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Balneário Camboriú

Planejamento Econômico em Santa Catarina: Passado e Futuro Pós-Pandemia

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Allan Schroeder

Desde os anos 90 temos visto no Brasil uma nova política econômica que vem gerando um crescente processo de desnacionalização e desindustrialização no país, onde o capital financeiro toma uma importância muito maior que o capital industrial, tornando assim o mercado financeiro muito mais atraente a investimentos do que a indústria produtiva, que é a que de fato gera valor e empregos. 

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Essa política econômica, que foi seguida por todos os governos desde a redemocratização, foi o que permitiu a privatização de diversas estatais estratégicas, como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional, além de legitimar ações que entregaram nossas principais empresas ao capital externo, ao permiti-las quebrarem pela concorrência ou diretamente pela venda. Para termos ideia do tamanho do estrago: Nos anos 70 a indústria brasileira representava 21,4% do PIB, hoje representa 11%, o Brasil sofreu nos últimos 50 anos um dos maiores processos de desindustrialização de todo o planeta. 

Em Santa Catarina isso implica na destituição dos arranjos econômicos que tínhamos com a federação, tendo como símbolo disso a falência da indústria carbonífera no sul do estado, mas também uma regressão econômica em outras regiões, como a têxtil no Vale do Itajaí e a de eletromecânica no Norte. 

A noção de planejamento estatal vem desde 1930, através de ações como a de garantia, através da Siderúrgica Nacional, da compra de carvão nacional que gerou a demanda e prosperidade do setor carbonífero Catarinense. Brasília através dessa articulação foi construída com madeiras provenientes das araucárias Catarinenses. Laguna inclusive receberia uma subsidiária da CSN, a Siderúrgica Sul-Catarinense que nunca conseguiu sair do papel. 

Os governadores catarinenses criavam planos de metas que seguiam como um refluxo das transformações estruturais do Brasil e davam um direcionamento ao desenvolvimento econômico, como o Plano de Obras e Equipamento (POE), o Plano de Metas do Governo Estadual (PLAMEG) I e II e o Plano Catarinense de Desenvolvimento (PCD). 

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Eram esses arranjos que permitiam um crescimento estruturado de nossa economia. É por isso que vivemos uma longa fase de regressão econômica, por mais que ainda existam empresas catarinenses que continuam símbolos para o estado, como a WEG, essas são exceções perante desastres como o da Renaux, empresa símbolo do setor têxtil que foi liquidada e seu parque fabril serve como escritório para a sede da Havan, ou o fato da Hering, nossa outra empresa símbolo fechar seus parques industriais pois a terceirização através do Made in China permite alcançar lucros muito maiores. 

O estado de Santa Catarina nunca conseguiu recuperar os empregos perdidos pela desindustrialização, o que reflete na cada vez maior “litoralização” do estado, que atrai trabalhadores que não mais conseguem construir a vida em regiões desarticuladas economicamente e tentam a sorte no litoral, onde o turismo ainda oferece um suspiro, mesmo que não consiga comportar a todos. 

Através dos dados do Caged que monitoram a geração de emprego, 10% de todas as vagas geradas em Santa Catarina no mês de fevereiro foram proporcionados pela Construção Civil, da qual nossa cidade de Balneário Camboriú é símbolo. Em um momento tão difícil como o da Pandemia da COVID-19, onde apenas no primeiro semestre da pandemia Balneário perdeu 5.431 vagas de emprego e o Turismo sofre uma forte queda, impedindo até mesmo o trabalho informal, é a indústria produtiva da Construção Civil que tem nos oferecido um alívio. 

É essa a importância do planejamento estatal, caso ainda possuíssemos planos de governo com metas a longo prazo, Balneário Camboriú poderia ocupar um papel na geografia econômica do estado que a permitisse crescer de outras maneiras, não só com o contínuo investimento na Construção Civil e no turismo, mas também proporcionando outras formas de crescimento econômico que possam gerar valor em nosso município. Uma possível saída seria a integração do município nos polos tecnológicos que existem em regiões próximas como Florianópolis e Blumenau, que movimentam bilhões de reais no Estado. 

Essa saída poderia ser impulsionada através de parcerias com as instituições de pesquisa e desenvolvimento das universidades que já possuem campus em nosso município como a Univali, Udesc e Uniavan, da mesma maneira que foi realizado nas regiões citadas, com iniciativas como a Blusoft (Blumenau Polo de Informática), que estimula a geração de novas empresas no setor. 

É por isso que necessitamos da retomada da visão desenvolvimentista para o nosso estado, pois não será o conceito individualista do municipalismo que promoverá as mudanças estruturais que de fato permitam a diversificação econômica da região, mas sim o planejamento econômico articulado com a Federação e as instituições de pesquisa e desenvolvimento, que permitirão, após a pandemia, a retomada econômica com geração de empregos não somente em Balneário Camboriú, mas em toda Santa Catarina, recriando os arranjos que um dia permitiram a criação de riqueza do extremo oeste até o litoral Catarinense. 

Allan Schroeder, Advogado, Administrador Público e Mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental. Instagram:@allanmullerschroeder (47) 9 9912-5898

Allan Schroeder

Desde os anos 90 temos visto no Brasil uma nova política econômica que vem gerando um crescente processo de desnacionalização e desindustrialização no país, onde o capital financeiro toma uma importância muito maior que o capital industrial, tornando assim o mercado financeiro muito mais atraente a investimentos do que a indústria produtiva, que é a que de fato gera valor e empregos. 

Essa política econômica, que foi seguida por todos os governos desde a redemocratização, foi o que permitiu a privatização de diversas estatais estratégicas, como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional, além de legitimar ações que entregaram nossas principais empresas ao capital externo, ao permiti-las quebrarem pela concorrência ou diretamente pela venda. Para termos ideia do tamanho do estrago: Nos anos 70 a indústria brasileira representava 21,4% do PIB, hoje representa 11%, o Brasil sofreu nos últimos 50 anos um dos maiores processos de desindustrialização de todo o planeta. 

Em Santa Catarina isso implica na destituição dos arranjos econômicos que tínhamos com a federação, tendo como símbolo disso a falência da indústria carbonífera no sul do estado, mas também uma regressão econômica em outras regiões, como a têxtil no Vale do Itajaí e a de eletromecânica no Norte. 

A noção de planejamento estatal vem desde 1930, através de ações como a de garantia, através da Siderúrgica Nacional, da compra de carvão nacional que gerou a demanda e prosperidade do setor carbonífero Catarinense. Brasília através dessa articulação foi construída com madeiras provenientes das araucárias Catarinenses. Laguna inclusive receberia uma subsidiária da CSN, a Siderúrgica Sul-Catarinense que nunca conseguiu sair do papel. 

Os governadores catarinenses criavam planos de metas que seguiam como um refluxo das transformações estruturais do Brasil e davam um direcionamento ao desenvolvimento econômico, como o Plano de Obras e Equipamento (POE), o Plano de Metas do Governo Estadual (PLAMEG) I e II e o Plano Catarinense de Desenvolvimento (PCD). 

Eram esses arranjos que permitiam um crescimento estruturado de nossa economia. É por isso que vivemos uma longa fase de regressão econômica, por mais que ainda existam empresas catarinenses que continuam símbolos para o estado, como a WEG, essas são exceções perante desastres como o da Renaux, empresa símbolo do setor têxtil que foi liquidada e seu parque fabril serve como escritório para a sede da Havan, ou o fato da Hering, nossa outra empresa símbolo fechar seus parques industriais pois a terceirização através do Made in China permite alcançar lucros muito maiores. 

O estado de Santa Catarina nunca conseguiu recuperar os empregos perdidos pela desindustrialização, o que reflete na cada vez maior “litoralização” do estado, que atrai trabalhadores que não mais conseguem construir a vida em regiões desarticuladas economicamente e tentam a sorte no litoral, onde o turismo ainda oferece um suspiro, mesmo que não consiga comportar a todos. 

Através dos dados do Caged que monitoram a geração de emprego, 10% de todas as vagas geradas em Santa Catarina no mês de fevereiro foram proporcionados pela Construção Civil, da qual nossa cidade de Balneário Camboriú é símbolo. Em um momento tão difícil como o da Pandemia da COVID-19, onde apenas no primeiro semestre da pandemia Balneário perdeu 5.431 vagas de emprego e o Turismo sofre uma forte queda, impedindo até mesmo o trabalho informal, é a indústria produtiva da Construção Civil que tem nos oferecido um alívio. 

É essa a importância do planejamento estatal, caso ainda possuíssemos planos de governo com metas a longo prazo, Balneário Camboriú poderia ocupar um papel na geografia econômica do estado que a permitisse crescer de outras maneiras, não só com o contínuo investimento na Construção Civil e no turismo, mas também proporcionando outras formas de crescimento econômico que possam gerar valor em nosso município. Uma possível saída seria a integração do município nos polos tecnológicos que existem em regiões próximas como Florianópolis e Blumenau, que movimentam bilhões de reais no Estado. 

Essa saída poderia ser impulsionada através de parcerias com as instituições de pesquisa e desenvolvimento das universidades que já possuem campus em nosso município como a Univali, Udesc e Uniavan, da mesma maneira que foi realizado nas regiões citadas, com iniciativas como a Blusoft (Blumenau Polo de Informática), que estimula a geração de novas empresas no setor. 

É por isso que necessitamos da retomada da visão desenvolvimentista para o nosso estado, pois não será o conceito individualista do municipalismo que promoverá as mudanças estruturais que de fato permitam a diversificação econômica da região, mas sim o planejamento econômico articulado com a Federação e as instituições de pesquisa e desenvolvimento, que permitirão, após a pandemia, a retomada econômica com geração de empregos não somente em Balneário Camboriú, mas em toda Santa Catarina, recriando os arranjos que um dia permitiram a criação de riqueza do extremo oeste até o litoral Catarinense. 

Allan Schroeder, Advogado, Administrador Público e Mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental. Instagram:@allanmullerschroeder (47) 9 9912-5898

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