A experiência de cinco décadas na publicidade encontrou uma geração formada em meio à inteligência artificial na noite desta terça-feira (6), durante palestra do publicitário Stalimir Vieira, no Teatro Adelaide Konder, no Campus Professor Edison Villela (Itajaí), para discutir as transformações do processo criativo com a chegada da IA.
Na palestra ‘Cabeças a prêmio: um mergulho no processo criativo pré-IA’, Vieira revisitou práticas, experiências e formas de pensar a criação publicitária anteriores às ferramentas de inteligência artificial e colocou esse repertório em diálogo com o cenário atual.
Ao comentar uma pesquisa recente sobre a relação com a geração Z e os impactos da tecnologia nas relações humanas, Vieira citou a sensação de solidão entre jovens mesmo em um contexto de intensa conexão digital.
A partir desse cenário, questionou o uso de dados e algoritmos para decisões que envolvem pessoas, como processos de seleção profissional. Para ele, especialmente na publicidade, conhecer trajetórias, sonhos e ambições é fundamental para reconhecer potencial criativo que não aparece em um currículo ou em uma base de dados.

“Precisamos colocar de novo gente para cuidar de gente. Você não pode ficar baseado apenas em dados e números; precisa conhecer as pessoas, entender o que elas sonham e o que elas ambicionam”, afirmou.
A palestra partiu da experiência de Stalimir Vieira em um período no qual o processo criativo publicitário dependia de repertório, observação, discussão e construção coletiva de ideias, antes das ferramentas de inteligência artificial incorporadas hoje à rotina da comunicação. A proposta do encontro colocou essa experiência em diálogo com o cenário atual e com as mudanças que a tecnologia produz na criação, comunicação e mercado de trabalho.
Ao falar especificamente sobre o trabalho criativo, Vieira defendeu que a inteligência artificial seja utilizada como ferramenta, sem substituir o protagonismo de quem cria.
“Eu vou usar a ferramenta, sim, para aperfeiçoar, enriquecer e trazer talvez insights que eu não tive. Mas a ideia nasce em mim”, defendeu.
“O trabalho autoral é sempre da nossa experiência. Cada um tem a sua. Quando ela se conecta com uma demanda, você vai fazer uma leitura particular, com o seu jeito de olhar aquela demanda. É aí que nasce o trabalho verdadeiramente autoral”, complementou.
O evento também marcou o lançamento oficial do livro “Provocações: 99 artigos de um publicitário que perdeu o emprego, mas não a opinião”. A obra reúne crônicas e reflexões sobre bastidores, mudanças e caminhos do mercado publicitário brasileiro, combinando memória profissional, observação do setor e comentários sobre suas transformações.
“Este evento provoca uma reflexão sobre as transformações do processo criativo com a chegada da inteligência artificial. A experiência de um profissional com 50 anos de carreira permite resgatar práticas e vivências anteriores à IA, aproximando diferentes gerações e promovendo muita troca de conhecimentos”, afirma a coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Univali, professora Daniella Cristina Rebelo. Para ela, a presença do publicitário aproxima a comunidade acadêmica de uma discussão que atravessa o cotidiano de quem trabalha com comunicação.
A trajetória de Vieira inclui a liderança da criação em agências que integram a história da publicidade brasileira, entre elas W/Brasil e DPZ. A experiência acumulada em diferentes momentos do setor permitiu ao autor abordar as transformações da atividade a partir da própria vivência profissional e das questões que permanecem abertas diante da inteligência artificial.
A programação foi promovida pelo curso de Publicidade e Propaganda da Univali e aproximou formação acadêmica, mercado e discussão sobre os rumos da comunicação diante da inteligência artificial.
Texto: Assessoria Imprensa/Univali

