A arte agora

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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Segundo autores, ao final dos anos 80 a arte passou por grande transformação e não foi mais objeto de categorização, não possui uma nomenclatura que a defina do final do século XX até agora.

O certo é que tudo em matéria de arte já foi feito. Hoje a arte é feita de produção, experimentação, de referências e de influências. Tudo o que o artista disser que é arte é arte. Liberdade total para criar, sob a subjetividade, a individualidade, o conceito que o autor quer transmitir, sem limites de técnicas ou de formas. Não tem uma exigência estética, muito ao contrário, é muitas vezes aversiva, ou chocante em sua crueza como algumas obras de Francis Bacon ou de Lucian Freud, os grandes da pintura do século XX.

Então, o que é a arte agora? Hoje, partindo dos anos 90, a arte é uma viagem no tempo, com total liberdade. Não há mais como caracterizar uma fase ou movimento artístico. Tudo é arte.  Não há como caracterizar qualquer tipo de produção na linha histórica atual.  Antes da fotografia o artista tinha que seguir as regras institucionalizadas da arte, porque era iminentemente figurativa e exigente.

Agora todos tem liberdade de criar, e a criação artística hoje vem da pesquisa, da experimentação, da produção, das influências dos anteriores, das referências que o artista possa agregar, enfim da individualidade, da criatividade, da subjetividade de cada um. Atualmente arte não está limitada a pintura ou escultura. A arte agora, se faz com as instalações, com as performances, com as produções, a grafitagem, a arte digital, enfim uma multiplicidade de formas e meios.

Em 2010 Marina Abramovic, famosa performer, de Belgrado, na Sérvia, fez uma demonstração no MOMA, em NY, apenas sentada numa cadeira por 7 horas, sem se mexer, por meses. O público fazia fila para ficar alguns minutos sentado na frente dela. Muitos choravam, tinham insights, tanto mobilizou essa performance. Isso é arte? Hoje é.

O artista mais bem pago no mundo hoje, o italiano Maurizio Cattelan, em 2024, teve sua obra, Comedian, leiloada em Nova York, para empresário chines, por 6,2 milhões de dólares. Comedian, nada mais era do que uma banana colada com fita adesiva na parede. O comprador, Justin Sun, retirou a banana da parede e comeu na frente dos vários licitantes frustrados.  Uma obra provocativa em que o autor pretende fazer crítica ao mercado artístico e ao valor da arte hoje. Produziu abalo no mundo das artes. Faz pensar sobre limites, sobre significados, sobre a questão: tudo é arte?

(Instagram: Verabedinart. Facebook: Vera Regina Bedin)

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