De acordo com dados da Vigilância Ambiental, Balneário Camboriú tem 717 casos positivos de dengue, dos quais 386 autóctones (contraídos no município), 4 importados e 327 indeterminados.
O diretor de Vigilância Ambiental de Balneário Camboriú, David Iesus Cruz, disse que o município encontra-se no nível endêmico que, de acordo com o plano de contingência vigente, é o mais baixo de risco à dengue.
Prefeita foi conhecer o Método Wolbachia

A prefeita Juliana Pavan, alguns secretários e vereadores, visitaram nesta quinta-feira (31), a biofábrica do Método Wolbachia, em Joinville, para conhecer como funciona a criação de wolbitos.
“Desde fevereiro, quando a Fiocruz anunciou que nosso município havia sido selecionado para receber o método, estamos acompanhando os processos e todo histórico da tecnologia no Brasil e no mundo. Essa visita técnica em Joinville foi para ver in loco o trabalho”, disse Juliana.
Em maio deste ano uma equipe da Secretaria da Saúde local esteve na biofábrica de Joinville, para acompanhar o trabalho. É de lá que virão os wolbitos para soltar em Balneário Camboriú.
“Nesta biofábrica, a bactéria é introduzida nos ovos do mosquito, ele passa pela fase larval até chegar na fase adulta e quando se torna adulto, o município de Balneário Camboriú vai lá pegar e trazer estes mosquitos para fazer a soltura”, explicou David.
Método controla doenças transmitidas pelo Aedes
Balneário Camboriú, através do Ministério da Saúde e da Fundação Fiocruz, foi contemplado para receber o Método Wolbachia por atender todos os critérios técnicos e devido à série histórica em relação aos casos de dengue do município, foi considerado prioritário.
O método Wolbachia é uma estratégia para o controle de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, Zika e chikungunya.
Em laboratórios, a bactéria Wolbachia é introduzida em mosquitos Aedes aegypti para impedir que o vírus se desenvolva dentro do mosquito, reduzindo a capacidade de transmissão da doença. Os mosquitos que recebem a bactéria são os wolbitos.
David reforça que no Brasil, o método já existe há mais de 10 anos, tendo resultados consolidados e aprovados em alguns municípios. No Brasil, funciona uma biofábrica no Rio, uma em Joinville e recentemente foi inaugurada uma em Curitiba para produzir wolbitos.
Os resultados não são imediatos, os números reais da aplicação serão conhecidos em um, dois anos, segundo o diretor.
“O método é totalmente seguro e eficaz. O mosquito não é geneticamente modificado e não irá transmitir outras doenças. É o mesmo mosquito, porém com a bactéria wolbachia em suas células. A bactéria já existe de forma natural em cerca de 60% dos insetos (mariposas, vespas, abelhas, mosca da fruta e etc)”, explicou.
Segundo David, ainda há muita desinformação sobre o Wolbachia, por isso, estão intensificando a divulgação.
“O método é cientificamente comprovado e validado em mais de 12 países, com resultados expressivos com erradicação da doença na Austrália, diminuição de 97% a menos de casos na Colômbia e outros”, acrescentou.
Primeiras solturas

As primeiras solturas de wolbitos estão previstas para segunda quinzena deste mês, nos bairros Nações, Ariribá, Municípios e parte do Centro. A soltura acontecerá duas vezes por semana, por volta das 6h. Os wolbitos não migram de lugar, eles permanecem nas áreas onde são soltos e não voam a mais de dois metros do chão.
Há 11 anos esse método vem sendo aplicado em algumas cidades brasileiras. Até 2034, a Fiocruz quer ampliar a cobertura do método para 70 milhões de habitantes.
“Gostaríamos de reforçar que é um método totalmente custeado pelo Ministério da Saúde, pelo SUS. E é um complemento às ações que já estamos adotando, porque mesmo após a soltura dos Wolbitos, a população precisa continuar eliminando os mosquitos e os criadouros dos insetos, pois não há diferença perceptível entre o mosquito local e o com a Wolbachia”, finalizou David.

