O escritor e professor de Belo Horizonte, Guilherme Queiroz de Macedo, escreveu um artigo em homenagem ao escritor Enéas Athanázio (1935-2025), publicado na Antologia Prosa e Poesia na Praça, lançada na 23ª edição do Projeto Livro de Graça na Praça, realizada na Praça do Bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte.
O Livro de Graça na Praça é assinado pelo professor e escritor José Mauro da Costa, e reúne obras de 71 escritores de várias regiões do país. O artigo sobre o escritor Enéas Athanázio está nas páginas 67 e 68.
Guilherme Queiroz de Macedo acompanha desde 2002 a trajetória literária do escritor catarinense Enéas Athanázio, que residia em Balneário Camboriú e faleceu em abril deste ano.
A homenagem inserida no Livro de Graça na Praça
Enéas Athanázio: o Escrever como Segunda Natureza
Guilherme Queiroz de Macedo
Ao escritor catarinense Enéas Athanázio (1935–2025), que em seus percursos literários tinha o mesmo espírito educador do Livro de Graça na Praça Escrevo estas breves linhas em homenagem ao saudoso escritor e ensaísta e meu amigo Enéas Athanázio, que partiu no dia 4 de abril de 2025, em Balneário Camboriú (SC), uma semana depois de completar 90 anos. Justamente quando eu estava redigindo uma crônica em sua homenagem, por seus 90 anos de vida e 52 anos de estreia literária – o que se deu com o livro O peão negro (1973) –, se bem que, na realidade, Enéas já escrevesse e publicasse seus textos desde 1955, quando entrou para a Faculdade de Direito de Santa Catarina. Com o sentimento de dor e de saudade pela perda de um grande amigo, homenageio este autor que escreveu 62 livros e 15 opúsculos, em um total de 77 obras individuais, em volumes que ele publicava com os seus próprios recursos e mandava para todos os cantos de nosso país-continente e até mesmo para o exterior, atuando desde 1973, em prol da difusão do livro e da leitura. Se considerarmos uma tiragem média de 500 a 1.000 exemplares de cada título, temos o incrível número de 38.500 a 77.000 livros, distribuídos individualmente aos leitores e leitoras por um único escritor, fato raro em nosso país.
Em 1993, Enéas criou uma editora própria, a Minarete, para continuar editando os seus livros e de outros autores, e distribuí-los para todos os estados brasileiros e para outros países.
Em 2002, criou o Jornal do Enéas, suplemento literário e cultural, no qual publicava textos de escritores novatos e veteranos, sem cobrar por isto, e ainda enviava o jornal para todo o Brasil e países estrangeiros. Tudo isso com seu próprio trabalho e de seus familiares (que faziam as etiquetas, colavam nos envelopes e postavam nos Correios), sendo que o jornal era produzido, editado e enviado também com seus próprios recursos, tendo recusado diversas propostas de anunciantes, para manter sempre a liberdade e independência de publicar matérias sem interferências em sua linha editorial. O jornal teve 30 números editados entre 2002 a 2011, e foi um periódico sui generis.
Para meu estimado Enéas, o escrever fazia parte da sua segunda natureza, bem como também o ato de publicar e distribuir seus livros e jornal gratuitamente, promovendo a educação.
* Dentre as obras de Athanázio, destacamos as biografias escritas sobre o escritor mineiro Godofredo Rangel – autor de Falange gloriosa, Os bem-casados e Vida ociosa –, amigo e correspondente de Monteiro Lobato, intituladas: Godofredo Rangel (1977); e O amigo escrito (1988).
Guilherme Queiroz de Macedo é licenciado em História e Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais.
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