Um homem de 55 anos foi preso na tarde desta quinta-feira (20), poucas horas depois de ser flagrado agredindo um cachorro na Avenida Martin Luther, em Balneário Camboriú. Imagens que mostram o animal recebendo socos e chutes circularam pelas redes sociais e mobilizaram a Guarda Municipal e o Departamento de Proteção Animal e Combate aos Maus-Tratos (Depa).
Um dos denunciantes foi um jornalista de Balneário Camboriú, que compartilhou as imagens em um grupo da imprensa e relatou ter presenciado “socos e pontapés no cachorro”, enquanto o responsável pelo animal estaria tranquilo diante das pessoas que passavam pela Avenida Martin Luther.
A denúncia chegou à Central de Operações e Monitoramento pelo telefone 153 durante a manhã. A partir das imagens, o Núcleo de Inteligência da Guarda Municipal (NINT/GMBC) iniciou o trabalho para identificar o homem e descobrir para onde ele havia seguido após a agressão.
O suspeito foi localizado por volta das 14h45, em sua residência, no Bairro das Nações. A Guarda Municipal Ambiental e a equipe do Depa fizeram a abordagem e o encaminharam à Central de Plantão Policial (CPP) por maus-tratos a animais.
Segundo a diretora do Depa, Patrícia Ferreira, quando as equipes chegaram à residência, o próprio homem indicou que já imaginava que seria procurado por causa das imagens. Ele admitiu ter agredido Fantasma e chegou a dar entrevista sobre o episódio.
“Ele mesmo assumiu que agrediu o cão porque estava nervoso. Não explicou o motivo de estar nervoso, disse que ficou nervoso e bateu”, relatou Patrícia.
Aparência do animal não descarta maus-tratos
Fantasma aparentava estar bem cuidado, inclusive usando roupinhas nas duas ocasiões (no vídeo e no momento em que a GM foi ao local) e não apresentava sinais externos evidentes de maus-tratos. Para Patrícia, porém, isso não diminui a gravidade do que foi registrado em vídeo. A diretora comparou a situação a outros casos de violência que podem ocorrer sem sinais aparentes para quem observa de fora.
“É um cachorro aparentemente bem cuidado, bonito, mas isso não quer dizer que a agressão não seja crime. É como uma mulher linda, bem cuidada, que dentro de casa apanha do marido. Uma coisa não exclui a outra”, afirmou.
Ela também ressaltou que a ausência de marcas visíveis não significa necessariamente que o animal não tenha sofrido lesões. Chutes e socos, segundo Patrícia, podem provocar danos internos que não são percebidos imediatamente.
“Não é porque não tem marca que significa que não teve uma lesão interna. Um chute, um soco, pode danificar um órgão interno”, acrescentou.
Família pediu que cachorro não fosse retirado
A mãe do homem também estava no local e, segundo a diretora do Depa, chorou e pediu para que Fantasma não fosse retirado da família. Ela afirmou que a agressão registrada nesta quinta-feira foi um episódio isolado, versão que diverge de relatos que começaram a circular após a divulgação das imagens.
De acordo com Patrícia, vizinhos teriam afirmado que não seria a primeira vez que o animal sofria agressões. Essas informações, no entanto, ainda precisam ser apuradas.
“Se faz na rua isso que flagraram, imagina o que pode ter feito dentro de casa. Mas agora vamos aguardar o que a Justiça vai dizer”, afirmou a diretora.
Destino de Fantasma ainda não estava definido
Após a abordagem, tanto o homem quanto Fantasma foram levados à delegacia. Até o momento em que Patrícia conversou com a reportagem, o cachorro permanecia no local e ainda não havia uma definição sobre seu destino. Caberá à autoridade policial decidir os próximos encaminhamentos e se o animal será destinado, por exemplo, à ONG Viva Bicho ou se voltará para o dono.
Patrícia reforçou que denúncias de maus-tratos devem ser feitas pelo telefone 153 para que as equipes possam verificar a situação.
“A gente mostra hoje que o crime de maus-tratos não tem vez. A orientação é sempre acionarem o 153 para denunciar. Nós temos uma demanda muito grande, e vamos sempre imediatamente verificar todas as denúncias, junto com a GM Ambiental, fazendo todo o procedimento administrativo e a condução à delegacia quando é constatado o crime”, disse.

