No último fim de semana, realizei uma viagem especial: fui com meu marido, Daniel, e minha sogra, Ivete, para Ouro Preto, em Minas Gerais. Mais do que um simples passeio, foi a realização de um sonho dela, e eu e o Dani fizemos questão de torná-lo realidade. Ela falava em conhecer Ouro Preto desde sempre, pois quando ainda era adolescente fez curso de pintura e justamente pintava os famosos casarios imponentes da cidade mineira.

Chegamos por Belo Horizonte, onde passamos menos de um dia, o suficiente apenas para um gostinho da capital mineira.

O destaque foi o Mercado Central, um lugar que enche os olhos (e o paladar) com tantas delícias, queijos de todos os tipos, doces de leite cremosos, temperos e aquele cheiro acolhedor de Minas que parece abraçar a gente.

Mas o foco da viagem era mesmo Ouro Preto. A cidade é um encanto: linda, histórica, viva. Uma cidade que foi construída literalmente em morros. Caminhar por suas ruas é como voltar no tempo, com casarões coloniais, igrejas monumentais (são muitas! E ficamos sabendo que isso se justifica porque literalmente havia uma ‘disputa’ por quem construía mais) e uma atmosfera que respira o passado do nosso país.
Porém, é bom se preparar: são muitas ladeiras, algumas bem íngremes, então o fôlego e o calçado confortável são indispensáveis.
Foi a primeira vez que visitei um lugar no Brasil tão histórico (já fui para cidades como Roma e Londres, mas conhecer o berço do Brasil é realmente especial).


Entre os pontos que mais me marcaram está o Museu da Inconfidência, onde estão preservados documentos e objetos de Tiradentes, incluindo a carta de sua condenação e pedaços da madeira da estrutura onde ele foi enforcado.

Na Praça Tiradentes, que hoje abriga a estátua em sua homenagem, foi o local onde sua cabeça ficou exposta, um pedaço de história difícil, mas essencial para entender quem somos como nação.
Ouro Preto também é uma galeria da arte barroca brasileira. Lá estão algumas das principais obras de dois gênios: Aleijadinho e Mestre Ataíde, cujos trabalhos, juntos e separados, se espalham pelas igrejas e museus da cidade. É impossível não se impressionar com o talento e a sensibilidade desses artistas, que ajudaram a moldar nossa identidade cultural.

Como alguém que já trabalhou em hotel ainda na adolescência, é formada técnica em Turismo e Hospitalidade pelo IFC, cobre turismo há 12 anos e assessora o Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau, inevitavelmente observei o destino também com o olhar de quem entende um pouco do setor.

Ouro Preto tem um patrimônio riquíssimo e um potencial turístico imenso, mas ainda carece de melhorias em acessibilidade. Com ladeiras íngremes e calçadas irregulares (estreitas ou até inexistentes em alguns pontos), pode dificultar (ou até impedir) a experiência de idosos, pessoas com dificuldade de locomoção ou cadeirantes.
Tivemos também algumas situações pontuais desagradáveis, de tentativas de cobranças indevidas, algo que infelizmente ainda acontece em alguns destinos turísticos.
Um ponto que realmente nos incomodou foi um ‘guia’ que estava dentro de uma igreja (que tinha que pagar ingresso para entrar) e que não sinalizou em momento algum que não era da igreja ou que cobrava a parte. Isso é comum em cidades como Roma, onde esses ‘guias’ ficam tentando vender ingressos na fila para o Museu do Vaticano, mas confesso que ver o cara dentro da igreja me deixou bastante surpresa. Por sorte, meu marido percebeu e o dispensou. Inclusive havia um aviso na igreja sobre cuidar com terceiros e não pagar, mas mais a frente, e vimos somente depois de já ter sido abordados. Enfim, não foi nada que estragou a viagem (nem perto!), mas que serve de alerta para a importância do cuidado com o visitante.

Ainda assim, saí encantada. Ouro Preto é um tesouro, um mergulho no coração da nossa história. É o tipo de lugar que emociona, provoca reflexões e deixa lembranças que o tempo não apaga.

