Chegando da viagem de um mês ao hemisfério norte, tá na hora de abrir as malas.
Coração alegre, abastecido pelo carinho da família de um dos filhos no Canadá, mais aquelas lembranças caras e queridas que trazemos nas viagens, inesquecíveis, tanto na alma como nas malas.
Comprei bastante. Uma das coisas que mais me tocam é poder comprar…livros.
Desta vez adquiri, pesando 6.800 kg, um fabuloso exemplar de REMBRANDT – o holandês famosão.
Ainda houve protestos:
– Mas é muito caro!
– É muito pesado.
– Vai ficar na alfândega!
– Vai ter que pagar excesso de bagagem.
– Teu inglês não é grande coisa.
– Deixa pra próxima viagem.
– Você não pode carregar peso por causa do braço inflamado ‘no manguito rotator’.
Todos os conselhos foram dados, mas ignorados, e eu cego, surdo e mudo, não resisti.
Depois de dois dias considerando fatores negativos e positivos fui arrastado pela corrente da paixão.
Comprei o livro!
O meu ‘Rembrandt’ tem 756 páginas, é só em preto e branco, traz todos os desenhos do genial holandês.
Quem conhece arte sabe que um grande artista é primeiro um grande desenhista.
Já aprendi nele que a escultura de 8 metros na Praça Rembrandt em Amsterdam, é a maior já dedicada ao artista.
Pois é, quando de outra viagem àquela cidade, fiquei nesta Praça, e todo dia saía do Hotel Schiller passando na frente.
Ignorante e tanso, não sabia que a tal escultura tinha essa importância toda.
Agora sei. Por causa do livro!
E mais, fiquei por 2 horas admirando a Obra Prima
‘Ronda Noturna’ – que é esta da imagem – uma das duas mais célebres do Rembrandt, em um museu em Amsterdam. Ela tinha o tamanho de uma trave oficial de futebol.
Crianças sentavam na frente dela, ouvindo explicações de professores.
Em contato com a obra, computadores mediam a intensidade do efeito da respiração humana sobre a pintura e seus possíveis danos.
E então, como que eu não ia comprar um livro deste?
Meus opositores ouviram minhas justificativas e não sei se concordaram, mas ao menos não protestaram mais.
Claro que veio na mala mais alguma coisa: um perfume, uns óculos e mais algumas coisinhas secundárias, nada que mesmo no conjunto, superasse em valor o custo da minha grande preciosidade impressa.
Produzido pela maior e melhor editora de livros de arte do mundo, a TASCHEN agora meu REMBRANDT passa a ter um glorioso lugar em minha coleção de livros de arte. Depois …a gente vê como que faz com o cartão de crédito …
Dizem que mais vale um gosto do que dinheiro no bolso.
Então tá!
…segue a saga…
Hélvion Ribeiro é dentista aposentado, reside em Balneário Camboriú e veraneia em Urubici

