
O atleta José Yago Vasconcelos, 15 anos, do Instituto Atletismo Balneário Camboriú(IABC) e da Fundação Municipal de Esportes (FMEBC), está disputando o Campeonato Brasileiro Interclubes Loterias Caixa de Atletismo Sub-16, que começou nesta sexta-feira (24), na Paraíba.
É a segunda vez que João Pessoa sedia a competição, que reúne atletas em início de especialização.
“O Brasileiro serve para avaliar o nível técnico dos atletas da categoria, que estão despontando no cenário nacional, como é o caso de Yago, uma nova promessa do atletismo de Balneário Camboriú abrindo novos caminhos”, disse a técnica Daiana Gamboa (IABC/FMEBC), que está acompanhando o atleta.
Yago é campeão estadual Sub-16, foi medalha de bronze na OLESC semana passada, na prova de 400m com barreiras. No Brasileiro, vai correr os 300m com barreiras e os 250m rasos.

Yago é o exemplo mais recente do trabalho que Daiana, especialista na formação de atletas, vem desenvolvendo em
Balneário Camboriú há 12 anos ao lado do seu marido, o técnico Diogo Gamboa.
Por eles já passaram nomes como Douglas Hernandez Mendes e Anny Caroline de Bassi, hoje atletas medalhistas internacionais. Douglas disputou a Olimpíada de Paris. Ambos foram preparados no IABC, pelos técnicos Diogo e Daiana Gamboa e demais integrantes da equipe técnica e representam a importância da escolinha de iniciação.
Daiana divide seu trabalho com o cargo de presidente da Federação Catarinense de Atletismo, mas anunciou mudanças para o próximo ano.
“O Diogo e eu estamos há 12 anos à frente da equipe de atletismo da Fundação. Ele no rendimento e eu sempre trabalhei mais com iniciação, embora eu tenha treinado alguns atletas de rendimento. Gosto bastante de trabalhar com a categoria Sub-14, Sub-16 e Sub-18, mas a partir do ano que vem vou mudar um pouco minha estratégia, pretendo direcionar os meus trabalhos mais para iniciação, aquele primeiro contato das crianças com atletismo, devo assumir as turmas de 6 a 10 anos e vou passar o meu pessoal de rendimento para os outros treinadores”, disse Daiana.

Nesta reportagem, Daiana fala sobre a importância da prática esportiva na vida de uma criança, sobre sua experiência com escolinha e sobre a formação de atletas, um trabalho nada fácil.
Acompanhe:
JP3 – Qual a idade ‘certa’ para iniciar a prática do atletismo?
Daiana Gamboa – Hoje atendemos crianças a partir dos 6 anos. No primeiro contato a ideia é fazer com que eles gostem do atletismo, o que é dificil, porque tem que correr a céu aberto, tem sol, chuva, frio, não tem bola, se ele ganha, ganha sozinho, se ele perde, perde sozinho, é diferente dos esportes de quadra, coletivos, então tem toda essa parte do atletismo que considero um pouco mais dificil que as outras, mas uma idade boa, para nível de competição, são atletas de 14, 15, 16 anos, acho que é a melhor idade, eles já tem noção do atletismo, começam a participar das competições e temos bastante competições.
JP3 – Como você avalia se a pessoa tem chance de evoluir no atletismo?
DG – Para fazer essa avaliação temos algumas condições. No treino, já conseguimos ver as capacidades de cada um. Nosso trabalho é estimular, mas a gente logo percebe quem tem talento e normalmente é uma criança que se daria bem em qualquer esporte. É coisa até de perfil psicológico, biotipo físico, se daria bem em qualquer esporte, mas além disso, no atletismo temos que considerar a questão da dedicação. Temos muitos atletas que ganharam no esforço, porque o talento dura alguns anos…com certeza um atleta muito esforçado ganha de um talento não trabalhado. Então em vários momentos, preferimos os atletas dedicados, disciplinados, porque entendemos que mais para frente esse atleta vai vencer. Além disso, nossas escolinhas são um projeto social, então às vezes algumas crianças que não tem o perfil para atletismo, mas continuam conosco, não excluímos de maneira alguma, porque a gente não precisa só de campeões.

JP3 – Quais os critérios para frequentar a escolinha?
DG – É só querer participar, tem uma inscrição no site da Fundação. Nós queremos tanto ter atletas que a gente convida vai lá, leva teu filho, uma, duas vezes por semana, aí colocamos um link de inscrição, tudo gratuito, quando eles viajam é tudo arcado pela Fundação …eu aconselharia a todos os pais a levar os filhos para praticar algum esporte e se pudesse escolher, obviamente seria o atletismo.
JP3 – Um bom atleta pode ser ‘fabricado’ ou já vem quase pronto para ser somente aperfeiçoado?
DG – Temos um atleta talento que é o Douglas, que já nasceu assim, tem uma disposição genética, mas ainda assim precisou ser trabalhado…Temos resultados, tempos atrás tínhamos um atleta, o Eron que nas primeiras competições de marcha atlética ficava em último, nunca desistiu e foi assim que ele chegou a competir Mundial de marcha atlética, porque era muito esforçado, dedicado. Então não se fecha as portas, ele não precisa vir pronto, um bom treinador, um bom olhar e um bom trabalho conseguem melhorar qualquer atleta.
JP3 – Quais os benefícios que resultam da prática esportiva?
DG – Os benefícios da prática esportiva são os nossos objetivos primordiais, até hoje temos contato com atletas que passaram por nós e em todos eles podemos ver como o atletismo transformou a vida deles. Eu diria que a disciplina, cumprir horário, cuidado com seu corpo, com sua vida, prezamos muito a questão da disciplina, se eu vejo um atleta saindo da escola e bagunçando, ele vai ser chamado atenção no treino, porque ele representa a mim, a BC, a partir do momento que ele entrou no IABC ele tem essa responsabilidade, todo um significado que passamos para eles, e eles têm a noção de pertencimento e isso é muito legal. Nossa equipe IABC tem hoje respeito nacional e passamos isso para eles, começando pelo orgulho de representar Balneário Camboriú.
JP3 – O atletismo em especial é uma modalidade difícil para um praticante chegar ao pódio?
DG – É dificil, quanto mais velho, mais complexo, mais competitivo, por isso a idade de 14, 15, 16 é uma idade boa e depois disso ele tem que seguir treinando muito, porque uma prova individual é muito competitiva. É bem concorrido, difícil, um atleta ter pódio a nível estadual.

JP3 – Que exemplos de atletas que se tornaram competitivos passaram por teus ensinamentos?
DG – Um dos atletas que passou por mim e abrange muito bem o que representa o atletismo é o João Muniz que começou comigo fazendo provas de salto em altura, provas com barreiras, é hoje campeão dos JASC, esse ano foi finalista no Troféu Brasil adulto, é muito importante estar entre os oito melhores adultos do Brasil… ele faz faculdade, trabalha conosco e já dá treinos de iniciação. Então além da parte de competição, ele é um exemplo fora da pista, de como a disciplina e o esporte faz bem..hoje ele tem ótimos resultados como atleta e está se tornando um treinador, tudo devido ao atletismo. E se pegarmos por exemplo o final de semana da Olesc, todos que competiram lá ou treinam ou já treinaram comigo, como eu sou uma área de transição da escolinha para o rendimento, alguns ficam comigo e outros com o Diogo, como os velocistas…e agora um dos meus que é destaque é o José Yago, que foi terceiro nos 400m com barreiras e estou viajando com ele nesta quinta-feira (23) para o Campeonato Brasileiro Sub-16. É um menino de 15 anos já despontando entre os melhores do país na prova dele na categoria.
Inscrições na Escolinha IABC/FMEBC
Interessados em participar da escolinha de iniciação ao atletismo, que funciona no Estádio das Nações (Estádio Municipal Eduardo Zeferino Tiago), na Rua Libéria, 780, devem ter entre 6 e 12 anos e ser morador de Balneário Camboriú.
Os treinos acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras, com turmas às 8h e às 15h.
Inscrições no endereço: www.fmebc.sc.gov.br.

