Priscila Andrade *
Se você já está há algum tempo na estrada da engenharia, na agronomia ou nas geociências, você sabe exatamente do que estou falando. Todo início de ano é a mesma história: o boleto de quase R$ 700 da anuidade do Crea-SC chega religiosamente na sua caixa de entrada. Você paga, o dinheiro sai da sua conta e a pergunta que fica na sua cabeça é sempre a mesma:
“Afinal, o que eu ganho com isso além do direito de continuar trabalhando?”
A resposta, que você e a maioria esmagadora dos profissionais catarinenses já sabem, é dolorosa: nada.
Passamos uma década — ou mais — ralando no dia a dia, lidando com clientes, prazos, impostos, o custo altíssimo de softwares e combustíveis, para no final sermos tratados pelo nosso próprio conselho como meros pagadores de boleto. O Crea-SC virou uma máquina burocrática e distante, que o profissional só lembra que existe quando chega a cobrança ou quando recebe a visita de uma fiscalização que parece mais preocupada em multar do que em orientar e valorizar a categoria.
Esse cenário absurdo está sufocando quem produz. Conheço profissionais talentosos que, diante da falta de oportunidades e do peso das taxas e impostos, tiveram que encostar o diploma e virar motoristas de aplicativo porque a conta simplesmente não fecha. É inadmissível que um conselho de classe seja mais um obstáculo financeiro na vida de quem quer apenas exercer a sua profissão de forma honesta.
O descontentamento da nossa categoria é geral e legítimo. O sentimento de frustração que o engenheiro carrega hoje é o mesmo de outros setores essenciais do nosso estado. O pequeno criador de aves ou de suínos reclama que tem que pagar para continuar na atividade, este é um cenário bastante parecido com o nosso, que além de todos os impostos que precisa pagar, ainda sofre com a alta taxa da anuidade do seu conselho.
Como candidata à presidência do Crea-SC, a minha principal bandeira é dar um basta nisso. Defendo, de forma concreta e com responsabilidade de gestão, a redução drástica da anuidade de R$ 700 para R$ 250.
Essa redução não é uma promessa de campanha, é uma necessidade de sobrevivência para o profissional do dia a dia. É possível fazer isso cortando mordomias, enxugando a máquina administrativa, digitalizando processos e focando o Crea estritamente no que ele deveria fazer: uma fiscalização inteligente que proteja o mercado dos leigos e valorize o profissional habilitado.
O conselho tem que parar de ser um peso nas costas de quem trabalha. Chega de pagar caro por uma estrutura que não te entrega nenhum retorno. Reduzir a anuidade para R$ 250 é o primeiro passo para o Crea-SC voltar a respeitar o trabalhador e entender que ele serve aos profissionais, e não o contrário.
(* Priscila Andrade é candidata à presidência do Crea-SC)
