitiba (1952/1954) e superiores em Florianópolis (1955/1959). Bacharelou-se em Direito em 1.959 pela antiga Faculdade de Direito de Florianópolis, atualmente pertencente à Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. No período acadêmico já colaborava nos jornais de Florianópolis.

De 1.960 a 1.968 retornou à sua cidade natal – Campos Novos – e dedicou-se à advocacia durante nove anos, principalmente a criminal, na região campesina de seu Estado. Em 1.968 prestou concurso para o Ministério Público Estadual para o cargo de Promotor Público. Ingressou no Ministério Público e “ficou a pular de comarca em comarca”, pelas cidades catarinenses de Anita Garibaldi, Capinzal, Canoinhas e Rio do Sul (1969/1977) até que se aposentou como promotor de justiça titular de Blumenau – SC (1978/1987). Enéas Athanázio vive há mais de 30 anos, em Balneário Camboriú, no Estado de Santa Catarina, onde tem se dedicado às atividades literárias e culturais.

Fundou e dirigiu colunas literárias (Atrás do Toko, Impressões Colhidas pelo Caminho, Página Literária – 1972 a 1990) e jornais e suplementos culturais, (Notícias e Letras, com Edson Nelson Ubaldo, em Campos Novos – SC; Jornal da UBE – SC e o Jornal do Enéas – de 2002 a 2011) –, além de colaborar em numerosos outros da região e da capital.

Exerceu também o magistério na área jurídica em faculdades e em Colégios. Fundador e Presidente do Conselho de Cultura de Blumenau. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e de diversas outras entidades culturais. Foi presidente da União Brasileira de Escritores no Estado de Santa Catarina – UBE/SC. É sócio correspondente da Academia Piauiense de Letras, da Academia de Letras do Vale do Longá, ambas de Teresina, e pertence a inúmeras outras entidades lítero-culturais. 

O escritor catarinense já recebeu, vários prêmios e condecorações, pela sua contribuição à literatura e à cultura de Santa Catarina e do Brasil.

Em 1973, estreou na literatura, com a publicação de uma coletânea de dez contos, intitulada O Peão Negro, lançada pela Editora do Escritor. 

O autor tem 75 obras publicadas (60 livros e 15 opúsculos), já participou em mais de uma centena coletâneas e antologias publicadas em vários Estados, mantendo constante colaboração na imprensa. 

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Tem inúmeros trabalhos publicados na imprensa de Santa Catarina e de outros Estados brasileiros. Coordenou uma “Página Literária” no jornal catarinense “Tribuna da Fronteira” (de 1.972 a 1990). Publica semanalmente, às segundas-feiras a coluna Literatura, no Jornal Página 3, de Balneário Camboriú – SC, onde reside há mais de trinta anos; além de publicar artigos na coluna Autores Catarinenses, na revista histórica bimensal Blumenau em Cadernos e crônicas e artigos no site Revista Rio Total. Athanázio publicou as suas pesquisas e estudos sobre os escritores Lima Barreto, Monteiro Lobato e seu correspondente mineiro por mais de quatro décadas – Godofredo Rangel, além de personalidades históricas e literárias como Crispim Mira, Gilberto Amado, Joaquim Inojosa, Silvio Meira, William Agel de Melo, Martinho Bugreiro, dentre outros.

Em entrevista concedida, em 1991, a Flávio José Cardoso, Silveira de Souza e Ieda Inda, ao ser indagado a respeito do surgimento de O Peão Negro e a repercussão de seu lançamento, Enéas Athanázio relata que “quando eu saí de Campos Novos (1968/1969), já tinha o esboço desse livro. Andei por Anita Garibaldi, Canoinhas, tive tempo para ir escrevendo. Em 73, enfim, me decidi a publicar O Peão Negro, que foi bem recebido. E então não parei mais”.

Em entrevista concedida a Nilto Maciel, editor da Revista Literatura (Brasília – DF, No. 20, abril 2001), Enéas Athanázio contextualiza o surgimento de O Peão Negro e das demais obras ficcionais de sua autoria, afirmando que “como campeiro, tendo nascido e passado grande parte da vida na região (dos Campos Gerais Catarinenses), eu notava que ela era quase ausente do mapa literário do Estado”. 

Além disso, nos revela o que o levou “retratar o seu chão e a sua gente”: “Intrigava-me que uma região tão linda, dotada de paisagens inigualáveis, com fauna e flora exuberantes, rica em história, folclore, música, vivências e, acima de tudo, de uma linguagem local expressiva e criativa, não fosse aproveitada em nossa ficção. Imaginei que alguém, em breve, o faria, mas os anos passavam e nada acontecia”.

Em seguida, Athanázio relata como tomou a “grave decisão” de escrever sobre os Gerais Catarinenses: “Foi então que tomei a grave decisão, talvez a mais grave de toda a vida, de descrever o meu chão e a minha gente, ou, pelo menos tentaria como estou tentando até hoje”. 

Contextualizando o surgimento de seu primeiro livro – O Peão Negro – lançado em 1973, Enéas afirma que: “ Para minha surpresa, meu primeiro livro O Peão Negro foi bem recebido e teve boa repercussão, talvez porque eu retomasse caminhos abandonados há longos anos e nos quais o capim já começava a crescer. E conclui reiterando a sua opção e o seu compromisso consciente e coerente em escrever somente sobre o que conheceu e vivenciou: “embora tenha escrito livros de outros gêneros, toda minha ficção é ambientada nos Gerais”.

Em ensaio intitulado “Regionalismo”, publicado no livro de ensaios Figuras e Lugares, no ano em que completou dez anos de carreia literária (1983), e publicado novamente, de forma revista e ampliada, dezesseis anos mais tarde (1999), em livro de ensaios intitulado “O Regionalismo passado a limpo”, Enéas situa o surgimento de sua obra de estreia O Peão Negro e dos demais livros de contos surgidos posteriormente, no contexto do regionalismo catarinense, conforme epígrafe neste artigo. A este livro acrescente-se o livro de contos Tapete Verde, lançado no ano em que o autor completou dez anos de carreira literária (1983).

No livro de ensaios A Pátina do Tempo, lançado em 1984, Lauro Junkes, em artigo intitulado “10 Anos de Literatura”, contextualiza, de forma conjunta, os quatro primeiros livros de contos de Enéas Athanázio, os quais considerava como partes integrantes de uma tetralogia, que também podem ser considerados como uma “pequena novela com sabor de romance” ou, conforme informam os analistas e críticos literários, um “roman fleuve” ou “romance em cadeia”: “Tapete Verde (1983) completa a tetralogia da ficção regionalista, confirmando o escritor que optou por temática profundamente vivenciada, em que ‘aproveitou a paisagem geográfica, a filosofia de vida e a psicologia do povo, seus usos e costumes, o folclore e, sobretudo, o linguajar’ dos Gerais Catarinenses”, destacando ainda que: “Enéas assume com conhecimento de causa ´o homem e a paisagem locais´, projetando-se como autentico regionalista catarinense”.

A ficção de Enéas Athanázio, envolve mais de uma centena de contos e de crônicas, mais de uma dezena de novelas e inúmeros artigos sobre a região, constituindo um amplo e único painel da região serrana dos Campos Gerais catarinenses, o maior de todos os tempos, retratando os costumes, tradições, valores, folclore, mitologia, formação psicológica do povo e, principalmente, a linguagem precisa no uso e na criação de termos regionais, sempre rica e expressiva.

As obras de Athanázio possuem fortes traços autobiográficos, também chamados de auto-ficcionais, nos remetendo ao modo de vida cotidiano das cidades do interior do planalto catarinense, região mais conhecida pelo nome de “Campos Gerais”, através de seus campos e paisagens naturais “onde o verde dos campos se mistura com o azul do céu”, linguajares regionais típicos e os peculiares perfis psicológicos de seus personagens, revelando-nos o amplo painel único dos Gerais Catarinenses. As homenagens e eventos a respeito dos seus 50 anos de estreia literária são mais do que merecidos, mas oportunos e de interesse permanentes.

Em 2021, Enéas lançou a novela campeira “Percurando Aquele Traste”, que novamente nos apresenta um amplo painel dos Campos Gerais, região serrana do Estado de Santa Catarina, da qual o autor é originário. 

O escritor catarinense Enéas Athanázio lançou em 2.022, o seu sexagésimo livro: “A Obra de William Agel de Mello – Algumas Notas” coletânea reunindo 10 artigos escritos a respeito da vida e obra do escritor, diplomata, tradutor e dicionarista goiano. 

Com estas publicações ele atinge o 60 º livro e o 15 º opúsculo, totalizando 75 obras individuais publicadas em volume, uma das mais significativos e importantes obras envolvendo a produção literária da literatura dos catarinenses.

Guilherme de Macedo

Guilherme Queiroz de Macedo é escritor e professor, funcionário técnico administrativo da Universidade Federal de MinasGerais. Em novembro/22 lançou seu terceiro livro/opúsculo sobre o escritor catarinense Enéas Athanázio ‘O Articulismo Cultural de Enéas Athanázio’.

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