Vereador Jair Bolsonaro vota contra projeto de combate a furtos de fios e causa perplexidade na Câmara: “uma criança birrenta”

"O voto contrário dele mostra desconhecimento da realidade do município e falta de compromisso com as questões que afetam a comunidade. Ele sequer foi capaz de justificar a rejeição”

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O vereador Jair Renan Bolsonaro (PL) foi o único a votar contra o Projeto de Lei Ordinária 162/2025, durante a sessão da Câmara de Balneário Camboriú desta terça-feira (26). O projeto, de autoria do Executivo, prevê medidas que intensificam a fiscalização, prevenção, orientação e combate ao roubo, furto e receptação de cabos, fios metálicos, geradores, baterias, transformadores e placas metálicas na cidade.

A proposta foi aprovada por ampla maioria, com votos favoráveis tanto de vereadores da base quanto da oposição, mas a atitude isolada de Renan Bolsonaro chamou atenção.

O projeto tem como objetivo dar mais instrumentos ao município para agir contra o comércio ilegal e a receptação de materiais furtados, prática que afeta diretamente a infraestrutura pública e gera prejuízos à população.

Na avaliação do vereador Eduardo Zanatta (PT), que foi contrário à postura de Jair Renan, a proposta é importante por seguir a mesma linha de legislações federais.

“Votei favorável com a maior tranquilidade porque é um projeto que visa ampliar o cerco contra o comércio ilegal de cabos e fios em Balneário Camboriú. Essa é uma demanda constante de moradores que chegam até a Câmara. O voto contrário dele mostra desconhecimento da realidade do município e falta de compromisso com as questões que afetam a comunidade. Ele sequer foi capaz de justificar a rejeição”, afirmou Zanatta ao Página 3.

Jair Renan não apresentou qualquer justificativa para o voto contrário. Segundo vereadores ouvidos pela reportagem, a posição foi interpretada como uma demonstração de birra política.

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Nos bastidores, parlamentares comentaram que o filho do ex-presidente Bolsonaro parecia estar “de mau humor” durante a sessão e que sua postura foi de confronto direto ao presidente da Câmara, vereador Marcos Kurtz.

Na semana anterior, Kurtz havia criticado Jair Renan por desrespeitar o regimento interno ao pedir para falar como líder de bancada, posição que não ocupa — o líder do PL é o vereador Guilherme Cardoso. Nesta terça, Jair Renan teria usado o microfone para tentar devolver a crítica, mencionando “falhas administrativas” da presidência, como a ausência de prestação de contas mensal da Casa, que passa por “constantes reformas e ninguém sabe quanto é gasto”.

Bastidores: “atitude infantil” e “piada pronta”

A fala agressiva, segundo parlamentares, foi seguida do voto contrário ao projeto, que não teve impacto prático na aprovação da matéria.

“Foi como uma criança birrenta”, comentou um vereador da base governista. Outro avaliou que Renan “parece não saber o que está fazendo lá” e que sua postura “beira a tentativa de quebrar instituições”, com discursos repetitivos que remetem ao “padrão golpista”.

“Ele não debate a cidade com maturidade, não pensa nas pessoas que o elegeram. Usa o voto como arma para se posicionar como oposição à prefeita Juliana Pavan e agora parece ter como objetivo atacar o presidente da Câmara”, avaliou outro parlamentar ouvido pela reportagem.

O consenso foi de que Jair Renan age mais para se projetar como “anti-sistema” do que para discutir soluções para Balneário Camboriú.

“Falta amadurecimento político. Estão dando mais moral para ele do que deveriam. O que ele quer é justamente isso: palco”, resumiu um vereador da oposição.

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Isolado politicamente

Com todos os demais vereadores — de situação e oposição — votando a favor da proposta, Jair Renan ficou isolado. O episódio reforça a percepção de que o parlamentar atua de forma errática.

O episódio marca mais um capítulo de embates envolvendo Jair Renan, cada vez mais visto como uma “piada pronta” dentro da política municipal.

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