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Balneário Camboriú
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‘Observando Aves em Balneário Camboriú’ apresenta 88 espécies que vivem em ambientes de mar, rio, mangue, mata e cidade

O livro em lançamento é uma produção do OiA e do projeto Aves Catarinenses com recursos da LIC/BC

O Observatório de Interações no Ambiente (OiA), juntamente com o projeto Aves Catarinenses, está lançando o livro ‘Observando Aves em Balneário Camboriú’, que nasceu a partir de uma extensa pesquisa sobre a avifauna encontrada em todo estado de Santa Catarina.

O livro apresenta uma relação das aves mais avistadas na cidade de Balneário Camboriú, trazendo imagens e textos sobre cada uma das espécies com as quais convivemos no cotidiano e muitas vezes nem notamos. 

São 88 aves que representam uma parte do grande conjunto de espécies que frequentam a cidade em seus ambientes naturais e urbanos de fortes contrastes.

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Entre as espécies, a saíra-bico-fino, ave símbolo de Balneário Camboriú. A ave azul é o macho e…
a verde é a fêmea (Foto Cristiano Voitina)

Nesta diversidade de ambientes e relações vivem espécies de aves urbanas e de cidade, aves de mar e praia, aves de rio e mangue, aves de áreas verdes e aves de altitude, comumente vistas voando no alto do céu. 

A condição de estarem em um destes grupos não tira a liberdade das aves transitarem em diversos deles, sendo também comum vê-las em outros ambientes e desenvolvendo novos hábitos. 

Este livro é um desdobramento do projeto Aves Catarinenses, do biólogo e ambientalista Cristiano Voitina, que há mais de 15 anos estuda a avifauna do estado e já publicou dois volumes do livro Aves Catarinenses. 

Sobre o projeto

O projeto é uma iniciativa do Observatório de Interações no Ambiente (OiA), realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) 2023, através da Fundação Cultural de Balneário Camboriú. 

Conta com o apoio do projeto Aves Catarinenses e do Núcleo de Sustentabilidade da Acibalc. 

Observação de aves

Além do livro, serão realizadas saídas de campo para a observação de aves em diversos locais de Balneário Camboriú. 

As passarinhadas acontecerão nos primeiros meses de 2024, as datas e os locais serão divulgados no perfil do OiA @observaiambiente.

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O livro 

O livro está sendo distribuído gratuitamente na rede de ensino municipal, universidades, órgãos públicos (Fundação Cultural, Biblioteca Municipal, Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria de Turismo), espaços culturais e pontos turísticos da cidade. 

No site do projeto http://avesbc.eco.br/ é possível visualizar e baixar a versão digital do livro. 

  • Realização: @observaiambiente 
  • Coordenação e design gráfico: @felipegallarza 
  • Pesquisa e fotografia: @cristianovoitina 
  • Texto e comunicação: @gabriel.gallarza 
  • Ilustração: @magrisoares Site: @d3ivi5on_

Por Gabriel Gallarza, Arquiteto urbanista

Tiê-preto macho
e a fêmea da espécie, que é mais clara (Foto Cristiano Voitina)

“As aves sempre exerceram enorme fascínio sobre a humanidade. Muita desta atração se dá pela diferença básica entre nós terrestres e a liberdade das aves para conquistar o céu. Para algumas culturas, as aves simbolizam a ideia do divino e do espiritual, sendo aquele que se desprende do mundo terreno. Assim, há muito tempo são observadas pelas sociedades de todo o mundo, com admiração e respeito. 

A observação de aves, conhecida como birdwatching e no Brasil também como passarinhada, se constitui como uma atividade de lazer em muitas partes do mundo que, além do seu caráter lúdico, funciona também como instrumento de conscientização ambiental e difusão do conhecimento científico, principalmente com o advento de plataformas colaborativas de ciência cidadã tais como a iNaturalist, a Wiki Aves e a e-Bird, que permitem que qualquer pessoa possa contribuir para o levantamento, identificação, mapeamento e difusão de conhecimento sobre as aves. 

A introdução do conceito de ciência cidadã traz consigo, além da informação e divulgação sobre a importância da proteção da natureza, através da observação de aves, o princípio do exercício da cidadania, pois com a participação de todos os seguimentos da sociedade na produção do conhecimento, este se torna mais democrático e mais legítimo quando usado para subsidiar a construção de políticas públicas de conservação da biodiversidade. 

A redução e a fragmentação da cobertura vegetal original das cidades (e Balneário Camboriú também se enquadra neste grupo) fomentadas pelo crescimento urbano desordenado geram uma enorme pressão sobre a biodiversidade local, com efeitos, muitas vezes, adversos a esta. 

O grande contraste existente entre a malha urbana e as áreas verdes remanescentes coloca a fauna silvestre de vida livre frente a uma série de situações e desafios para sua sobrevivência e perpetuação na cidade. 

O espaço artificial das cidades contribui para afastar e desvincular a humanidade das demais espécies que compõem e integram a natureza. 

Neste contexto, a observação das aves no espaço urbano, cenário característico e quase exclusivista da vida humana, auxilia na reflexão sobre a nossa relação com as demais espécies. 

Quando as espécies se encontram a filósofa e bióloga estadunidense Donna Haraway nos convoca a refletir sobre como nós, humanos, dividimos esta Terra com outros seres e organismos não humanos e sobre como nos moldamos uns aos outros. 

A partir desta leitura, podemos entender que respeitar este convívio, de interações que garantem a vida entre espécies companheiras, numa relação natural-cultural, é condição essencial para a criação de uma cidade saudável e equilibrada. A falta de conhecimento, impossibilita a construção de vínculos afetivos e consequentemente o cuidado com o que quer que seja. Isso se aplica também à biodiversidade. 

É necessário conhecer para se afeiçoar e posteriormente cuidar. Restabelecer então, os vínculos da nossa espécie com as demais espécies da natureza se torna fundamental como estratégia de conservação da biodiversidade, inclusive da própria vida humana. 

“A ideia é conhecer para poder amar e preservar”, diz o biólogo e pesquisador Cristiano Voitina, o responsável pela pesquisa deste projeto. 

A vivência e a percepção do ambiente natural e urbano em que se insere a cidade de Balneário Camboriú, associado ao conhecimento da fauna, oferece elementos essenciais para restabelecer e fortalecer os vínculos interespécies e trazer a consciência da importância de se conservar a biodiversidade não só para as presentes, como também para as futuras gerações. 

Gaturamo-verdadeiro macho, de cor intensa…
…e a fêmea de cor clara (Foto Cristiano Voitina)

A observação de aves se converte em um instrumento educativo, que auxilia na compreensão do ambiente, da cultura e das relações sociais, humanas e inter-espécies, que estruturam a nossa comunidade. 

As vivências de observação de aves permitem a apreensão e apropriação dessa prática cultural pela comunidade e podem se multiplicar em inúmeros benefícios, constituindo em passo fundamental para o êxito do turismo de natureza e cultura. 

O turismo de observação de aves, radicado no turismo de observação de vida silvestre, e este no ecoturismo, vem se destacando no mundo inteiro como forma de lazer e entretenimento em meio à natureza. 

Representa uma alternativa de sustentabilidade – social, econômica e ambiental – aos territórios e como um modelo de turismo que prioriza a interação com a natureza e o respeito aos ambientes naturais, à sua biodiversidade e às comunidades dos territórios visitados. 

Por sua vez, a educação ambiental nesse processo se coloca como valioso instrumento capaz estreitar a relação entre sociedade e natureza ao dar sentido às experiências que estimulem novas reflexões, consciência, sensibilidade, valores, enfim, que redundem em uma maior harmonia nas relações entre os diversos seres vivos, as quais refletem na sua relação com o meio, e reciprocamente. 

A educação exerce papel catalisador e enraizador das práticas culturais, decisivo na objetivação e perenidade das atividades humanas. Sua atuação no turismo de observação de aves é fundamental para torná-lo vivo e ativo, participativo, motivante e responsável. 

Assim, assume-se que ações de educação ambiental e urbanística são estruturantes no processo de consolidação e êxito na criação de uma cidade sustentável. 

Por meio delas é possível estimular a participação efetiva da sociedade nos processos decisórios, a gerar vínculos e sentimento de pertencimento ao lugar e ao território, os quais hão de traduzir em benefícios, como satisfação e maior compromisso pela proteção dos patrimônios natural e cultural”. 

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