Entidades médicas comemoram decisão da Anvisa de proibir ‘chips da beleza’

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Entidades médicas comemoram a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de proibir a manipulação, comercialização, propaganda e uso de implantes hormonais manipulados, conhecidos como “chips da beleza”, um tipo de terapia hormonal para fins estéticos vendida por farmácias de manipulação.

A proibição preventiva foi publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira (18) é aplicada a todas as farmácias de manipulação, espaços onde os produtos eram fabricados. Ela ocorreu após denúncias apresentadas por 34 entidades médicas, que apontam aumento do atendimento de pacientes com problemas devido ao uso dos tais chips.

Segundo a plataforma Vigicom Hormônios da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), duas pessoas teriam morrido em decorrência do uso dos implantes hormonais e outras 257 relataram complicações médicas.

Esses implantes, que costumam ter o tamanho de um palito de fósforo, são compostos, em geral, por gestrinona (hormônio sintético que tem ação antiestrogênica e androgênica), testosterona e a oxandrolona. Também podem conter substâncias que não possuem avaliação de segurança para a forma implantável.

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) celebrou a decisão da Anvisa. Para a médica Maria Celeste Wender, presidente da entidade, a falta de fiscalização e controle sobre esse tipo de implante coloca em risco a saúde das mulheres.

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“Quando o produto é manipulado, não temos como mensurar o padrão da liberação hormonal no corpo da mulher e nem o impacto que pode causar à saúde.”

Ela diz que os implantes hormonais manipulados têm sido promovidos para mulheres sem pesquisas científicas de qualidade sobre farmacocinética, seus efeitos e contraindicações.

“Diante do cenário que vivemos e do aumento de casos relatados em consultório associados ao mau uso dos implantes hormonais manipulados, não poderíamos permanecer na inércia. A proibição desses produtos não aprovados pela Anvisa era urgente”, afirma.

De acordo com a médica, há relatos de efeitos colaterais graves, como infarto agudo do miocárdio, tromboembolismo, acidente vascular cerebral, além de complicações hepáticas, dermatológicas, psiquiátricas, renais, musculares e infecções associadas aos implantes.

“Existem efeitos colaterais que são irreversíveis como a alteração da voz, além de aumento do clitóris e até problemas de infertilidade. Algumas mulheres também podem apresentar queda de cabelo, aumento da oleosidade da pele e acne severa”, diz.

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Em nota pública divulgada neste sábado (19), o CFM (Conselho Federal de Medicina) diz que a decisão da Anvisa corrobora a medida adotada pelo conselho no ano passado de proibir a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes (EAA) com finalidade estética devido aos riscos à saúde.

O CFM reforça que existe a possibilidade de prescrição de EAA, desde que justificada para o tratamento de doenças como hipogonadismo, puberdade tardia, micropênis neonatal e caquexia. A substância também pode ser indicada na terapia hormonal cruzada em transgêneros e, a curto prazo, em mulheres com diagnóstico de desejo sexual hipoativo, afirma a nota.

Nessas situações, explica o conselho, há evidências científicas que comprovam a eficácia e segurança desses tratamentos. São casos em que há alternativas disponíveis para compra no mercado brasileiro, sem necessidade de sua manipulação.

Os chips da beleza têm sido divulgados amplamente em redes sociais com a promessa de aumentar a massa magra e o desempenho esportivo, reduzir gordura corporal, diminuir fadiga e aumentar a disposição, situações para as quais não há comprovação científica sobre seus benefícios e segurança.

Para a Sbem, as evidências crescentes de complicações mostram a urgência de uma regulamentação mais rigorosa. “Embora a medida da Anvisa seja um passo positivo, seguimos comprometidos com a luta por uma regulamentação definitiva que assegure a proteção da população”, afirma.

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Segundo a sociedade, as entidades médicas vão continuar monitorando a situação, por meio do Vigicom Hormônios, e “estão à disposição para fornecer orientações adicionais à população e aos profissionais de saúde”.

A Anvisa orienta aos pacientes que fazem uso desses implantes hormonais manipulados que, eventualmente, apresentarem qualquer reação adversa, a notificarem o órgão em: gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/fiscalizacao-e-monitoramento/notificacoes/medicamentos-e-vacinas.

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