Há apenas algumas décadas, melhorar imagem era uma tarefa complexa, feita apenas por profissionais com domínio técnico e acesso a softwares caros de edição.
Hoje, o cenário é completamente diferente: com apenas alguns toques na tela do celular, qualquer pessoa pode alterar e aprimorar fotos de maneira surpreendentemente eficaz.
E, melhor ainda, sem gastar dinheiro.
A popularização de ferramentas que usam inteligência artificial está democratizando o acesso à edição de imagens. Vários apps gratuitos já oferecem recursos que antes exigiam conhecimento técnico avançado ou programas pesados.
E o melhor de tudo é que nem é preciso investir em um smartphone de última geração para tirar fotos de qualidade elevada.
Se uma foto não ficar boa, ela não precisa ser deletada, pois poderá ser otimizada mais tarde, uma vez que esses aplicativos estão se tornando cada vez mais acessíveis.
Esse avanço é fruto direto do desenvolvimento de algoritmos de deep learning e aprendizado de máquina, capazes de interpretar e recriar imagens de forma semelhante ao cérebro humano.
Simplificando algo que é extremamente técnico, as IAs que editam imagens são treinadas com milhões de imagens para que possam determinar padrões. Assim, quando você solicita uma alteração, o aplicativo consegue identificar e alterar esses padrões rapidamente.
Embora as estatísticas estejam sendo constantemente atualizadas, conforme o número de usuários de smartphones cresce, vários estudos têm demonstrado que bilhões de fotos são tiradas todos os dias.
Para que você tenha uma ideia, estima-se que 90% dessas fotos sejam feitas com smartphones. Isso cria uma demanda cada vez maior por soluções rápidas e eficientes para melhorar imagens antes de postá-las nas redes sociais, enviar por WhatsApp ou simplesmente guardar como lembrança.
Além da praticidade, a acessibilidade também é um fator decisivo. Muitos desses aplicativos gratuitos, como Remini, Lensa, Snapseed e Adobe Express, oferecem ferramentas de edição de imagens automática que não exigem qualquer tipo de cadastro ou pagamento.
Mas não é apenas isso que aplicativos de edição de imagens oferecem: também é possível restaurar fotos antigas de baixa resolução, um processo que anteriormente exigia software de última geração e custava muito dinheiro.
Outro ponto interessante é a aplicação dessas ferramentas em contextos profissionais. Fotógrafos amadores, pequenos empreendedores e influencers estão entre os principais beneficiados dessa tecnologia.
Muita gente ganha a vida vendendo produtos nas redes sociais. Pessoas que antes tinham que bater de porta em porta oferecendo suas mercadorias agora podem abrir uma loja online e divulgar seus produtos sem sair de casa.
Para esses empreendedores, a facilidade de uso dessas ferramentas transformou um processo que antes levava horas em uma tarefa rápida e descomplicada.
Além de poder tirar fotos personalizadas com base nas preferências de cada cliente, eles também conseguem aplicar filtros, adicionar legendas e remover partes das imagens em alguns toques.
Mas nem tudo é positivo. A mesma tecnologia que salva vidas também pode ser usada para causar danos.
A facilidade de manipulação de imagens trouxe consigo uma grande quantidade de desafios que a sociedade terá que superar.
Hoje em dia, pessoas inescrupulosas conseguem criar imagens realistas que podem enganar qualquer um. Isso é um problema, principalmente em um mundo em que a verdade nem sempre é tão aparente quanto você pode imaginar.
Quando algo trágico acontece, somos imediatamente inundados por vídeos e fotos do momento. O problema é que, com apps de edição, qualquer um pode criar imagens falsas ou manipular a realidade para confundir e enganar.
Além disso, os chamados deepfakes estão se tornando cada vez mais comuns. Este termo se refere ao uso de vozes ou imagens de pessoas reais alteradas com inteligência artificial para distorcer a realidade.
Está se tornando cada vez mais fácil usar imagens alteradas, por exemplo, para substituir o rosto de uma pessoa em uma foto. Essa tática é muito usada como forma de constranger ou para criar imagens falsas de pessoas famosas.
Para exemplificar o problema, é possível usar uma imagem pornográfica e trocar o rosto da foto original para adicionar uma pessoa diferente. Quem está vendo a imagem acreditará que a foto é real, mas trata-se de um deepfake.
Essa ameaça é real e está crescendo em ritmo alarmante. Casos de meninas que tiveram seus rostos inseridos em fotos íntimas falsas já foram registrados em diversas partes do mundo. Em segundos, uma imagem manipulada pode arruinar a reputação de alguém, espalhar mentiras e causar danos psicológicos irreparáveis.
Apesar disso, grande parte dos usuários vê as ferramentas de IA como aliadas. Muitas delas oferecem filtros e opções personalizadas, permitindo controlar o nível de alterações. E, embora seja possível transformar uma selfie comum em uma foto digna de capa de revista, também é possível aplicar apenas pequenas correções, como ajustes de luz e contraste, deixando a imagem mais natural.

