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Balneário Camboriú

Outubro Rosa em Balneário Camboriú

Depoimentos de mulheres que venceram ou enfrentam a doença

No ano passado mais de 2,3 milhões de mulheres no planeta foram diagnosticadas com câncer de mama. Ele representa quase 25% de todos os tipos de neoplasias detectadas no Brasil. 

Para chamar atenção da população, o Ministério da Saúde lança todos os anos a campanha Outubro Rosa que basicamente destaca dois pontos: a prevenção e o diagnóstico precoce.

Em 2019 mais de 18 mil brasileiras foram vencidas pela doença, mas a informação cada vez maior e o avanço da medicina e dos tratamentos, nas projeções do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam estabilidade das taxas de mortalidade entre 30 e 69 anos até 2030. 

A Organização das Nações Unidades (ONU) estabelece uma meta de redução de 30% desse tipo de câncer em todo mundo.

Outubro Rosa é um movimento internacional recente, começou na década de 90 nos EUA, mas só depois que a campanha foi aprovada pelo Congresso Americano que o mês de outubro foi reconhecido nacionalmente como o mês da prevenção contra o câncer de mama. 

No Brasil, o Outubro Rosa foi lembrado pela primeira vez em 2002, mas somente seis anos depois ganhou respaldo em várias cidades brasileiras.

O INCA participa do movimento desde 2010 e o Ministério da Saúde ‘popularizou’ a campanha que hoje é celebrada em todo o país.

Rede Feminina Balneário Camboriú: 20 anos de trabalho

A presidente Maristela Koche Rigueira e a enfermeira Darlene De Pieri Pereira na Câmara (credito – Márcio Gonçalves)

Em Balneário Camboriú a Rede Feminina de Combate ao Câncer tem duas décadas de história, um trabalho voluntário feito por mulheres abnegadas que dedicam seu tempo e conhecimento para ajudar e acolher mulheres fragilizadas pela doença. 

A história da Rede Feminina foi apresentada no início deste mês no Legislativo pela presidente Maristela Koche Rigueira e pela enfermeira da instituição, Darlene De Pieri Pereira. De todos os objetivos, como a importância da prevenção e detecção precoce, a Rede Feminina se especializou em acolher cada uma destas mulheres, do jeito que cada uma precisa ser acolhida, porque a doença é diferente para cada mulher, conforme detalhou a mastologista Talita Santos Pereira nesta reportagem.

Marisa é atualmente coordenadora de eventos (credito – Divulgação/RFCC)

Outra voluntária de longa data da Rede Feminina, Marisa Kuhne é atualmente coordenadora de eventos e responsável pela divulgação da programação do mês Outubro Rosa. Ela convida para a Caminhada Outubro Rosa neste domingo (24), com saída na Praça Tamandaré; o Pedágio no próximo dia 30 e a Missa de encerramento no último dia do mês.

Nesta reportagem mulheres que tiveram ou tem a doença falaram sobre o diagnóstico, o tratamento, o medo, a superação e a importância do acolhimento. Acompanhe:

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Lilian Gomes Ribeiro, 39 anos, professora, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em fevereiro deste ano de 2021.

(Arquivo Pessoal)

“Meu diagnóstico foi feito através da suspeita inicial de um nódulo palpável, sem outros sintomas. 

A constatação desse nódulo foi feita durante um exame de rotina o preventivo, a ginecologista muito atenciosa além da coleta do exame preventivo fez também a palpação das mamas, neste exame ela detectou a presença do nódulo, muito pequeno.

Após este período seguiram os exames para a confirmação do diagnóstico : mamografia, ultrassom e biopsia. 

Com o diagnóstico em mãos o próximo passo foram os exames de estadiamento da doença que, graças a Deus, confirmou que ela estava só na mama, sem metástase.

Iniciou então a grande jornada do tratamento. 

Quimioterapia, cirurgia, radioterapia, terapia alvo e bloqueio hormonal.

Hoje estou finalizando a radioterapia e darei prosseguimento ao tratamento com o bloqueio hormonal e a terapia alvo, ambos já de forma preventiva, pois a biópsia pós quimioterapia e cirurgia apresenta resposta completa ao tratamento, a tão esperada Cura.

Neste caminho a equipe médica foi importantíssima, minha ginecologista Francine Weinert, meu mastologista Cristiano Steil e meu oncologista Gustavo Gastal.

A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Balneário esteve presente dando suporte nessa caminhada com diversos atendimentos das voluntárias em áreas como psicologia e nutrição, por exemplo. Além dos encontros mensais com palestras e troca de experiências.

OUTUBRO ROSA

Câncer de mama tem cura”.


(Arquivo Pessoal)

Andréa Arruda, 51 anos, psicóloga, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em outubro de 2014. 

“O mundo virou de cabeça pra baixo e eu não via luz no fim do túnel! 

Passei por várias sessões de quimioterapia, mastectomia radical, muitas sessões de radioterapia, seguido de mais três cirurgias corretivas nas mamas. 

Perdi o chão, o cabelo, ganhei peso, e por um tempo perdi a alegria de viver. 

Eu e minha família passamos momentos muito difíceis, pois além da doença que afetou meu corpo, emocionalmente nós sofremos calados, mas nunca perdemos a esperança e a fé em Deus. 

Ressignifiquei minha vida voltando a estudar e fiz mais uma faculdade e uma pós graduação. 

Ainda em tratamento na época da faculdade, muitas vezes não tinha forças para subir as rampas da Univali. 

Mas o apoio da família e dos amigos foi fundamental para vencer. 

Nunca tive plano B, sempre acreditei na cura, no tratamento médico e na fisioterapia, tão importante para minha recuperação. 

Hoje atuo como psicóloga clínica, sigo em tratamento oncológico, aprendendo e ressignificando a cada dia”.


(Arquivo Pessoal)

Iriscelia Alves Bezerra, 58 anos, Gerente administrativa/Financeira, recebeu o diagnóstico em novembro de 2020

Apenas um ano e meio deixei de fazer a prevenção de mamografia e neste período descobri o carcinoma. Foi um baque, até a palavra já deixa a gente meio desnorteada… Mas foi por poucos dias. 

Logo em seguida botei na cabeça que tem que enfrentar, ter fé e comecei a fazer exames e em junho fiz a cirurgia. Infelizmente não cicatrizou e até hoje faço curativo especial no Centro de Referência Médica (CRM), no São Judas, em Itajaí. 

Quero aproveitar e parabenizar todos o pessoal da rede de saúde de Balneário e de Itajaí, começando pelas atendentes da 1500, as clínicas que fiz exames, a Unacon, a Casa de Acolhimento da Unacon e agora a Rede Feminina de Balneário Camboriú, onde encontrei apoio, terapias, amizade, carinho, oficina de artesanato, palestras e isso ajuda muito, muito mesmo.

Tenho passado por tudo isso com muita leveza, muita fé, porque a minha cicatriz abriu e ficou muito,muito feio. 

Eu gostaria de ressaltar o CRM, um lugar para curar feridas especiais. 

Operei dia 1 de junho e duas semanas depois abriu, a médica tentou outros recursos, foi necessário costurar novamente…e nem tudo isso me abateu. 

De dois em dois dias eu estava em Itajaí, no curativo, nas consultas oncológicas, de mastologia, na nutricionista e estou até agora lutando com essa ferida. 

Na Unacon todos me conhecem porque chego alegre, cumprimento todo mundo…me preparei para isso. 

Infelizmente é uma coisa que pega a gente de surpresa, mas é preciso ter fé e muita ajuda.

Quero deixar aqui um lembrete para todas as mulheres: não deixe de fazer o autoexame, não deixe de fazer a prevenção, porque isso é muito sério”.


(Arquivo Pessoal)

Fabiana Thives, 44 anos, Mentora Soft Skills Life, foi diagnosticada com neoplasia (carcinoma maligno) gestacional (hormonal) na mama grau 3 em 2018

“Desenvolvi meu câncer aos 41 anos na gestação da minha filha. Tive com 36 semanas de gestação uma eclâmpsia e a minha filha iluminada nasceu, perfeitinha apesar de ser prematura. E descobrimos a minha doença.

Iniciei o tratamento com um protocolo bem agressivo, de 23 sessões de quimioterapia, cirurgia, e radioterapia.

Graças a Deus hoje estou bem, minha filha com 3,5 anos super saudável, seguindo a vida com alegria e  muitos sonhos.

Sobretudo com gratidão por ter tido o privilégio de ter conseguido a tempo iniciar o tratamento e estar aqui e agora… A vida é um sopro, mas pode ser vivida com toda intensidade, entrega, amor, resiliência e superação.

Existe vida sim após após o câncer. 

A gente aprende a ressignificar muitas coisas. Sempre digo aonde tem dor tem amor e tem aprendizado”.


I.P., 59 anos, vendedora de loja, diagnosticada com câncer de mama em maio deste ano

“Logo procurei meu masto particular. Ele aconselhou o tratamento pelo SUS, porque não tenho plano de saúde. Ele mora em Balneário, mas atende em Brusque pelo SUS e disse que o SUS atende muito bem e no máximo em quatro meses iriam me chamar.

Então fui no Posto da 1500, fui encaminhada ao Unacon de Itajaí, e estou fazendo todos os exames solicitados, mas estou achando muito demorado. 

A gente sempre escuta os médicos falando que é para fazer todos os exames com rapidez para fazer logo a cirurgia quando necessário, mas isso não está acontecendo, não sei se tem a ver com a pandemia e se está acontecendo com outras também. 

Fiz a última consulta em agosto e me pediram para voltar no início de dezembro. 

Achei muito tempo e nesse período todo sem me dizerem mais nada…quase seis meses. 

Eu gostaria que fosse tudo mais rápido, não sei porque esta demora, mas eu gostaria que tudo se encaminhasse com mais agilidade. Não estou pedindo só pelo meu caso, mas por todos os casos.

Também fui buscar apoio e hoje sou paciente da Rede Feminina”.


(Arquivo Pessoal)

Eulina Ladewig Silveira, 91 anos, funcionária pública aposentada e cantora da Melhor Idade, foi diagnosticada com câncer de mama em 2011 

“Neste Outubro Rosa quero contar uma historinha para vocês. Fui acometida por esta doença porque passei cinco anos sem fazer o preventivo. De repente senti algo estranho na mama esquerda e o diagnóstico foi um câncer agressivo. 

Apesar de ter sido um choque, não perdi a esperança. 

Procurei recursos imediatamente, operei, foi tirado o nódulo, fiz seis quimioterapias naquela época foi esse tratamento e mais 30 radios.  

Não tive metástase, fiz todos os exames e estou curada. Pelo menos até esta data.

Nunca desanimei, sempre acreditando na cura e isso aconteceu. 

Nestas horas temos que pensar positivo e pensar em Deus, o que ajuda muito.

Agradeço de coração o médico que me operou e a minha querida médica oncologista que sempre me tratou com todo carinho  e continua fazendo meus exames todos os anos. 

Hoje estou bem de saúde, com 91 anos, faço toda atividade do lar e ainda estou cantando, que é o meu hobby (Eulina é seresteira, canta na Praça da Cultura aos sábados pela manhã). 

Agradeço a Deus por tudo e quero mandar mais um recadinho para todas as mulheres, novas, bonitas, feias, gordas, magras, todas…não esqueçam de fazer os exames preventivos de rotina. 

Desejo saúde e paz a todos, porque a coisa mais linda é a saúde, a paz, a família e mais um conselho: procurem ter um hobby, porque daí se distrai com esse prazer e esquece as tristezas da vida”.


A opinião de especialistas sobre a doença

A reportagem ouviu a opinião de profissionais em tratamento de câncer de mama, o oncologista Gabriel Ribeiro, a mastologista Talita Santos Pereira e a enfermeira Darlene De Pietri Pereira.

Eles abordam questões relevantes relacionadas ao tratamento, especialmente a importância do acolhimento, pelo profissional, por familiares, por instituições como a Rede Feminina, destacando todas como vencedoras desde o início do diagnóstico. 

Acompanhe:

“Exame de rastreamento se faz em mulheres que não tem sintoma nenhum”

(Arquivo Pessoal)

O médico oncologista Gabriel Moura Quintela Ribeiro, da Unimed Litoral, disse que tem aproveitado todos os espaços neste Outubro Rosa, não só para falar da importância do exame de detecção precoce, mas para comentar sobre novos tratamentos, até porque as mulheres com câncer de mama tem cada vez maior chance de cura e cada vez mais informações sobre a doença.

Além disso, destacou o tema que escolheu para ocupar esses espaços neste Outubro Rosa: a relação médico e paciente, que ele considera fundamental para um tratamento com melhores resultados, porque esta relação tem por base, a confiança, essencial no combate à fragilidade e à desesperança que a paciente enfrenta.

Exame de rastreamento

“Com relação aos exames de rastreamento é lembrar sempre que toda mulher, a partir dos 40 anos, deve fazer mamografia e às vezes complementação com ultrassom, dependendo da densidade da mama. Isso quem define é o médico e isso se faz pelo menos uma vez por ano”.

Não precisa ter histórico 

“Exame de rastreamento se faz em mulheres que não tem nenhum sintoma. É  importante lembrar isso. Ou seja, ela não precisa ficar apalpando ou esperando aparecer alguma coisa para então ir fazer o exame”.

Antigamente se falava muito da importância do toque, da apalpação, do auto exame das mamas e hoje se fala pouco,  porque a gente não quer detectar câncer de mama no toque. 

A gente quer detectar em exame de imagem, quando ainda é impalpável, que não se vê, não se apalpa nada. 

Reforçando então que exame se faz mesmo não sentindo nada, não tendo nenhuma história na familia”.

Alguns sintomas específicos

“Mas existem sim alguns sintomas específicos que a gente pode e deve lembrar de câncer de mama, como por exemplo, apalpação de nódulo, não só na mama, como na axila, alteração da pele da mama, do volume, saída de secreção pelo mamilo não só secreção clara, às vezes até de sangue”. 

Próteses e exames

“Mulheres que tem prótese devem fazer regularmente exames. Existe uma técnica específica para mamografia em mulheres que tem próotese, ou seja, prótese de mama não contraindica mamografia, nem tem a necessidade fazer só ultrassonografia”.

Evolução dos tratamentos

“É a doença mais estudada e com mais tratamento específico na parte da oncologia. Hoje temos aumentado bastante a chance de cura, não só por detectar precocemente, mas pela evolução dos tratamentos. Então falamos de quimioterapia,  hormonioterapia, imunoterapia”.

Cirurgia menor possível

“Uma coisa legal de comentar é a evolução cirúrgica, ao contrário, tem sido no sentido de ter uma redução no tamanho da cirurgia. 

Antigamente a cirurgia comum era fazer mastectomia e hoje em dia a indicação é a cirurgia menor possível, acompanhada de um tratamento chamado radioterapia, ou seja, não existe mais o conceito de quanto maior a cirurgia, maior a proteção…

É importante deixar isso bem claro, porque muitas vezes as mulheres comentam, mas eu quero tirar a mama, quero tirar as duas…isso se não tiver um fator genético que justifique. Ou seja: se não tiver uma mutação do seu gen que aumente a chance de ter um segundo ou na outra mama…a cirurgia maior não vai deixar essa mulher mais protegida”. 

Relação médico/paciente

(Arquivo Pessoal)

“É um tema que escolhi esse ano, para falar além da doença, que é a importância da relação médico-paciente. 

É uma doença que tem bastante informação. 

Então as mulheres já chegam com muita informação e normalmente a maior quantidade de informação significa estar mais assustada, porque o Google, a internet acaba não filtrando e às vezes o paciente não entende tudo aquilo e fica ainda mais assustada. 

É um tipo de tratamento onde a consulta não acaba dentro do consultório.

É importante ter confiança e liberdade com seu médico assistente para poder comentar alguma coisa fora…essa liberdade significa facilitar não só a conversa com paciente, mas com toda a rede de apoio, com familiares.

Gosto de deixar isso muito claro, da importância de deixar todos familiares tranquilos, conversar com eles também, estimular eles a participar da consulta, do tratamento.

É importante você estar acessível a qualquer momento, evitar que um sintoma pequeno possa se tornar algo muito maior, então acho que ajuda muito na adesão do tratamento, tornando ele um pouco mais leve e acaba de uma forma implícita aumentando a chance de cura já que o paciente adere mais ao tratamento. 

Procuro ter uma ótima relação com minhas pacientes, acho importante esse retorno, esse contato, esse carinho que elas me passam.

Até vou mandar uma foto de uma paciente que já tratou há bastante tempo…peguei a peruca dela para tirarmos uma foto descontraída, ficou muito legal, é disso que o tema está falando”.

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“Cada câncer é único assim como cada mulher, cada corpo, cada história”

(Arquivo Pessoal)

A mastologista Talita Santos Pereira trabalhou voluntariamente na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Balneário Camboriú desde meados de 2018 até fevereiro deste ano. 

Hoje a médica atende no Núcleo de Atenção à Mulher (NAM) de Balneário Camboriú, faz alguns procedimentos no Hospital Ruth Cardoso e no CRESCEM de Itajaí, mas continua presente na Rede Feminina sempre que possível, através de palestras e participação em eventos, como vai acontecer na Caminhada Outubro Rosa deste domingo (24). Talita estará na Praça Tamandaré para orientações e informações sobre a doença.

Nesta reportagem, Talita fala sobre sua experiência neste trabalho voluntário e sua opinião sobre o tratamento desta doença. Acompanhe:

“O tratamento do câncer de mama é meio que vendido como uma forma de um jogo, como se as mulheres fossem passar por várias fases até chegar em uma fase final, onde vai ganhar o grande prêmio da cura, se ela conseguir passar por todas as fases. 

Ou então uma luta de boxe, onde elas vão passar por vários rounds e no final, se passarem por todos, vai ser a grande vencedora e estará curada. 

E se ela não receber esse diagnóstico de cura na grande consulta final? 

Ou se durante alguma dessas fases ela receber a notícia de que a sua doença avançou e não estabilizou ou regrediu? 

Ela vai ser considerada então uma perdedora? 

Será que pelo fato dela chegar no final de todo tratamento e descobrir uma metástase, apesar de ter feito todo tratamento correto e ter seguido todas as orientações, ela não vai poder ser considerada uma vencedora? 

Será que só aquelas mulheres que recebem o diagnóstico de cura é que podem se dizer vencedoras e sair por aí contando a sua história de luta e superação? Claro que não!”

“Não é um jogo, é a vida”

“Todas as mulheres são vencedoras e não no final do jogo como eles querem vender…mas sim desde o início.

São vencedoras pela coragem, pela força de se levantar todos os dias, ir enfrentar um tratamento.

Claro que existem dias difíceis, há reações a medicamentos e muitas pensam até em desistir,  porque não é um caminho fácil, não é um jogo, é a vida…e se sem doença não é fácil imagina com uma doença que a gente chama de ameaçadora de vida! Porque é uma doença que a qualquer momento pode mudar, aparecer algo novo”. 

“Sem rótulos”

“Por isso é preciso parar de rotular o tratamento para o câncer de mama e principalmente as pacientes. 

Todas as mulheres que passam por este tratamento independente de qual for, merecem nosso respeito, admiração, são mulheres, seres humanos que vão responder de maneira diferente, tanto psicologicamente, fisicamente principalmente fisiologicamente. 

Porque apesar de ter o mesmo nome – câncer de mama- quanto mais a gente estuda mais a gente descobre o quanto os cânceres de mama são diferentes um do outro e como se comportam de maneira diferente no organismo de cada mulher. Assim cada câncer é unico, bem como cada mulher, cada corpo, cada história…

Não importa que a história de uma não é igual a da outra. eu digo para as pacientes não importa que a sua doença não é igual a da sua vizinha,  não importa que a sua doença evoluiu de forma diferente, no final o que importa é como você encarou cada etapa, como você viveu cada um dos seus dias, porque com doença ou sem doença, o tempo está aí, passando e só você pode escolher a forma como vai vivê-lo”.

Acolhimento na Rede Feminina

“Tudo o que expus aqui se relaciona com a Rede Feminina pela maneira como elas trabalham. 

A forma como cuidam das mulheres ao mesmo tempo com equidade, porque entendem que umas apresentam mais necessidades do que outras, mas sabendo que todas são mulheres e são vencedoras e merecem todo o respeito e carinho independente da sua evolução. 

E por isso as pacientes ali se sentem acolhidas”.


A Rede Feminina é
um ambiente de acolhimento

A enfermeira Darlene De Pietri Pereira, que trabalha há muitos anos na rede pública de Balneário Camboriú com a saúde da mulher, sempre focada na prevenção, está atendendo voluntariamente na Rede Feminina de Combate ao Câncer há 3 anos. 

Com longa experiência neste assunto, Darlene conta que apesar de toda a informação disponível atualmente, ainda  percebe que existe bastante desconhecimento e que o acolhimento é de fato preponderante para as mulheres que enfrentam esta doença.

“Trabalho na Rede há 3 anos, atendo na parte da manhã. A enfermeira Ana Maria Mafra trabalha há 12 anos, é uma pessoa especial, acolhedora, muito querida por todas as pacientes.

Percebemos que muitas chegam mulheres com pouco conhecimento. Elas precisam saber as probabilidades do câncer, saber os fatores de risco, a importância de se autoconhecer, tanto da mama quanto da parte ginecológica e sobretudo, saber que a prevenção é fundamental.

A Rede Feminina é um ambiente de acolhimento. São mais de 60 mulheres da comunidade que se propõe a contribuir com um dia de trabalho voluntariamente.

Algumas já tiveram câncer, já passaram pela situação, mas a maioria não teve, elas têm só vontade de contribuir mesmo no trabalho da Rede.

Estas voluntárias acolhem as pacientes que vem para coleta do preventivo. Existem as que trabalham no ambulatório, são as que recebem as pacientes, fazem o cadastro, orientam, depois encaminham para coleta do preventivo. 

Eu tenho contato com elas, são muito receptivas, acolhedoras e as pacientes se sentem muito bem.

Outras voluntárias trabalham na parte de artesanato, outras com a parte profissional, são fisioterapeutas, reikianas, ioga, advogada, são pessoas que oferecem um dia do trabalho delas  para atuar na Rede Feminina e as pacientes gostam muito.

Na enfermagem procuro atender da melhor forma, acolhendo, orientando, escutando, muitas vem com angústia, a gente desmistifica na nossa conversa, porque existem muitos tabus, aparecem muitas situações de coisas nada a ver, mas que deixam a paciente preocupada. 

Procuro sempre me colocar no lugar do outro, por isso elas se sentem acolhidas.

Quando a gente se coloca no lugar do outro, é possível fazer um atendimento humanizado. É isso que tento fazer todos os dias”.


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