O Hospital Regional Ruth Cardoso foi oficialmente estadualizado na terça-feira (2) (relembre aqui) e o jornal noticiou diversas vezes, ao longo dos meses, que haveria mudanças no salário dos funcionários da unidade, porque agora será o Governo de SC que vai pagar, através da organização social Viva Rio, que venceu a licitação.
Com o anúncio de mudanças salariais, os trabalhadores estão insatisfeitos e anunciaram uma manifestação para a tarde desta sexta-feira (5).
O que dizem os funcionários
Ao longo da semana, o jornal recebeu diversas mensagens de funcionários do Hospital Ruth Cardoso que estão insatisfeitos com as propostas salariais – muitos falam que receberão R$ 1.000,00 a menos e que também ficarão sem vale-alimentação.
“Entregaram o hospital e os funcionários se ferraram, a tão maravilhosa nova empresa já chegou diminuindo mais de mil reais dos salários e retirando vale-alimentação. Os políticos da nossa cidade estão de parabéns”, disse uma funcionária.
Outra profissional informou que ‘o Ruth Cardoso em peso quer pedir demissão’.
“Alguns já pediram. Baixou o salário de todo mundo e tiraram o vale refeição”, informou.
Uma terceira funcionária relatou ‘descaso com os funcionários do Ruth Cardoso’ e disse que a equipe estaria sendo humilhada – ‘tratados que nem cachorro de rua pela empresa que assumiu a administração’.
“Redução drástica do salário, corte de vale alimentação, de transporte. Nem tiveram a decência de chamar as equipes para uma conversa. Não se apresentaram. Estão tratando os funcionários como lixo”, afirmou.
O que diz o responsável pela transição e a secretária de Saúde

Leocádio Giacomello, o superintendente do processo de transição do Hospital Ruth Cardoso de Balneário Camboriú para o Governo de Santa Catarina, informa que até domingo (7) às 23h59 a prefeitura da cidade estará dentro do hospital e que estão acompanhando de perto a situação da unidade e dos funcionários.
“A Viva Rio está chamando os colaboradores, está colocando os valores, muitos estão aceitando, alguns não aceitam, e querem forçar que empresa aumente valor através de movimentos e manifestações, e a empresa disse que não aceitará qualquer tipo de pressão, que estão preparados para substituir aqueles que não querem ser contratados – isso que nos foi relatado, que estão preparados para substituições”, afirmou.
Segundo Giacomello, os salários oferecidos contemplam o que teria de verba dentro da proposta da Viva Rio ao Governo de SC e que vão seguir as tratativas com a equipe.
“Aqueles que querem trabalhar, continuam, e aqueles que não querem, poderão se reposicionar no mercado – não é o colaborador que vai ditar regras de quanto irá receber. Vão ter a alimentação e não o vale – nesse caso, podem discutir lá na frente sobre o vale voltar”, disse.
Questionado pelo jornal sobre a manifestação desta tarde de sexta-feira, o superintendente informou que quem abandonar o posto de trabalho vai ser comunicado ao Conselho da classe.
“Vai ter representação contra quem fizer isso, porque estamos tratando de saúde, não pode haver desassistência aos pacientes para fazer manifestação. A manifestação é livre, mas não pode colocar em risco a vida das pessoas. Lembrando – a manifestação é livre e contratação também”, acrescentou.
A secretária de Saúde de Balneário Camboriú, Aline Leal, explicou que a Viva Rio quer ficar com todos os funcionários, mas que com mudanças, já que eles [colaboradores] não serão mais ACTs e sim CLTs (contratados como funcionários com carteira assinada).
“Isso que estão falando, de caos, não vai acontecer. É preciso ter responsabilidade com o trabalho, não podem sair do setor e simplesmente ‘paralisar porque foi estadualizado’, as regras agora são do Estado e da empresa contratada. Vão ter muitos impactos positivos com a estadualização, agora virão mais investimentos, o impacto será maior e com muitos benefícios para a população. Vale lembrar que é opção da pessoa querer sair por conta do salário, mas tem código de ética da enfermagem e não pode abandonar o trabalho e desassistir o paciente”, informou.

Aline disse que as mudanças salariais não são uma novidade, e que todos os funcionários sabiam que iria ter mudança no salário.
“Eu participei de reuniões, expliquei que passei por isso [mudanças de gestão] e que as coisas vão se ajustando, que pode ter conversa, que tem como buscar adicional via sindicato, pois agora serão CLTs e não mais ACTs… tem população que precisa do serviço e não pode pagar por isso. O valor é referenciado, teve transição, falamos há meses. Eu estou no hospital, não estamos dando as costas, terão investimentos agora também para a nossa atenção básica (Unidades Básicas de Saúde, os ‘postinhos’). Houve a transferência de logística, e os cargos e salários ficam com o Estado e a Viva Rio agora”, completou a secretária.

