Balneário Camboriú tem hoje cerca de 140 moradores de rua. O número vem reduzindo, segundo informou o secretário de Assistência Social, Mulher e Família, Omar Tomalih.
Ele comparou o número atual com o relatório que a Abordagem Social, divulgou no início deste mês, sobre o trabalho realizado em setembro, indicando que foram feitas em 30 dias, 1446 abordagens a Pessoas em Situação de Rua (PSR).
Tomalih explicou que o número de abordagens não equivale ao número real de pessoas que moram nas ruas, porque muitas delas são abordadas inúmeras vezes.
“Descontando as que foram abordadas repetidas vezes, o número exato de pessoas em situação de rua foi 395 e destas, 335 aceitaram algum tipo de acolhimento (ou Casa de Passagem ou encaminhamento para alguma instituição ou retorno para sua cidade de origem). E destas, 112 receberam seu primeiro acolhimento, ou seja, estavam pela primeira vez em Balneário Camboriú”, detalhou Tomalih.
Ele sabe também que os números voltarão a subir nas próximas semanas, como acontece sempre quando a temporada se aproxima. Mas tem expectativa de que todo o trabalho que a prefeitura vem desenvolvendo para amenizar este cenário, pode influir positivamente na redução destes números no verão.
Esta semana, a prefeitura abriu licitação para contratar uma empresa especializada na prestação de serviços psicossociais continuados para pessoas em situação de rua no município.
O pregão eletrônico, com critério de menor preço global, tem valor máximo de R$ 1.318.019,38. O contrato terá duração inicial de 12 meses, com possibilidade de prorrogação.
As propostas devem ser registradas no Portal de Compras do Governo Federal (www.gov.br/compras) até às 9h30 do dia 5 de novembro de 2025, quando ocorrerá a sessão de abertura e julgamento. O edital completo e seus anexos estão disponíveis para consulta no site oficial da Prefeitura, na aba “Licitações”.
Nesta reportagem o secretário Tomalih falou sobre o cenário atual, disse que a prefeitura está no caminho certo para reduzir o número de pessoas que vivem nas ruas da cidade, explicou a contratação desta empresa que prestará serviço especializado e anunciou a contratação temporária de mais 30 agentes para atuar na temporada.
Acompanhe:

JP3 – Como está o cenário atual (números) dessa população?
Omar Tomalih – Em torno de 140 pessoas atualmente, representando uma diminuição de 30% do número de PSRs (População em Situação de Rua) que tínhamos quando assumimos o governo.
JP3 – O Programa Resgate à Vida BC está trazendo os resultados esperados?
OT – A primeira fase do programa foi satisfatória, onde conseguimos ampliar a frota, aumentando as rondas e diminuindo o número de PSR na cidade. Com a aprovação da lei de internação involuntária e a implantação das equipes conforme previsto no projeto, acredito que teremos um resultado extraordinário a médio prazo.
JP3 – A Secretaria de Compras lançou edital para contratar uma empresa especializada na prestação de serviços psicossociais continuados para pessoas em situação de rua no município. Qual a função dessa empresa?
OT – O edital é para a contratação de uma empresa que apresente uma equipe multiprofissional, para compor o Resgate à Vida BC, a fim de atuar diretamente com pessoas em situação de rua que apresentem comportamentos visivelmente associados ao uso de álcool ou outras drogas.
JP3 – O Resgate Social e o Resgate à Vida BC não tem pessoas preparadas e qualificadas para atender essa população de rua?
OT – O Serviço Especializado de Abordagem Social possui uma equipe preparada para as abordagens sociais de pessoas em situação de rua, no entanto, há uma distinção entre as pessoas que apresentam comprometimento de suas funções psíquicas, seja devido ao uso de drogas e álcool ou de saúde mental, portadoras de transtornos psiquiátricos; para aquelas que estão em situação de rua devido às questões de vulnerabilidades sociais, familiares e econômicas (perder emprego, conflitos familiares, entre outros que não afetam as funções mentais do indivíduo). A equipe da Abordagem, não avalia questões de saúde mental e física, já a equipe do Programa Resgate a Vida BC avalia o indivíduo em sua integralidade, ou seja, a metodologia de trabalho é um olhar biopsicossocial para o sujeito.
JP3 – Quantas pessoas atualmente trabalham envolvidas na questão de população de rua?
OT – O Serviço Especializado de Abordagem Social possui um total de 25 pessoas atuando, sendo que agora para a alta temporada está sendo contratado temporariamente, mais 30 agentes sociais.

JP3 – É a primeira vez que a prefeitura precisa contratar uma empresa para atendimento dessa população, é por causa da proximidade com a temporada, quando esses números disparam ou qual é a motivo?
OT – O trabalho com pessoas em situação de rua tornou-se serviço tipificado desde 2006, onde vem recebendo aportes e melhorias tanto em sua infraestrutura quanto de pessoal, constantemente. A contratação temporária de mais Agentes Sociais durante a temporada de verão já acontece no município há vários anos e busca fortalecer e intensificar o trabalho já desenvolvido.
A contratação de uma equipe multiprofissional, é a resposta de um crescente cenário, que atinge não somente nosso município, como também o mundo inteiro, que é a dependência de drogas e do álcool. A cada dia mais pessoas estão se tornando moradores de rua devido a esta questão. E não há como um sujeito doente, que apresenta comprometimento de suas funções neurológicas, tomar decisões. Por outro lado, também nos deparamos, no meio familiar, com diversos conflitos que acabam conduzindo um sujeito a buscar pelo álcool ou as drogas, como um refúgio.
Assim, o Programa, utilizando uma metodologia que compreende o sujeito como um ser biopsicossocial, consegue atendê-lo em todas as suas necessidades, sem fragmentá-lo. Rompendo as lacunas que os serviços públicos possuem e que muitas vezes impedem um olhar integral em sua prática sobre o sujeito.
JP3 – Espaço aberto para o que mais quiser colocar…
OT – A política implementada pela prefeita Juliana Pavan em relação aos PSRs é uma política de acolhimento e resgate de vidas, claro mantendo a segurança e a ordem pública no município, esta nova visão junto com uma equipe multiprofissional com um olhar de 360° para o problema, vamos fechar o círculo da situação, tendo início, meio e fim no processo, acabando com o famoso “enxugar gelo” ou “fazer de conta” como assistíamos no passado recente.
