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Balneário Camboriú

Janeiro Branco em Balneário Camboriú

Lives podem ser acompanhadas até sexta-feira (22)

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Por Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes

A campanha Janeiro Branco, que neste ano segue a temática #TodoCuidadoConta, está em sua terceira edição em Balneário Camboriú, acontecendo neste ano de forma virtual com lives praticamente diárias até o final do mês via Instagram (@janeirobrancobc).

De acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo (9,3%) e o segundo maior das Américas em depressão (5,8%). 

Balneário é uma cidade diferenciada quando o assunto é apoio emocional e psicológico, já que o município conta com um programa específico, com plantão 24h, o Abraço à Vida – que em 2020 contabilizou mais de nove mil atendimentos, demonstrando o quanto a pandemia de Covid-19 afetou o psicológico do público.

Com o objetivo de incentivar as pessoas a refletirem sobre a saúde mental e emocional, principalmente neste ano tão difícil, o Página 3 conversou com pacientes que dividem suas vivências e profissionais da área, que debatem a importância do público olhar para si e se conscientizar sobre a importância da prevenção ao adoecimento emocional, tratado por muitos ainda como um tabu.

Por que Janeiro Branco? 

A campanha foi criada em 2014 por um grupo de psicólogos de Uberlândia (MG) – em Balneário ela acontece desde 2019 –, em alusão às tradicionais comemorações das festas de fim de ano, quando as pessoas costumam realizar balanços das ações individuais e planejar, para o próximo ciclo de 12 meses, novas resoluções e metas.

De acordo com os idealizadores, de maneira simbólica, o primeiro mês do ano é reservado como uma ‘página em branco’ para que novas práticas sejam reescritas, objetivando o bem estar da saúde mental.

Quando se fala em saúde mental, muitos relacionam à ausência de doenças, como ansiedade e depressão, por exemplo. Entretanto, a OMS conceitua saúde como um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou demais enfermidades. 

30 voluntários atuam na campanha, que está na sua terceira edição

A coordenadora do Janeiro Branco em Balneário Camboriú é a psicóloga Miriam Pereira. Ela conta que teve a ideia em 2019, junto de três amigas – hoje o grupo é formado por 30 voluntários, entre psicólogos e profissionais de outras áreas, inclusive de outras cidades, já que como a programação está sendo virtual é possível contemplar mais pessoas.

 “A campanha acaba tendo uma adesão nacional, já que por estarmos fazendo lives pessoas de qualquer lugar podem assistir, e esse era o nosso objetivo: atender uma demanda cada vez maior, por isso que estamos fazendo o Janeiro, mesmo com a pandemia”, explica.

Segundo Miriam, o principal objetivo é desmistificar o acesso ao psicólogo, já que muitas pessoas ainda seguem a linha de que ‘fazer terapia é coisa de louco’. 

“E não é! Há pessoas que precisam de ajuda e quem pode ajudar é o psicólogo. Assim como quando você está com uma doença física deve procurar um médico; o emocional também precisa de atenção e tratamento”, salienta.

A psicóloga aponta que por conta da pandemia já se sabe que muitas pessoas que não tinham depressão ou ansiedade desenvolveram sintomas, além de quem estava em tratamento acentuou o problema.

 “Vamos ver muita coisa daqui para frente, infelizmente. Há muitos casos em crianças, devido ao distanciamento social e falta de contato com seus pares, como colegas de escola. Eles estão desenvolvendo até mesmo sintomas físicos, por conta do estresse, tédio e até depressão acumulados, junto da ansiedade”, diz, comentando que os idosos também foram uma das faixas etárias mais afetadas, já que integram o principal grupo de risco do vírus. 

“O medo e o isolamento social obviamente impactaram, assim como a solidão. Nós do Janeiro Branco fizemos trabalhos com a Secretaria da Pessoa Idosa, focando na importância do resgate da espiritualidade, como também a meditação, exercícios de respiração”, comenta.

Miriam lembra que uma boa dica para que as pessoas tenham uma melhor qualidade de vida – incluindo a saúde mental – são caminhadas, que agora são permitidas através de decreto.

“Exercício físico três vezes por semana pelo menos para todas as faixas etárias, assim como a respiração diafragmática é essencial para ansiedade, junto da meditação. Porém, nos casos mais graves de depressão e/ou ansiedade é necessário medicação também, já que os sintomas podem ser mais complexos, sendo imprescindível o acompanhamento psiquiátrico. O tratamento pode ser longo, mas é preciso”, acrescenta.

As lives da campanha Janeiro Branco podem ser conferidas até o próximo dia 22, através do Instagram @janeirobrancobc. Profissionais estão abordando os mais diversos temas aliados à saúde mental, como compulsões, ansiedade, estresse, expectativas e frustrações, insegurança, depressão, autocuidado, emoções e autoconhecimento.

HISTÓRIAS REAIS

A importância de procurar por ajuda


Uma leitora, moradora de Camboriú, que preferiu não se identificar

“Acredito que o Janeiro Branco é muito importante, porque as pessoas passam a ouvir falar mais sobre saúde mental, assim acabamos derrubando barreiras e preconceitos que infelizmente ainda existem acerca da saúde mental, como a necessidade de procurar por ajuda. Quanto mais se fala, mais se normaliza.

Eu fui paciente da Miriam (a coordenadora do Janeiro Branco em Balneário) por cerca de cinco anos. Eu tive bursite no ombro e durante o tratamento de acupuntura me indicaram terapia. No começo eu tive receio, achava que não seria positivo, mas mesmo assim obedecia tudo o que a psicóloga me falava para fazer. Eu não cheguei a ter depressão, nunca fiz uso de medicação, mas tive uma espécie de ansiedade, devido ao acúmulo de traumas e não-aceitação. Eu me colocava em uma posição muito ruim, me machucava muito. Hoje, depois de muitos anos, vejo que eu fazia aquilo comigo mesma, eu tinha uma dor interna, na alma, e me martirizava muito com isso. Vinham crises de ansiedade e autossabotagem, eu me achava o pior ser humano do planeta – inclusive falava isso para a Miriam.

Fui trabalhando tudo isso na terapia e hoje consigo enxergar tudo diferente. Minha história daria um livro. Hoje tenho meu próprio negócio, tenho estabilidade emocional, mesmo ainda não estando no ideal, mas percebo muita evolução.

Falo para todo mundo a necessidade da terapia, passo o contato da minha psicóloga. Assim como você vai no dentista, faz check-up no médico, vai na academia, tudo isso para cuidar da saúde, também deveria fazer terapia.

Há muita gente machucada por não saber lidar com os próprios problemas, é um absurdo a terapia e o psiquiatra serem vistos como ‘coisa de louco’, é um preconceito ridículo. Acredito que, daqui alguns anos, essa barreira será derrubada. A escuta profissional é diferente, é muito importante e essencial procurar ajuda. Eu tenho amigas que gostam de desabafar, mas aprendi na terapia que não adianta eu ser um ombro amigo porque me sinto sobrecarregada. Já me afastei de pessoas porque não conseguia lidar com isso. É essencial você procurar a ajuda certa. Quando você está com dor de dente não procura ajuda com um amigo e sim com um dentista. Não entendo porque há tanta resistência com a terapia. Exatamente por eu ter acompanhamento psicológico que vejo que passei a pandemia bem, o que me afeta é ver notícias, a questão da crise, a vacina que não sai, mas talvez se eu não tivesse o apoio profissional eu sentiria mais. A terapia me ensinou os meus limites e eu os respeito.

Meu recado é: procure ajude profissional, não desista do tratamento, continue, faça tudo o que precisa ser feito, pode ser demorado, mas vale a pena”.


Karina, 41 anos, moradora de Balneário Camboriú, atendida pelo programa Abraço à Vida

“Há um ano aproximadamente, a minha filha, que é adolescente, começou a apresentar sintomas de transtorno psiquiátrico, que levaram a duas tentativas de suicídio. Eu sou viúva há 10 anos. Eu tinha um comércio e por diversas razões, entre elas a pandemia, ele não teve condições de continuar e eu fechei as portas. Com uma filha doente, sem uma fonte de renda, eu me vi em uma situação muito precária. A minha vida virou um pesadelo. Eu precisei contar com a ajuda de parentes próximos e eu me sentia cada vez mais desamparada.

Foi uma longa caminhada de muita dor, sofrimento e desespero. Acima de tudo, eu me sentia muito sozinha, tendo que tomar decisões novas e muito difíceis. Depois de vários processos e internações, inclusive de passar por um constrangimento, um assédio moral por parte do Conselho Tutelar, que a princípio seria um órgão que nos daria suporte.

Eu me vi desesperada, desamparada, como se estivesse caindo de um precipício, e então nos ofereceram o serviço do Abraço. A maneira que nos ofereceram o serviço foi horrível, foi coercitiva, ofensiva, mas nós buscamos o serviço e fomos surpreendidas por um trabalho de excelência, humanizado, tecnicamente muito preparado. As psicólogas que nos ofereceram suporte no Abraço eram muito mais do que boas profissionais, elas foram bons seres humanos, pessoas que têm uma total adesão ao processo civilizatório, que entendem a importância de cada vida, que contribuem com o mundo, para que todos nós possamos estar em segurança. Nos sentimos amparadas. É uma rede.

O serviço que o Abraço oferece é de evitar males muito maiores, doenças físicas, incapacitações permanentes ou até morte. Cada vida tem valor. O Abraço foi o nosso amparo, nosso lugar de segurança, de reconstrução, reinvenção. Pelo caminho do repensar a própria vida, de encontrar em si mesmo as ferramentas para se reconstruir porque é isso que uma reflexão possibilita, de maneira técnica e bem orientada, e é isso que o Abraço oferece.

Ao Abraço, o meu muito obrigada, a minha eterna gratidão, e a promessa de que o investimento que vocês fizeram em nós vai se reverter em benefício para todo o social”.

Artigo

Sobrevivendo à quarentena

POR CÉRES FELSKI

“Fazem exatamente 10 meses que estou em isolamento domiciliar. Diabética e hipertensa, sou grupo de risco para a Covid 19.

Quem olha de fora, até parece bom: são dez meses em casa! Isso, naturalmente, pra quem não me conhece. Voluntária de carteirinha do corpo de bombeiros, trabalhei nas enchentes e em todos os momentos em que minha presença podia ajudar.

É a primeira vez que estou de fora, assistindo meus companheiros de profissão darem o sangue. Mentira. Darem a vida.

Já perdi as contas de quantos amigos se contaminaram e quantos perderam a batalha e partiram. Vivo num estado de terror: um luto permanente, porque as mortes não param.

Resultado disso? 

Meu diabetes descompensou e vivo agora sob rígido controle. Meu risco aumentou, e meu isolamento também. Praticamente só tenho contato com minha filha e meu genro, que fazem quase tudo por mim (mercado, etc). 

Como esta situação também me gerou stress, cheguei à conclusão que eu precisava fazer algo por mim, pela minha saúde mental (e, consequentemente, pela minha saúde geral). Foi quando começou a corrente de oração no Facebook. Era uma forma de ajudar, orar pelos doentes, orar pelas equipes de saúde, orar pelas famílias… e unimos gente do país inteiro nesta corrente, com os pedidos de oração vindo de vários lugares. Mais que isso, criou-se um espaço inclusive de informação sobre o estado de saúde dos enfermos, aliviando o stress de equipes e familiares. 

Se tem uma lição que aprendi nesta pandemia, foi que a gente sempre pode fazer algo. Mesmo de casa, isolado. E, em tempos atuais, a gente nunca está sozinho, tem sempre alguem na mesma situação só esperando um sinal pra entrar e fazer parte!

Céres Felski é médica nefrologista, escritora, apaixonada por assuntos de saúde e literatura.


Helena Beatriz Ribeiro Ferreira

professora, bancária, personal organizer, coaching e responsável pelo projeto Cuide-se

“Conheci a Miriam [coordenadora do Janeiro Branco] em função de estar como pedagoga na Escola Supera, onde a filha dela estudava. A vida foi nos aproximando, e ela me convidou para ser voluntária no Janeiro Branco. Eu já tinha a visão da importância do autocuidado e da necessidade de enxergarmos que há coisas invisíveis que norteiam a nossa vida e que precisamos conscientizar as pessoas quanto a isso, de que se não nos cuidarmos podemos machucar até o outro.

Venho de uma família simples e humilde, de pessoas que cuidavam e respeitavam, focando sempre na ajuda e no acolhimento. Há 40 anos eu me casei e 10 anos depois meu marido foi diagnosticado com Parkinson, e eu precisei aprender a lidar com isso. Na época não existia Google, o caminho era ir ao médico, na biblioteca. Foram 25 anos nesse caminho com as minhas duas filhas e aprendemos muito com essa vivência, sempre digo que “problema é aquilo que eu não sei ainda”, e eu ia atrás de aprender para deixar de ser um problema.

Em 2015 o meu marido faleceu. Tivemos uma jornada de aprendizado incrível. Eu queria compartilhar essa visão diferente que eu tenho, até que fui convidada para uma aula de um coaching, mas inicialmente era tudo muito formal, muito diferente da minha realidade. Eu gosto da leveza. Hoje atendo mulheres, famílias e empresas. O coaching é de hoje para frente, sempre indico terapia para quem precisa porque não sou profissional para atuar no segmento psicológico. Eu mesma faço terapia há 30 anos, desde que meu marido adoeceu.

Sou do Rio Grande do Sul, e quando fui transferida para Balneário assim que cheguei pedi indicação de psicólogo, e sempre digo que não é coisa de louco, como muitos infelizmente ainda falam. Na verdade, eu faço terapia para não ficar louca (risos). Penso que com a pandemia as pessoas começaram a ouvir falar mais sobre saúde mental, o que é positivo, pois assim fomos trazidos a questionar se estamos bem ou não.

Eu gostaria de deixar uma dica: comece por você mesmo, se abraçando todos os dias. Você é a sua ferramenta. Talvez você precise de uma ajuda profissional, e tudo bem! Você precisa se olhar. A mudança é espetacular. Tem gente que tem receio e medo, e realmente começar é difícil, mas comece. Protelar não é remédio”.


Vera Lucia Furlanetto Barichello

Voluntária do Janeiro Branco em Balneário, pós-graduada em Gestão Empresarial, formação em PNL, Neurociências, Consultoria Sistêmica, franqueada e educadora Supera

“Vejo como sendo prioritário para nossa vida, o Janeiro Branco. Estamos adoecendo e negligenciando a importância de cuidar do corpo. A metodologia que desenvolvemos no Supera é preventiva para as demências do cérebro, e potencializa o jovem em seu aprendizado, bem como o profissional em sua vida pessoal e profissional.

Não podemos esquecer que tudo o que fazemos no dia a dia é um cérebro saudável que comanda. Defendo a importância da terapia ou ginástica para o cérebro. Nós não temos todos os recursos para seguir evoluindo e tem profissionais que estudaram para nos dar a mão neste caminhar.

Janeiro Branco é uma campanha que merece todo nosso apoio para divulgar tamanha importância do cuidado cerebral.

A pandemia de forma alguma pode impedir que algo tão grandioso siga seu curso. Acredito que online ou não, todos temos a responsabilidade de divulgar e apoiar porque hoje está longe da minha casa e amanhã eu não sei, pode acontecer algo com quem amo”.

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