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ORLI – Homenagem ao Desembargador Orli de Ataíde Rodrigues

Por Carlos Adauto Vieira

Orli era um imã naturalmente; dispensava qualquer esforço para tanto. Jamais chegamos à sua casa, nos altos de São José, que não houvesse visitas ou regalos. Sua imensa biblioteca dava a prova disto. Trocava livros por absoluta necessidade de ser gentil. E receber o troco, igualmente como prova de admiração e amizade. Sem fazer esforço. Como não fosse um crítico literário, mas um amigo a propor troca de gentilezas, pelo seu caráter. Não havia a predisposição de tantos amigos para ter vantagens com as permutas. Ele não tinha culpa pela atração da sua inconfundível personalidade sincera. Quem o conhecia, reconhecia-o em qualquer oportunidade. Era o imã simples, o mesmo em qualquer instante. Nunca soube fingir. Lembro-me de uma ocasião em que ia pagar a conta do hotel, em Joinville, e recusou aceitar; porém, sentindo que eu poderia me ofender, aceitou. Talvez tenha compreendido que eu tentava permutar-lhe, ainda que em parte, as suas gentilezas para conosco – Márcia, eu e os nossos netos em seus aniversários, quando as crianças já o chamavam, inocentemente, de Vô Orli, mesmo sem o conhecer pessoalmente, com a ideia de que fosse um Papai Noel fora do Natal. Ou o Coelho da Páscoa. Além de todo o sentimento pela sua precoce partida, deixando-nos com impressão de órfãos, gostaria de lhe ter dito, à beira túmulo: Orli, em agora Te vendo nessa, descobri que o amigo morto sempre parece mais morto do que o resto da Humanidade. Até breve, conterrâneo inigualável!

Carlos Adauto Vieira, Joinville, 5 de agosto de 2020

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