Programa de prevenção e combate à Aids de Balneário Camboriú completa 30 anos 

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O Programa Municipal IST/ HIV/ AIDS e HV de Balneário Camboriú, criado em 1993 para prevenir, tratar e acolher pessoas diagnosticadas com HIV, completou 30 anos nesta quarta-feira (31). A data foi lembrada no Centro Comunitário da Vila Real, na Rua Dom Daniel, mas as comemorações já começaram em dezembro, no Dia Mundial de Luta contra Aids (1). 

Divulgação/PMBC

Naquela ocasião, a primeira coordenadora do CISS, Rosemarie de Almeida foi homenageada junto com outros ex-coordenadores do programa.

Em dezembro de 2022, a secretária da Saúde, Leila Crócomo homenageou a primeira coordenadora do Programa, Rose de Almeida (Divulgação/PMBC)

Atualmente, o programa engloba o Centro Integrado de Solidariedade e Saúde (CISS) e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).

O CISS é uma unidade de saúde especializada no atendimento de HIV/AIDS e coinfecções, como tuberculose, hepatites e IST’s. No ano passado, o CISS fez 14.868 atendimentos, incluindo atendimentos dos Programas de Tuberculose e de Hepatites Virais. Neste ano já foram mais de 5.400 atendimentos.

O CTA atua na prevenção das IST’s e disponibiliza aconselhamento e testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C. As testagens são totalmente gratuitas. O CTA prestou 5.278 atendimentos desde 2022, divididos entre testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C. Em 2023, o CTA fez mais de 2.300 atendimentos.

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Os dois Centros estão localizados na Rua 2.350, nº 560. 

O atendimento ao público é de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

A equipe comemorou a data no Centro Comunitário da Vila Real (Divulgação)

Há três anos na coordenação do Programa Municipal, Kaiane Lima, falou ao Página 3, sobre as três décadas e o cenário atual, que chama atenção, porque o perfil das pessoas diagnosticadas com HIV, é de adolescentes e adultos jovens, uma população conectada e com acesso à tanta informação, mas que parece não tomar os cuidados necessários.

A coordenadora Kaiane Lima (Divulgação)

JP3 – Qual a avaliação destas três décadas?

KL – Nestes 30 anos de trabalho o programa passou por vários momentos.  O primeiro momento foi o de criação em 1993 foi o tempo de estruturar, formar e informar a existência do programa na comunidade. O segundo momento parte do princípio da criação de projetos para atender as populações chaves (profissionais do sexo, usuários de drogas, população trans e travestis da cidade). Foi o momento de buscar parcerias com outras secretarias para que se pudesse orientar e divulgar os métodos de prevenção. O terceiro surge para a manutenção dos projetos a continuação do diagnóstico de forma mais rápida com a implantação dos testes rápidos para HIV, Sífilis, Hepatites virais B e C e sua descentralização para as UBS e no acompanhamento das gestantes pelo programa “Rede cegonha”. No momento temos a implantação da “Prevenção Combinada” que seria a junção das medicações para a profilaxia pré-exposição (PrEP) e profilaxia pós-exposição (PEP), com o uso do preservativo masculino ou feminino entre outros cuidados. Podemos dizer que neste tempo o Programa Municipal IST/HIV/AIDS/HV só cresceu, marcando seu espaço nos cenários nacional e estadual.

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JP3 – Qual a situação atual da Aids em BC (números de pessoas em tratamento, números de positivos HIV): 

KL – Hoje temos em torno de 6 mil prontuários na unidade entre pacientes com HIV, Hepatites e Tuberculose. Nem todos pacientes são de Balneário Camboriú, pois o CISS atende pacientes de outros municípios que não tem o Programa instituído e pacientes que optam por fazer o tratamento em outro município.

JP3 –  Qual o perfil atual destas pessoas, que também mudou muito em 30 anos?

KL – O Programa acompanha o perfil nacional, com base no boletim epidemiológico de 2022, podemos dizer que temos uma população masculina e feminina com idade entre 15 e 39 anos. Grande parte de orientação homoafetivas e heteroafetivas entre os homens, já as mulheres com orientação heteroafetivas completam o perfil dos usuários. O que chama atenção que esta faixa etária pertence a uma geração conectada e com a informação na palma de suas mãos, porém não utilizam da melhor forma possível.

JP3 – O tratamento também mudou muito em três décadas. Como é o tratamento hoje?

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KL – O tratamento nestes 30 anos continua sendo através de medicamentos, porém foi o que mais evoluiu, no início eram vários comprimidos, hoje este número diminuiu significativamente. O que diminuiu também foram os efeitos colaterais, que atrapalhavam na adesão ao tratamento.

JP3 –  A informação sobre a doença massificou e mesmo assim as pessoas continuam se contaminando. Será porque o tratamento é mais eficaz?

KL – Caso a informação tivesse se massificado não teríamos mais casos de HIV/AIDS, concorda? Temos que entender que a forma como é transmitida a doença (relação sexual) prejudica uma ação mais pontual de prevenção. Quando pensamos em prevenção estamos falando em educação, comportamento e atitudes perante a epidemia. Sobre este tema muitos tabus foram criados, prejudicando as ações preventivas para determinadas faixas etárias. A informação é uma das grandes maneiras de combater e controlar os casos de HIV/AIDS, mas ela não está chegando onde devia, pois ainda temos muita desinformação sobre como pega e como não pega o HIV/AIDS. Sim, o tratamento está mais eficaz. No Brasil é considerado como uma doença crônica igual a hipertensão ou diabetes, porém é uma doença evitável quando se sabe usar as informações.

JP3 –  É comum a pessoa interromper/abandonar o tratamento?

KL – Sim é comum abandonar o tratamento e pode ser por vários motivos: da negação do diagnóstico, do tratamento em si, questões psicológicas entre outros motivos.

JP3 –  Como é a hoje a procura por testes rápidos? 

KL – A procura pela testagem aumentou muito, e isso é muito importante no que diz respeito à prevenção. É uma procura diária, pode ser por curiosidade, encaminhamento médico, acidente de trabalho, violência sexual, relação sexual desprotegida, início ou termino de relacionamento, nupcial entre outros.

JP3 –  Quantos são aplicados por mês?

KL – No ano todo de 2022 por exemplo, o CTA (centro de testagem e aconselhamento), testou 5228 e as 17 unidades de saúde testaram 10.562.

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