Ata da Câmara de Balneário Camboriú não menciona que o prefeito foi assassinado pela ditadura

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Em 11 de março de 1969 a Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú se reuniu pela primeira vez após o assassinato de Higino João Pio, por agentes da ditadura militar, num quartal da marinha em Florianópolis, e nas quatro páginas do documento, hoje histórico, não há qualquer menção à detenção ilegal do então prefeito, tortura e simulação da sua morte por enforcamento.

Mostrando coragem acima dos demais, o vereador Domingos Fonseca pediu para “registrar em ata, para documentar nos anais desta Câmara, que o prefeito Higino João Pio faleceu às 8h45 do dia 3 de março de 1969, na Escola de Aprendizes de marinheiro, no Estreito, em Florianópolis, onde se encontrava prestando depoimento à C.G.I (Comissão Geral de Investigações) de Santa Catarina, desde o dia 21 de fevereiro de 1969”.

Mesmo inocente, Higino Pio foi denunciado por adversários políticos, preso arbitrariamente e morto pelos agentes da ditadura, que tentaram simular suicídio por enforcamento.

Após seu assassinato os arquivos da prefeitura foram escrutinados e não encontraram qualquer irregularidade envolvendo o ex-prefeito. 

A farsa promovida pela ditadira veio à tona após o Núcleo Pericial da Comissão Nacional da Verdade investigar os fatos, confirmando de maneira técnica o assassinato.

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Os vereadores da época (Alvaro Antonio da Silva, Antonio Bernardes Passos, Aquiles Da Costa, Domingos Fonseca, Eloy Reinert, Joaquim Albino Gatto, Luiz Fernandes e Walter Eilers, todos falecidos) estavam no fio da navalha, qualquer menção a ditadura, prisão arbitrária, tortura ou morte representava uma sentença sem juiz para parar no mesmo quartel onde Higino Pio foi assassinado e, talvez, ter destino semelhante.

CORRIGIR A ATA

Existe um movimento para que a ata da sessão da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, do dia 11 de março de 1969, seja aditada, para que a versão verdadeira dos fatos fique registrada.

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