A prefeita Juliana Pavan apresentou nesta quarta-feira (17) às associações de moradores das praias agrestes e representantes da segurança, a minuta de um decreto que proíbe o naturismo ou qualquer outra prática semelhante nas praias da cidade, o que significa o fim da única praia naturista de Balneário Camboriú e uma das pioneiras no Brasil.
O Pinho é considerada uma das principais praias de nudismo do país, e é uma das mais antigas, existindo desde os anos 80. Há outras duas que existem desde 1940.
Moradores das regiões das praias organizaram recentemente um abaixo-assinado pedindo pelo fim do naturismo no Pinho (relembre aqui) e há um projeto do vereador Anderson Santos que tramita desde 2022 sobre o tema (leia aqui).
A proibição foi anunciada pela prefeita Juliana Pavan em uma reunião no gabinete, com representantes dos bairros de Taquaras, Estaleiro e Estaleirinho. O decreto será publicado e passará a valer após a sanção da lei que instituirá o novo Plano Diretor do município, em votação na Câmara de Vereadores nesta quarta (17).

O texto do novo Plano Diretor, não prevê a reserva de praias da cidade para o naturismo, diferente do Plano Diretor em vigor, de 2006, que formalizou a Praia do Pinho para a prática do naturismo.
A prefeita apontou que essa é uma decisão que nasce da escuta e do diálogo e que ouviram as forças de segurança, os moradores e ‘quem vive a realidade dessas praias no dia a dia’.
“O que estamos propondo não é apenas uma mudança legal, mas uma medida necessária para garantir segurança, ordem e respeito aos moradores, visitantes e ao meio ambiente. A Praia do Pinho, ao longo do tempo, infelizmente deixou de cumprir o propósito original e passou a ser cenário de situações que preocupam e ferem a legislação. Nosso compromisso é agir com responsabilidade, sempre priorizando o bem-estar coletivo e a tranquilidade de todas as praias de Balneário Camboriú”, disse.
Histórico da Praia do Pinho
Não é a primeira vez que esse assunto vem à tona em Balneário Camboriú. Em 1989, o vereador Paulo Corrêa propôs o fechamento da praia naturista. Chegou a ser aprovado em primeira votação, mas a segunda nunca aconteceu, porque a população se posicionou fortemente contra.
Agora, o enfoque é a falta de segurança na Praia do Pinho, principalmente nas trilhas e no costão, onde há relatos de encontros sexuais – vale lembrar que a base do naturismo é a ausência do erotismo/cunho sexual, e o Pinho, em sua origem, era muito frequentado por famílias e casais.
Celso Rossi fundou o naturismo no Pinho na década de 1980. Nas areias do Pinho também foi criada em 1988 a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), uma espécie de fusão da Associação Brasileira de Naturismo.
Em 2004, a praia passou a constar num guia das melhores praias naturistas do mundo como a quinta praia mais bela do planeta neste quesito.
Celso, que hoje mora no Rio Grande do Sul, esteve presente na audiência pública que pediu pelo fim do naturismo no Pinho ocorrida em agosto/2022, e na ocasião disse que nunca havia visto uma praia naturista deixar de ser, e que se o problema é segurança, deveriam investir nisso, e não acabar com o naturismo no local.
A opinião dele foi a mesma de vários moradores de Balneário, em matéria publicada recentemente sobre o abaixo-assinado (veja aqui).
