Uma sequência de furtos em uma clínica de fisioterapia em processo de mudança de endereço, na Rua 2850, no Centro de Balneário Camboriú, terminou com a prisão em flagrante de um homem na noite de quarta-feira (10). O caso reacendeu o debate sobre a reincidência de furtos na cidade e a sensação de insegurança enfrentada.
Segundo o relato do empresário, o primeiro crime ocorreu na noite de domingo. Por volta das 23h30, um homem invadiu a clínica dele e furtou cerca de 24 metros de tubulação de cobre utilizada no sistema de ar-condicionado. O prejuízo foi estimado em aproximadamente R$ 8 mil, considerando a reposição dos materiais e os reparos necessários para que a obra pudesse continuar.
“Passamos mais de uma semana adaptando a sala para a mudança. Quando aconteceu o furto, tivemos que refazer tudo novamente”, relatou o empresário, que preferiu não ter a identidade divulgada.
Após o registro do boletim de ocorrência e a realização dos reparos, o proprietário acreditava que o autor poderia retornar ao local, já que havia outros equipamentos e materiais instalados no prédio.
A suspeita se confirmou poucos dias depois.
Suspeito foi flagrado ao voltar ao prédio
Na noite de quarta-feira, o empreiteiro responsável pelas obras permaneceu no local trabalhando e monitorando as câmeras de segurança. Durante a vigilância, percebeu um homem circulando em frente à clínica e, pouco depois, subindo em direção à parte superior do imóvel.
A Guarda Municipal foi acionada e chegou ao endereço em poucos minutos. De acordo com o empresário, os guardas conseguiram surpreender o suspeito ainda no local.
“Eles chegaram antes mesmo de eu conseguir chegar. Vieram três viaturas e pegaram o homem em flagrante”, contou.
O suspeito foi encaminhado para a delegacia, onde o caso passou a ser atendido pela Polícia Civil.
Apesar do desfecho positivo da ocorrência, o empresário afirma que a principal preocupação continua sendo a possibilidade de reincidência.
“Infelizmente existe essa sensação de ‘prende e solta’. A Guarda fez o papel dela e agiu muito rápido, mas a preocupação de quem investe e trabalha continua sendo a repetição desses crimes. Tivemos a notícia inclusive de que o homem foi solto nesta quinta-feira (11)”, disse.
Furtos são prioridade para a Secretaria de Segurança
Procurado pela reportagem do Página 3, o secretário de Segurança de Balneário Camboriú, Carlos Alberto de Araújo Gomes, afirmou que o combate aos furtos tem sido tratado como prioridade pela administração municipal. Segundo ele, embora a legislação enquadre o furto como um crime de menor gravidade, os impactos para a população vão muito além do prejuízo material.
“Embora a legislação trate como um crime menos grave, nós acreditamos que esse tipo de ocorrência causa na sociedade uma sensação de impotência, vulnerabilidade e, consequentemente, de insegurança”, afirmou.
Para enfrentar o problema, o secretário explica que a pasta vem adotando uma série de estratégias. A primeira delas foi a criação de um sistema de monitoramento e acompanhamento das ocorrências, utilizando estatísticas, análise de dados e apoio de inteligência artificial.
Outra medida é o direcionamento das ações de policiamento e das operações com base em informações produzidas pelos setores de inteligência, aumentando a eficiência das equipes em campo.
Além disso, a Secretaria determinou prioridade máxima para ocorrências de furto, tanto nos atendimentos realizados pela Central 153 quanto pelas guarnições que atuam nas ruas.
“Furto recebe prioridade absoluta de atendimento, perdendo apenas para ocorrências que envolvam arma de fogo ou ameaça à vida”, disse.
O secretário exemplifica que a orientação vale inclusive em situações do cotidiano.
“Se houver um carro estacionado na frente de uma garagem e, ao mesmo tempo, um furto em andamento, o furto tem prioridade. Se tiver uma briga em um bar e um furto acontecendo, o furto recebe prioridade”, destacou.
Segundo ele, a receptação também passou a ser um dos focos da Secretaria.
“A receptação é parte fundamental desse problema. Precisamos quebrar o ciclo econômico do crime. Enquanto houver quem compre produtos furtados, haverá quem furte”, afirmou.
Quando a prisão em flagrante não é possível, o trabalho continua por meio da inteligência.
“Nos casos em que não conseguimos fazer a prisão em flagrante, trabalhamos para identificar quem foi o autor e onde essa pessoa está. Essas informações são compartilhadas com as demais forças de segurança”, explicou.
Reincidência é um dos maiores desafios
Araújo Gomes também apontou dois fatores que dificultam o combate aos furtos. O primeiro, segundo ele, são hábitos que acabam facilitando a ação dos criminosos.
“Muitas pessoas ainda deixam bicicletas sem cadeado, objetos de valor no banco do carro, janelas abertas em casas. São situações que acabam atraindo a ação criminosa”, observou.
O segundo desafio está relacionado ao tratamento dado ao crime pela legislação e pelo sistema judiciário.
“A realidade é que, na maioria dos casos, o desdobramento das prisões é a liberação do autor em menos de 24 horas após a audiência de custódia”, afirmou.
Para o secretário, isso gera um ciclo de reincidência que impacta diretamente o trabalho policial e a sensação de segurança da população.
“Temos as mesmas pessoas furtando nos mesmos locais e, muitas vezes, as mesmas vítimas. O custo financeiro e operacional disso é altíssimo, porque somos uma das polícias que mais consome esforços com retrabalho, prendendo sucessivas vezes as mesmas pessoas que já haviam sido presas”, concluiu.
