O vereador Marcelo Achutti (MDB) protocolou nesta quarta-feira (23) um pedido de esclarecimentos e providências sobre os seguranças que acompanham Jair Renan Bolsonaro (PL) na Câmara de Balneário Camboriú, situação que ele já havia mencionado ao Página 3 anteriormente (relembre aqui). Ele também voltou ao assunto na tribuna e, em entrevista ao jornal, relatou um novo confronto com o colega durante a sessão.
A discussão entre os parlamentares começou na terça (22) com a rejeição de um pedido para justificar duas faltas de Jair Renan e repercutiu também em veículos nacionais.
O Ofício nº 10/2026 foi dirigido ao presidente da Câmara, Marcos Augusto Kurtz, e assinado digitalmente nesta quarta-feira. No documento, Achutti solicita informações sobre quantos profissionais de segurança estão vinculados ao gabinete de Jair Renan e em quais condições estão autorizados a circular pelo prédio.
O que Achutti pediu à presidência
O vereador quer saber se existe autorização formal para a atuação dos seguranças, quais regras disciplinam a permanência deles na Câmara e se possuem vínculo com órgãos públicos.
No ofício, Achutti registra ter recebido informações de que alguns seriam policiais militares da ativa, mas ressalva que isso ainda precisa ser apurado.
“Não estou afirmando que essa informação seja verdadeira sem a devida apuração. Entretanto, diante da natureza da informação, entendo que ela não pode ser ignorada e deve ser formalmente esclarecida pelos órgãos competentes”, diz trecho do documento.
O documento pede que a presidência adote as providências administrativas cabíveis e, se necessário, encaminhe o caso aos órgãos responsáveis pela apuração. Também solicita que as regras de acesso e segurança sejam aplicadas igualmente a todos os gabinetes e parlamentares, além de uma resposta formal sobre as medidas adotadas.
Achutti informa ainda que pretende apresentar uma representação à Corregedoria da Polícia Militar para verificar se há policiais da ativa prestando segurança particular e, caso haja, se a atuação está de acordo com as normas da corporação.
“Não me sinto seguro no meu local de trabalho”
Ao Página 3, Achutti afirmou que também pretende levar a situação ao Ministério Público. Esse encaminhamento foi anunciado na entrevista; o ofício à presidência menciona especificamente a intenção de procurar a Corregedoria da PM. “Não me sinto seguro no meu local de trabalho onde tem várias pessoas armadas”, declarou.
O vereador relatou ainda que um dos homens que acompanhavam Jair Renan estava no plenário com um crachá destinado a assessores. Segundo Achutti, ele seria segurança e não funcionário da Câmara.
Na tribuna, Achutti disse ter cobrado providências sobre a presença de pessoas armadas e afirmado que não tem “medo de cara feia”.
Vereador relata novo bate-boca
Segundo o relato de Achutti ao jornal, a troca de provocações entre os dois continuou nesta quarta-feira. Ele contou que mandou um beijo para Jair Renan durante sua manifestação e que, posteriormente, o colega também lhe dirigiu o gesto.
Achutti afirmou que desafiou Jair Renan a falar diretamente com ele, em vez de pelos corredores. Após isso, Jair Renan o mandou “tomar no cu”. O vereador disse que pediu uma questão de ordem para comunicar o episódio ao presidente e que outros parlamentares ouviram o xingamento. Apesar disso, afirmou que não pretende apresentar uma representação à Comissão de Ética.
“Esse é o tipo de político que Balneário Camboriú elegeu, que não usa tribuna, não fala, gasta o fundo de R$ 3 milhões com gráfica e material tudo com turma do Rio de Janeiro porque não conhece ninguém daqui. É isso que os catarinenses querem levar para Brasília. Eu também disse que ele não representa a direita de SC. Não vou representar na Comissão de Ética porque não dá em nada, não vou fazer a Câmara gastar, a Câmara tem coisas mais úteis para fazer”, afirmou.
Críticas à repercussão nacional
O vereador pontuou ainda que lamenta a situação do pai do colega, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas criticou o que considera uma tentativa de vitimização. Questionado sobre a repercussão nacional do episódio, Achutti avaliou que a exposição foi negativa para Balneário Camboriú.
“Sinto que é uma vergonha para a cidade, porque tem tantas pautas positivas, tantos projetos bons, além dos eventos, preparativos para a temporada de verão… e ser notícia nacional com esse ‘sequelado’ falando besteira… eu me sentiria feliz se fossem pautas positivas falando de BC”, completou.
Entenda como começou
Na terça-feira (22), a Câmara rejeitou por 10 votos a cinco o requerimento de Jair Renan para justificar suas ausências na sessão ordinária do dia 16 e na extraordinária do dia 18.
Em plenário, Jair Renan afirmou que havia ido visitar o pai, que está preso. Achutti contestou a justificativa e cobrou que o colega se licenciasse caso não conseguisse conciliar o mandato com os demais compromissos.
Ao responder às críticas sobre recursos de campanha naquela sessão, Jair Renan disse não compreender a relação entre o fundo eleitoral e o pedido de justificativa das faltas.
“Eu não pego fundo eleitoral para fazer bagunça, eu pego para fazer minha campanha e, o que sobrar, eu devolvo. Não sei se o senhor faz alguma bagunça quando recebe”, declarou na ocasião.

