O vereador Naifer Neri foi até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Balneário Camboriú, no Bairro Nova Esperança, após receber reclamações de moradores que denunciaram forte odor na região.
No local, foi constatada que a lagoa desativada há anos e que atualmente abriga fauna local estava com grande quantidade de peixes mortos na superfície.
Segundo o vereador, foi informado que a avaliação preliminar indica que pode ter ocorrido lançamento irregular de esgoto bruto no local, o que teria reduzido drasticamente o nível de oxigênio da água, provocando a mortandade.

“Essa lagoa é onde ficam os jacarés, capivaras e muitos peixes. A ETE teve problemas no gradeamento, no tratamento preliminar e jogaram esgoto in natura na lagoa, porque não estava sendo bombeado para o tanque. Isso tirou oxigênio da lagoa e quem sofreu foi os peixes”, disse.
Naifer apontou que no sábado (28) já teria sido iniciado o processo de retirada dos peixes, mas que até esta terça (3) eles permaneciam na lagoa, porque a EMASA não possui material adequado para resolver a situação.
“Começaram a tirar os peixes com peneira. Não deu certo e estão todos lá ainda, fui ontem e hoje (segunda e terça-feira, 2 e 3/3) e ainda estava lá. Está um cheiro de carniça porque tem sol, o peixe está boiando, começa a apodrecer…”, informou.
O vereador opinou que a EMASA não tem plano de contingência para resolver uma situação como esta e que foi informado que estão aguardando para quarta-feira (4) o vento levar os peixes para um canto para tirá-los com uma máquina.
“Falaram que a lagoa é grande e conforme o vento bate, os peixes boiam de um canto para o outro. Não conseguiram tirar hoje porque eles (os peixes) estavam no meio da lagoa. Já ocorreu o crime ambiental, a morte dos peixes, mas agora tem que retirá-los, tem que ter plano de ação de como retirar e saber para onde vão levar”, comentou.

Naifer citou ainda que mesmo a lagoa estando localizada em uma ETE, existe um ecossistema que precisa de cuidado.
“Não estou questionando sobre a ETE, porque sabemos que a obra do novo tratamento preliminar está em andamento, mas o esgoto ter ido para essa lagoa causou isso, a morte dos peixes, e agora tem que resolver. O ideal seria instalar boias, fazer cerco nos peixes mortos e conseguir retirar. Estão contando com o vento, para levar para um canto, é inacreditável! Uma empresa de R$ 144 milhões de receita prevista para 2026 não possui plano para desastres”, completou.
O que diz a EMASA
Através de nota, a EMASA informou que foi identificada, na manhã de segunda-feira (2), a ocorrência de mortandade de peixes em lagoas desativadas do antigo sistema de tratamento da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).
Foi destacado que as referidas lagoas não integram o sistema operacional atual da ETE, tratando-se de estruturas remanescentes do modelo anterior de tratamento.
A EMASA destacou que assim que a situação foi constatada, as equipes técnicas foram acionadas para vistoria no local, levantamento de informações e adoção das providências necessárias.
A Autarquia instaurou procedimento de apuração para identificar as causas da ocorrência e avaliar eventuais fatores contribuintes, com definição das medidas cabíveis.
Foi informado que na manhã desta terça-feira (3), iniciou a operação de retirada dos peixes, que terão destinação ambientalmente adequada, conforme os protocolos técnicos aplicáveis.
A EMASA reforça que o ocorrido está restrito às lagoas desativadas e não impacta a operação atual do sistema de tratamento.
Novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço da apuração técnica.

