Esta semana a prefeitura atendeu pedido dos usuários do Praia Acessível, que iniciou em meados de dezembro e estava programado para encerrar no próximo domingo (15), prorrogando o programa por mais 30 dias, até 15 de abril.
Todos que usam o programa gostariam que ele fosse ‘além da temporada’, se tornasse permanente, porque não é só um projeto que permite um banho de mar ou passeio na orla para cadeirantes ou pessoas com pouca mobilidade, ele traz melhorias na saúde física e mental das pessoas.

Há quatro anos na coordenação do Praia Acessível, Fabiana Jeziorski, destacou os benefícios que o mar proporciona, desde liberdade de movimento, fortalecimento muscular, melhora de equilíbrio, alívio de dores e espasmos, estímulo circulatório.
“Estar em contato com a natureza alivia o estresse, melhora autoestima e autonomia. Estar na praia faz a pessoa ter o sentimento de inclusão social, o que combate o isolamento que muitas vezes acompanha a deficiência física”, segue Fabiana.
Ela disse que o programa vem crescendo a cada ano e quando chega perto do fim da temporada, muitos já perguntam o que irão fazer até a próxima edição.

“Fico muito feliz em ver o quanto faz bem às pessoas, ver o sorriso, ver o quanto revigora, muitas vezes chegam inseguros, com medo e incrédulos que irão gostar, então eu e os monitores pedimos só uma chance para poder apresentar o projeto, vamos pegando confiança até chegar no banho de mar, muitos entram com uma “armadura” e quando saem é visível a alegria, o relaxamento e quando voltam no outro dia já chegam com outra fisionomia, dizendo o quanto dormiram bem e o quanto as dores diminuíram. Então temos o sentimento de dever cumprido”, contou.
Ao longo destes quatro anos, Fabiana conheceu muitas histórias de pessoas que se tornaram PCD por acidente e se fecharam, pessoas que estão há 10, 20, 30 anos sem entrar no mar por falta de oportunidades, por medo ou falta de estrutura.
“Quando passam pelo projeto e se permitem a experiência saem chorando como crianças num misto de felicidade e gratidão, sentir que ainda há vida e há prazeres simples a serem vividos, que a vida não acabou, tudo isso é muito gratificante. Por isso esperamos que o Praia Acessível seja prolongado, se torne permanente, vai ser um grande diferencial para Balneário Camboriú, mas principalmente na vida destas pessoas”, disse.
Após os atendimentos, Fabiana e sua equipe pedem que os usuários preencham uma ficha de avaliação e sugestões. Nestes relatos, a esperança de tornar esse programa permanente. Acompanhe:

Alcindo Martins (Balneário Camboriú) – Sou cadeirante há mais de 30 anos, aposentado, há quase quatro anos venho solicitando, que o projeto Praia Acessível seja estendido para o ano todo, e não apenas no breve período de temporada. Seja pelo grande motivo de termos a plataforma que nos leva próximo ao mar como, também, a feliz estrutura de pessoal, assessorado de Cadeiras Anfíbias e sua vasta experiência de lidar conosco de forma humana e responsável. Isso não tem preço, nos é hiper benvindo. Portanto nenhum argumento nos convence, muito menos que BC não tenha condições de manter a Praia Acessível o Ano Todo. Logo, solicitamos que assim seja, pois passado é apenas passado e já foi superado pela boa sensibilidade e não apenas por política blá blá blá. Sem mais, me coloco à disposição para toda e qualquer colaboração no que tange a Acessibilidade Real e Incondicional Permanente”.

Dorli Campesta (Balneário Camboriú) – “Deixar a passarela permanente, pois somos (a maioria) moradores fixos e é o único lugar da praia para chegar até o mar. Gostaria que o projeto fosse de novembro a abril. Só tenho a agradecer, a equipe é maravilhosa, minha qualidade de vida melhorou muito, agradeço aos bombeiros pelo grande apoio que me deram me levando no mar com a equipe”.
Rosângela Vogt (Imbituva/PR) – “Foi tudo de excelência. O projeto é maravilhoso, eu não teria a menor condição de ter o banho de mar, contando com esta equipe maravilhosa e com carinho imenso. Parabéns”.

Plácido Junior (Mafra/SC) – “Que o projeto continue mais tempo e o ano todo. Poderia ter um banheiro adaptado para troca de fralda e roupa.”

Terezinha Leije (Balneário Camboriú) – “No meu entender, que resido em BC há mais de 20 anos, seria super bom termos o Praia Acessível durante todo o ano atendendo os idosos como eu que tenho 89 anos onde a gente recebe muito carinho. É um maravilhoso tratamento.”

Maria R. Jesus (Balneário Camboriú) – “Divulgação – extensão de tempo – funcionar o ano todo. O banho de imersão no mar, que para mim parecia uma utopia, pelas minhas dificuldades físicas, hoje é uma realidade graças a esse projeto que está me devolvendo a mobilidade e bem-estar”.

Ezequiel da Luz (Balneário Camboriú) – “Gostaria que esse projeto ficasse por mais tempo, pois sou morador de BC e fora de temporada, nós PCD não temos lugar acessível e isso é ruim. Quero agradecer pois todo ano tem uma melhoria diferente”.
Seria um diferencial, diz presidente da Afadefi
O presidente da Associação de Apoio às Famílias de Defícientes Físicos (Afadefi), Evandro Prezzi, disse que tornar o Praia Acessível mais longo, é uma expectativa que vem desde 2024.
“Se levarmos o programa até abril, maio, já é bom, mas se chegarmos ao ano todo, seria excelente. Por ex: de dezembro até abril todos os dias. De maio a novembro, poderia funcionar aos finais de semana, de sexta-feira a domingo, neste período não teria necessidade todos os dias. Se essa expectativa se confirmar, seria um grande diferencial para Balneário Camboriú”, afirmou.
Ano todo está na pauta, afirma secretário
O secretário da Assistência Social, Mulher e Família, Dão Koeddermann, disse que a prefeitura está trabalhando nesta expectativa. Ele assumiu a pasta há poucos dias, mas já conversou com o presidente da Fundação Municipal de Esportes e com o presidente da Associação dos Milheiros sobre o assunto.
“Em parceria estamos desenvolvendo um projeto para fazer mais acessos e para que o programa fique o ano todo. Em breve teremos um posicionamento final sobre o assunto”, disse o secretário ao Página 3.

