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Pertencimento – por Maria Luiza Kuhn

 

“Por onde nos enredamos a buscar o fio da necessidade de pertencimento?

Tenho refletido sobre isto porque sinto falta. Pode ser a memória tribal que nos assalta, quando uma célula resolve se rebelar dentro de um quadro de isolamento.

Pertencimento, ou sentimento de pertencimento: é uma crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos, que os fazem pensar membros de uma coletividade com símbolos e valores, além de aspirações comuns. (livre resumo de pesquisa Google)

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Nas corporações este “senso de pertencimento” tem sido explorado muito nos últimos anos para que possa fazer parte da cultura organizacional, e assim, trazer ao colaborador/empregado um conforto, em fazendo parte deste grupo, sentir-se de fato “com importância”, tipo algo a mais do que simples troca de horas de trabalho por salário.

Eu chamo isso de dar sentido à atividade do cidadão. E, sim tem um lado extremamente positivo, mesmo quando olhamos com um certo ranço para a empresa (leia-se capital) , em ela se apropriando de termos com sentido antropológico para comprometer sua equipe. Entendo que, isso sendo verdadeiro e fazendo sentido para o empregado, melhora sua auto estima inclusive. Por que então não usar o conceito e bem aplicá-lo?

Mas falo aqui num senso de pertencimento maior.

Estou inserido (a) numa comunidade? Numa cidade? Onde me reconheço nelas? Existe uma amálgama que me conforta quando penso que aqui resido, faço parte? A que grupo de pessoas estou fazendo alguma diferença?

O pertencimento me dá ideia de aterramento, (não falo necessariamente em nascer e morrer no mesmo lugar, até porque eu mesma não aguentaria) ou seja, estou aqui com o pé no chão. No meu quadrado ou redondo, mesmo que compartilhando a mesma bolha de ar com o mundo inteiro.

As indagações e inseguranças compartilhadas com várias pessoas com quem tenho dialogado, parece ter vindo mais à tona por conta desta sociedade cunhada como líquida por Zigmunt Bauman, em tempos de pandemia.

Hoje vemos um story, amanhã já se apagou no aplicativo. Lemos um desabafo ou uma nota qualquer e rolamos a tela. Não criamos vínculo com aquelas histórias. Com aquele momento. Ao que parece, tudo isso tem nos deixado um pouco confusos sobre o nosso lugar no mundo.

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Volto meu olhar então aos mais jovens, que dominam a arte da tecnologia. Seria o sentimento deles assim também?

Precisamos entender como eles estão vendo o mundo. Porque julgar e ponderar com os nossos “óculos” parece o mais óbvio e fácil. Procuro nunca julgar e achar melhor o “nosso tempo”, pelo simples fato de atribuir mais valor à minha experiência. Seria raso.

Penso no tempo deles. Porque indubitavelmente o mundo jamais retrocederá. Apenas será ainda mais tecnológico.

Meu único questionamento é que senso de pertencimento tem esta nova geração? Ou será este senso tribal, algo totalmente removido da memória dos nativos digitais?

Quiçá, nem terão esta angústia.

Eu a tenho.”

Maria Luiza Kuhn é escritora, palestrante e consultora. Ocupa cadeira na Academia de Letras do Brasil/SP e também na Academia de Letras de Balneário Camboriú e na Academia Nacional de Ciências, Letras e Artes- ANACLA/SC. 

 

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