O Dia Nacional do Fisioterapeuta, comemorado nesta segunda-feira (13) é uma data especial para os 28 profissionais que integram a rede pública de Balneário Camboriú. A reportagem do Página 3 esteve sexta-feira (10) no Centro de Fisioterapia e Reabilitação (Cefir), localizado na Rua México, no Bairro das Nações, espaço que é referência no atendimento especializado de pacientes da cidade e completa 28 anos de atuação, consolidando-se como um dos serviços mais estruturados da região.

A coordenadora do Cefir, Juliana Vidotto, conta que somente entre janeiro e agosto de 2025, o Cefir realizou 17 mil atendimentos, número que não representa pacientes únicos, já que cada um deles realiza entre 20 e 30 sessões em média.
“É um número muito expressivo, porque cada caso exige acompanhamento contínuo. Temos um grande volume de atendimentos e conseguimos manter a qualidade do serviço”, afirma.
Rede de atendimento ampliada e novas estruturas
Além do Cefir, a fisioterapia pública de Balneário Camboriú está presente em toda a rede. Há fisioterapeutas em todas as UBSs, onde atendem a cada mês entre 300 e 400 pacientes, um espaço menor no NAI (Núcleo de Atenção ao Idoso), onde já realizaram entre cinco e seis mil atendimentos neste ano, e haverá sala de fisioterapia na Policlínica (as obras iniciam em 2026, no Bairro dos Municípios).
“Também teremos uma sala no PAI (Posto de Atenção Infantil), voltada ao atendimento de crianças e adolescentes, prevista para começar a funcionar em 2026”, destaca Juliana.
Atualmente, a rede municipal conta com 28 fisioterapeutas, sendo 20 no Cefir, 4 no NAI e os demais distribuídos nas unidades básicas. Há ainda profissionais lotados na Casa da Família e na Fundação Municipal de Esportes, atuando em reabilitação e prevenção.
Fim das filas e ampliação do acesso

A fisioterapeuta lembra que, há pouco tempo, Balneário Camboriú enfrentava um grave gargalo na área.
“Quando assumi a coordenação, em 2023, tínhamos dois mil pacientes na fila de espera e o tempo para iniciar fisioterapia chegava a dois anos e meio. Hoje, reduzimos para cerca de 100 pacientes, com espera média de 20 a 30 dias, dependendo do caso”, explica.
O avanço, segundo ela, se deve à descentralização do serviço. “Antes, tudo vinha para o Cefir. Agora, o paciente começa pela UBS, faz uma triagem com o fisioterapeuta, que decide se ele fica ali, se vai para um grupo, se pode ser encaminhado para o Cefir ou para o NAI. Isso organizou a rede e garantiu mais agilidade”, detalha.
Ortopedia é a principal demanda

As lesões ortopédicas e pós-operatórias são os atendimentos mais frequentes. Segundo Juliana, atendem principalmente pacientes que sofreram acidentes de trânsito (a maioria envolvendo motocicletas), com fraturas de tíbia, fíbula, punho e ombro.
“Temos também uma alta demanda de casos neurológicos, como AVC e traumatismos cranianos, além de pacientes com doenças respiratórias, cardíacas e uroginecológicas”, cita Juliana.
O tempo médio de tratamento varia: cerca de 20 a 30 sessões para ortopedia e pós-operatórios, e períodos mais longos para reabilitação neurológica.
“Temos pacientes que iniciam com três sessões por semana e, conforme evoluem, passam para duas, depois uma, até virem quinzenalmente ou mensalmente. Assim, evitamos que precisem voltar para a fila”, explica.
Atendimento humanizado e referência regional

Hoje, o Cefir é um dos poucos centros especializados da região da AMFRI, o que torna o serviço referência para outras cidades.
“Além da estrutura, temos equipamentos modernos e todos os materiais necessários, o que nem sempre foi realidade. Há alguns anos, trazíamos equipamentos de casa. Hoje temos tudo disponível: elásticos, macas novas, bolas, cama elástica, entre outros recursos que melhoram o trabalho do fisioterapeuta e o tratamento do paciente”, relata a coordenadora.
O diferencial, segundo ela, é o atendimento individualizado. “Nos convênios, o profissional atende três pessoas ao mesmo tempo. Aqui, não. Aqui o atendimento é individual, com duração média de 40 minutos por paciente, o que garante um resultado mais eficaz e humanizado”, enfatiza.
Fisioterapia para todas as idades

O serviço público de fisioterapia em Balneário Camboriú atende todas as faixas etárias, desde bebês até idosos.
“No Cefir, atendemos desde bebês até a melhor idade. Temos fisioterapeuta especialista em neurologia infantil, que cuida de bebês com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor ou torcicolo congênito, por exemplo. Já no NAI, focamos nos idosos, em especial os que têm dificuldades de equilíbrio, dores crônicas, Parkinson ou sequelas de AVC”, conta Juliana.
Há pacientes que também são acompanhados em grupos terapêuticos, realizados em centros comunitários, salões paroquiais de igrejas parceiros, no NAM (Núcleo de Atenção à Mulher) e UBSs.
“Temos grupos de dor lombar, de joelho, e outros. Eles trocam experiências e continuam ativos, o que evita que precisem voltar para fila individual de atendimento”, explica.
Novas demandas: dor crônica, sedentarismo e posturas incorretas
Juliana destaca que a modernidade trouxe novas demandas para a fisioterapia, especialmente entre jovens e adultos. “Temos visto um aumento nos casos de lesões por esforço repetitivo e problemas posturais causados pelo uso excessivo do celular e pelo trabalho remoto. As crianças também estão sofrendo com isso. Nossa equipe orienta desde o posicionamento correto até pausas e alongamentos para prevenir essas lesões”, explica.
Uma profissão insubstituível

Com 22 anos de profissão, Juliana fala com orgulho da carreira que escolheu.
“Sou apaixonada pelo que faço. Reabilitar alguém é muito gratificante: ver uma pessoa que chega com dor, com limitação, e poucas sessões depois já está bem, é algo que não tem preço”, afirma.
Ela também reflete sobre o futuro da profissão em meio à tecnologia e opina que é uma das poucas áreas que a inteligência artificial nunca vai substituir.
“Porque exige o toque, a escuta, o olhar atento. O fisioterapeuta precisa entender o paciente, colocar a mão, soltar uma cicatriz, ajudar o corpo a recuperar o movimento. Isso é humano demais para ser replicado por uma máquina”, diz.
Celebração do Dia do Fisioterapeuta
A data de 13 de outubro é comemorada com carinho pela equipe.
“Nós sempre celebramos, porque somos uma equipe grande e unida. Fazemos um café, um almoço, damos um presente simbólico. É uma data para lembrar o quanto nosso trabalho é importante e transformador”, conclui Juliana.
Texto: Renata Rutes

