O Diagnóstico Municipal, contratado pela prefeitura de Balneário Camboriú junto à Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (Fepese), para servir como subsídio para a revisão do Plano Diretor, resultou numa coletânea de estatísticas disponíveis na internet e de frases prontas que não justificam os R$ 600 mil gastos pelo município.
No trabalho não há qualquer número novo e tampouco a compreensão dos motivos que levaram Balneário Camboriú a ser uma das cidades mais caras e desejadas do Brasil; uma cidade turística cujo sucesso depende de vender imóveis para quem não vai morar aqui, portanto ajudará a sustentar a cidade, com impostos e contratação de mão de obra, sem demandar serviços públicos como saúde e educação.
Nas diretrizes e ações estratégicas recomendadas, o trabalho da Fepese amontoa conceitos do Estatuto das Cidades, entre eles “enfrentar o déficit habitacional, promover a função social da propriedade e reduzir desigualdades”, mas não explica como fazer isso numa cidade cujo metro quadrado é o mais caro do Brasil.
Não explica como fazer porque é impossível disponibilizar moradia barata no Litoral Centro Norte Catarinense, onde mesmo nas cidades menos glamourosas, como Barra Velha ou Camboriú, o preço dos imóveis vai se tornando inacessível à maioria da população.
O trabalho sugere a distribuição de centralidades, uma ideia antiga nos debates urbanísticos municipais, mas a Fepese inovou ao sugerir que um desses pólos seja localizado no Canto do Morcego, oficializado em junho deste ano como Parque Natural Municipal do Canto do Morcego – pertencente à cidade de Itajaí e não a Balneário Camboriú.
O estudo acerta quando define Balneário Camboriú como um polo de prosperidade econômica, mas erra redondamente ao não investigar os motivos desse extraordinário resultado, a maioria deles inseridos no Plano Diretor vigente, idealizado entre 2006 e 2008.
Para conhecer o Diagnóstico acesse este link https://drive.google.com/drive/folders/1bt4KM6i0nTmzCqt1uYUkIUmnssHwzje1
