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Santa Catarina mantém liderança nacional na doação de órgãos há 18 anos

“É um modelo de gestão adaptado da Espanha e aqui tornou-se uma política de Estado e não de governo”, disse o coordenador da SC Transplantes, Joel Andrade

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Santa Catarina possui uma das maiores taxas de doação do país, superior a 40 por milhão de população (pmp) – no primeiro semestre de 2023, contrastando com a taxa nacional em 19 pmp. A não autorização das famílias no Estado é de 31%, enquanto que a média nacional está em 49%.

“Santa Catarina fez mais do que o dobro da média nacional”, disse o coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade, enfatizando os excelentes índices alcançados no Estado e que vêm se mantendo ao longo dos anos. 

“Uma grande conquista do Sistema Estadual de Transplantes de Santa Catarina é sua taxa de doação de órgãos. Desde 2017, temos mais do que 40 doadores por milhão de população. É uma cifra que equivale a mais do que o dobro da média nacional nesse mesmo período. E se nós analisarmos os últimos 18 anos durante 14, fomos líderes isolados em doação efetiva de órgãos para transplante e nos outros quatro anos fomos o segundo melhor estado do Brasil, ou seja, uma liderança incontestável”, acrescentou Andrade.

O coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade (Foto Arquivo Pessoal)

Há 18 anos no comando da SC Transplantes, Andrade vem colhendo os frutos de um modelo que veio da Espanha há 16 anos e foi adaptado com sucesso em Santa Catarina. 

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“Tanto que em 2021 tivemos mais doadores que a Espanha, proporcionalmente”, disse.

Para ele, o cenário positivo no Estado tem uma receita: modelo de gestão que ele transformou em uma política de Estado e não de governo.

Data serve para lembrar o ato de doar

Apesar da importância da doação estar presente em todas as campanhas, o reforço deste ato é lembrado todos os anos no Dia Nacional da Doação de Órgãos, 27 de setembro.

 A data, instituída pela Lei nº 11.584/2.007, visa conscientizar a sociedade sobre a importância da doação e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas conversem com seus familiares e amigos sobre o assunto. 

As doações cresceram, o cenário é positivo, em Santa Catarina é 20% melhor que no restante do país, mas precisa melhorar.

“Nossa maior dificuldade ainda é que poucas pessoas declaram sua condição para a família. Não expressam seu desejo de serem doadores”, ressaltou Andrade.

Doadores & Hospitais

De janeiro a agosto de 2023, a SC Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), registrou 469 notificações de potenciais doadores. 

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Desses, 208 foram doadores efetivos, equivalente ao índice de 41 por milhão de população (pmp) no território catarinense, nos casos de morte encefálica. 

No mesmo período foram realizados 1.137 transplantes.

Entre os hospitais que mais doaram órgãos, nesse período, em primeiro lugar está o Hospital Governador Celso Ramos (Florianópolis), unidade própria da SES, com 24 doações; seguido do Hospital Santa Isabel (Blumenau) com 20 doações; e Hospital Nossa Senhora da Conceição (Tubarão) com 19 doações.

Ruth Cardoso também é referência em doação

O coordenador da SC Transplantes disse que os hospitais Ruth Cardoso, de Balneário Camboriú e Marieta, de Itajaí, estão entre os 15 melhores do Estado no assunto doação.

O Hospital Municipal Ruth Cardoso fez somente neste ano, 11 captações de órgãos e tecidos, sendo o quinto hospital de Santa Catarina e o primeiro da Região da Foz do Rio Itajaí em número de captações de acordo com a SC Transplantes.

Uma das captações registradas foi a do menino J. P. L, de 11 anos, morador de Camboriú. Após um AVC, o menino foi levado ao hospital, que declarou morte cranioencefálica após alguns dias. A família, então, optou pelo ato de generosidade ao assinar os documentos necessários para que quatro órgãos da criança (dois rins, coração e fígado) fossem doados.

“É uma decisão bem difícil, é um momento de dor. Mas tive um pensamento de que, se tivéssemos a oportunidade de receber uma doação para salvar a vida dele, eu aceitaria. Então foi gratificante saber que pudemos abençoar a vida de quatro pessoas com essa decisão. Desde o momento que a gente chegou a equipe do hospital se colocou à disposição para o que estivesse ao alcance. Gostaria de agradecer as pessoas que nos ajudaram nesse processo”, relata o pai do garoto, Samuel Lamim.

Educação & Treinamento & Amor

Referência em taxas de doação de órgãos no Brasil e na América Latina, Santa Catarina chegou a este patamar por meio de capacitações constantes e desempenho excepcional das equipes das Comissões de Transplantes que precisar. 

“O acolhimento das famílias dos doadores é, sem dúvida, o momento mais delicado de todo o processo. A entrevista familiar é o maior desafio, porque famílias tratadas com empatia, com humanidade, com carinho, amor, com cuidado, tendem a doar os órgãos. Quando o tratamento é frio e comercial, as famílias rejeitam a possibilidade de doação. Portanto, treinar os profissionais para que executem de modo adequado, humano, empático e acolhedor, todo o seu contato com as famílias, é fundamental para que o sistema de doação tenha bons resultados. E é isso que nós conseguimos fazer em Santa Catarina nos últimos anos, revertendo uma não autorização familiar, que já foi de 70% para menos de 30%”, explica Joel de Andrade.

Há 65 instituições hospitalares de Santa Catarina que integram o Sistema Estadual de Doação. Os serviços de transplantes estão distribuídos em 28 estabelecimentos de saúde, sendo que parte deles realiza o transplante de mais de um órgão.

Quem pode doar

Todas as pessoas podem doar órgãos e tecidos. Não é necessário deixar nada por escrito, basta comunicar sua família sobre o desejo da doação, pois ela só acontece após autorização familiar.

Como é o processo de doação de órgãos

  1. Detecção do potencial doador consistente com morte encefálica ou cardíaca;
  2. Manutenção clínica do potencial doador (é administrado soro e remédios para os órgãos continuarem funcionando e terem condições de serem transplantados);
  3. É feita a comunicação de morte aos familiares;
  4. Após, é realizada a entrevista com as famílias do paciente que não tem contraindicação;
  5. Com o consentimento da família, são iniciados o planejamento da logística e os procedimentos para remoção dos órgãos;
  6. Após a efetivação da doação, a Central de Transplantes do Estado é comunicada e através do seu registro de lista de espera seleciona os receptores mais compatíveis;
  7. Após a retirada dos órgãos, inicia-se o processo de distribuição dos mesmos para serem transplantados.

Do doador para o receptor

A logística de transporte após a retirada dos órgãos é uma das etapas mais importantes, pois quanto mais jovens os doadores, mais complexa é a estrutura devido ao potencial de utilização dos órgãos. 

O Governo do Estado tem à disposição aeronaves da Polícia Militar e Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), táxi aéreo e voos comerciais, de acordo com a disponibilidade no momento. 

Todo o processo movimenta dezenas de pessoas e dura, em média, entre oito e 12 horas, com exceção de órgãos como o coração e o pulmão, que precisam ser transplantados rapidamente, não podendo ultrapassar o tempo de quatro horas.

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