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Balneário Camboriú
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Em janeiro, DPCAMI instaurou 100 inquéritos em Balneário Camboriú – em 2023 foram 810

Os casos de violência doméstica e feminicídio em Balneário Camboriú continuam chamando a atenção. No mesmo final de semana, uma mulher foi morta pelo companheiro em Balneário Camboriú e outra foi gravemente ferida em Camboriú,  ambas por ciúme/suspeita de que as vítimas estivessem traindo os agressores. 

Somente em janeiro/2024, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Balneário Camboriú instaurou mais de 100 inquéritos policiais. 

Muitas vítimas voltam para seus agressores

A delegada Ruth Henn (Foto Ciça Muller)

Segundo a delegada Ruth Henn, que atua na DPCAMI de Balneário Camboriú, cerca de 90% dos 100 inquéritos instaurados (com procedimento solicitando medida protetiva) são de crimes cometidos contra as mulheres. Em 2023 foram instaurados, ao total, 810 inquéritos. 

“Tem algumas coisas que não conseguimos evitar 100%. A mulher que foi morta em Balneário Camboriú, no Bairro da Barra, no último dia 20/01, já tinha medida protetiva, mas estava se relacionando novamente com o agressor. Dentro do que a gente passa na delegacia, a gente toma todas as providências possíveis para garantir a segurança, mas não sabemos do dia a dia, o que acontece quando a vítima sai da delegacia. É muito comum voltar para o agressor, mesmo com medida protetiva vigente – e isso não poderia acontecer porque é medida judicial, e só o juiz poderia revogar”, explica.

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Casos não começam com agressão física

Ruth apronta que orientam que as vítimas se mantenham firmes no propósito, que procurem rede de apoio para a parte psicológica – e que Balneário Camboriú conta com programas gratuitos nesse sentido, como o Abraço à Mulher.

Abraço à Mulher faz parte da rede de apoio psicológico (Divulgação/PMBC)

“É o fortalecimento psicológico que vai tirar ela do ciclo de violência, porque senão acaba voltando. É matéria de estudo – começa com xingão, depois vai para o tapa, querendo denegrir a imagem dela… a mulher vai se sentindo cada vez mais para baixo e pode acabar em feminicídio. Tem crimes que a Polícia Civil só pode tomar providência a partir da manifestação de vontade da vítima – crimes de difamação, injúria, ameaça, depende de representação criminal e vontade da vítima, até para solicitação de medida protetiva”, salienta.

Se houver flagrante, homem é preso na hora

Familiares ou amigos próximos podem tentar mostrar aos poucos para a mulher que o companheiro dela tem se mostrado uma pessoa agressiva no tratamento, e em último caso, pode ser feita denúncia no disque 180 de forma anônima. 

“Porém, se você escutar barulho, xingamento, e chamar a polícia e houver flagrante, aí o agressor já é conduzido para a delegacia, em caso de violência doméstica, e se tem lesão corporal não importa se a vítima disser que não quer, será preso em flagrante e pode ou não arbitrar fiança, se for muito grave nem tem fiança e irá direto para prisão preventiva”, acrescenta a delegada.

Prevenção nas escolas

Ruth lembra ainda que todos os anos trabalham com prevenção, através de, por exemplo, palestras nas escolas, porque o objetivo é justamente mudar a cultura com as próximas gerações. 

“Temos que semear coisas novas na cabeça dos adolescentes para que mudem a prática da violência, para quando verem atitude violenta por parte do pai ou da mãe – porque há mulheres com comportamento violento, a gente tem que semear para que sejam multiplicadores de boas novas dentro de casa. Assim como foi com cinto de segurança, que ninguém queria usar, foi focado em difundir nas escolas e hoje é impossível entrar em carro e não colocar o cinto. Família violenta, onde o filho vê discussão, o pai bater na mãe, vai ser uma pessoa violenta no futuro”, completa.

Denúncia é o melhor caminho

A denúncia é o melhor caminho para que a mulher saia do ciclo de violência. Casos podem ser denunciados para a Polícia Militar via 190 ou Polícia Civil via 180. A DPCAMI conta com psicólogos diariamente para atender vítimas e na Central de Plantão Policial (localizada na Rua Inglaterra, no Bairro das Nações) há a Sala Lilás, especialmente para atender vítimas de violência. 

“Não espere algo ruim ou fatal acontecer. Nós também falamos com os agressores, em 2023 fizemos seis meses de encontros com os homens, e neste ano de 2024 teremos novos grupos, para que eles vejam que a Polícia Civil quer fazer deles pessoas melhores para seus próximos relacionamentos”, finaliza.

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