Secretário de Segurança diz que Balneário Camboriú quer ampliar cerco com câmeras, reforçar presença nos bairros e endurecer combate a crimes

Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior detalhou ao Página 3 as prioridades da segurança em Balneário Camboriú, falou sobre moradores de rua, crimes, tecnologia, patrulha turística e o pacote de investimentos prometido pela prefeita Juliana Pavan

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Entre 1º de janeiro de 2025 e 16 de abril de 2026, mais de 30 mil ocorrências foram atendidas pela Guarda Municipal em Balneário Camboriú. Entre os principais registros no período, destacam-se o cumprimento de 220 mandados de prisão, além de 182 casos de furto. Também foram contabilizadas 92 ocorrências por posse ou porte de drogas para uso pessoal e 93 registros relacionados ao tráfico de drogas. Somente no mês de março de 2026, foram registradas 2.038 ocorrências, além do cumprimento de 22 mandados de prisão (quando a pessoa é procurada pela Justiça e vai direto para o Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, que fica no Bairro Canhanduba, em Itajaí), 52 conduções realizadas (pessoas encaminhadas para a delegacia) e a recuperação de sete veículos.

Prisões de foragidos, conduções para a delegacia, apreensões de drogas… fotos GMBC

Mesmo assim, Balneário Camboriú tem baixos índices de crimes violentos, mas convive com ocorrências que, embora classificadas muitas vezes como de menor potencial ofensivo, afetam diretamente o cotidiano da população. Furtos noturnos, arrombamentos, furtos de bicicletas, perturbação do sossego, microtráfico e a presença de pessoas em situação de rua estão hoje entre os principais desafios da segurança pública no município, segundo o secretário de Segurança, Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior.

Em entrevista ao Página 3, o secretário afirmou que a estratégia da prefeitura tem dois focos principais: manter sob controle os crimes violentos letais e patrimoniais, que são considerados baixos na cidade, e atacar com mais intensidade as desordens urbanas e os delitos que mais geram sensação de insegurança no dia a dia.

“Balneário Camboriú é uma cidade que, assim como todo o Estado, controlou os crimes violentos. É uma cidade com baixo número de homicídios, não há latrocínios, e lesões corporais seguidas de morte também são raras. Então o foco da segurança pública se divide em dois: manter esses índices baixos e, se possível, reduzi-los ainda mais. E, de outro lado, enfrentar os crimes de pequeno potencial ofensivo, as desordens e as violências que mais impactam o cotidiano do cidadão”, disse.

Segundo ele, apesar de os índices desses crimes não serem altos em comparação com outras cidades, são justamente essas ocorrências que mais incomodam a população local.

“Os furtos noturnos de portão, bicicleta, arrombamento e as ocorrências de perturbação se destacam – podem vir de estabelecimentos comerciais, carros com som, motocicletas, ou simplesmente de pessoas reunidas até tarde em áreas residenciais”, resumiu.

Segurança integrada e além da Guarda Municipal

O secretário destacou que, em Balneário Camboriú, a segurança pública não depende apenas das forças tradicionais, como Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, mas também do trabalho articulado com outras áreas da prefeitura.

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Segundo ele, cada vez mais se fortalece no município a visão de que a segurança é construída também por ações de trânsito, fiscalização, meio ambiente, planejamento urbano, obras e zeladoria.

“Há uma vocação natural de enxergar a Guarda Municipal como a grande responsável por esse combate e essa prevenção, mas aqui se fortalece uma cultura de que a segurança pública é construída também pela ação de outras secretarias. BC Trânsito, Fiscalização de atividades urbanas, Meio Ambiente, Obras, Planejamento, zeladoria. A forma como os espaços públicos são organizados também interfere diretamente na segurança”, afirmou.

A estrutura vinculada à Secretaria de Segurança inclui a Guarda Municipal, a Defesa Civil, agentes patrimoniais e o Centro de Operações, Emergência e Monitoramento. Hoje, a Guarda Municipal conta com 165 integrantes, número que inclui servidores em férias e afastamentos.

Além do patrulhamento ordinário, a corporação conta com serviços especializados, como Guarda Ambiental, Patrulhamento com Cães (K9), Patrulhamento Tático, Ronda Escolar, Grupo de Proteção à Mulher e Núcleo de Inteligência.

Viaturas distribuídas por setores e presença maior nos bairros

Uma das mudanças anunciadas pelo secretário é a redistribuição das viaturas para ampliar a presença nos bairros. Ele explicou que a cidade foi dividida em setores, e os veículos deixaram de ficar concentrados quase exclusivamente na região central.

Viaturas estão sendo mais distribuídas pela cidade. Foto ilustrativa – crédito PMBC

O Centro continua reunindo a maior parte das ocorrências e, por isso, segue com maior número de viaturas, mas, segundo o secretário, a gestão busca corrigir uma reclamação histórica da população, que era a percepção de ausência de rondas em áreas mais afastadas da Avenida Atlântica.

“No ordinário, com o fim da temporada, a gente está cada vez mais presente nos bairros. A cidade foi dividida em setores e as viaturas estão distribuídas por esses setores, ao invés de ficarem ‘amarradas’ à região central. O Centro continua com mais ocorrência e por isso mantém o maior número de viaturas, mas não há mais aquela ausência de presença nos bairros, que era algo muito comentado”, disse.

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Operação “BC Mais Segura” mira pontos com mais queixas

Paralelamente ao patrulhamento rotineiro, a Secretaria tem apostado em operações específicas, concentrando efetivo e serviços em áreas com maior número de reclamações ou estatísticas de ocorrência.

Operação BC Mais Segura reúne diversas frentes. Foto PMBC

O secretário citou como principal exemplo a operação BC Mais Segura, definida por ele como uma ação focada em territórios específicos. A lógica, segundo explicou, é identificar regiões com maior probabilidade de crime ou desordem e concentrar o máximo de recursos durante um período determinado.

“Você identifica um território com alta probabilidade, com queixas ou estatística de ocorrências, e concentra o máximo de recursos por um período determinado visando coibir, reprimir se acontecer, consolidar a sensação de segurança, ou o que eu prefiro chamar de ausência de medo, e aumentar a confiança nas forças de segurança pela presença”, afirmou.

Essas operações podem envolver, além da Guarda Municipal, o Resgate Social e, em alguns casos, outras frentes da prefeitura, como ações de zeladoria e fiscalização urbana em regiões onde o poder público também leva melhorias estruturais.

Central de monitoramento foi modernizada e cidade quer ampliar “muralha digital”

Outro eixo central da entrevista foi o investimento em tecnologia. Segundo o secretário, a central de operações da cidade operava com equipamentos antigos, já obsoletos e com problemas, e passou por um processo de renovação. Ele relatou que foram trocados os painéis de visualização de imagens e que novos servidores e nobreaks devem chegar para tornar o sistema mais robusto, em preparação para o aumento do número de câmeras integradas.

Secretário analisa as câmeras na Central 153. Foto Renata Rutes

Além da modernização dos equipamentos, a secretaria ampliou de forma expressiva o número de câmeras acessadas pela central. Segundo o secretário, o sistema saltou de pouco mais de 200 para mais de 600 câmeras, por meio da integração de equipamentos já existentes e de parcerias com outros entes e empresas. Entre os exemplos citados estão radares e lombadas eletrônicas já contratados pela prefeitura, sistemas compartilhados por empresas privadas e a integração com a Polícia Rodoviária Federal, por meio do sistema Alerta Brasil.

A Central de Segurança, onde atuam Resgate Social, GM, Defesa Civil e BC Trânsito. Foto Renata Rutes

“Nós aumentamos praticamente o triplo do número de câmeras a que a Central tem acesso. Pegamos ativos que já existiam, mas que não eram integrados aqui. Em alguns casos, sistemas da própria prefeitura. Em outros, acordos com parceiros, como a Khronos, que compartilhou acesso aos arquivos e à inteligência das câmeras. Também firmamos acordo com a Polícia Rodoviária Federal para utilizar o Alerta Brasil, que disponibilizou quase 300 câmeras na nossa região”, explicou.

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Com isso, segundo ele, a cidade já consegue receber alertas em tempo real sobre veículos furtados ou procurados, o que tem auxiliado na recuperação de automóveis. A próxima etapa é o fechamento do chamado “cerco” da cidade, por meio da combinação de radares, câmeras integradas, leitura de placas e sistemas parceiros. A meta, segundo o secretário, é tornar improvável a entrada ou saída de veículos em Balneário Camboriú sem detecção pelos equipamentos de monitoramento.

Reconhecimento facial está nos planos e base móvel está em teste desde o Carnaval

O reconhecimento facial ainda não está oficialmente implantado na rede fixa do município, mas já faz parte do planejamento da Secretaria de Segurança. Segundo o secretário, o município aguarda definições do governo do Estado sobre o modelo utilizado, para garantir compatibilidade com os bancos de dados estaduais. Enquanto isso, uma base móvel está em teste desde o Carnaval. Trata-se de uma estrutura com central interna de monitoramento, haste elevada e câmera de alta tecnologia, capaz, segundo o secretário, de reconhecer mais de 100 faces por minuto.

PMSC iniciou uso de drones com reconhecimento facial em Balneário Camboriú. A Guarda Municipal também quer fortalecer a tecnologia na cidade. Foto 12BPM

Ele relatou que o equipamento foi utilizado em grandes eventos, como o show da cantora Ana Castela, e consegue captar rostos em tempo real. No entanto, como ainda não está ligado aos bancos de dados oficiais, o sistema não identifica nomes, apenas detecta e organiza padrões faciais. Segundo ele, a ferramenta também gera descrições automáticas das pessoas identificadas, o que pode ajudar inclusive na localização de desaparecidos.

Rondas com motos voltaram após quase cinco anos

As novas motos da GMBC. Foto PMBC

Outra medida recente foi a retomada das rondas com motocicletas, desativadas havia quase cinco anos. Para o secretário, esse tipo de patrulhamento é especialmente eficiente em Balneário Camboriú, cidade de geografia compacta, com vias congestionadas e alta necessidade de resposta rápida.

“Em todas as cidades, as motos têm uma produtividade muito grande. Numa cidade como Balneário, com geografia pequena e alguns lugares com trânsito lento, elas têm um papel fundamental”, disse.

Segundo ele, as motos devem ter papel importante sobretudo nas ações preventivas contra furtos noturnos e nas operações em horários críticos.

Patrulha turística na orla deve começar nos próximos dias

O secretário também adiantou que a cidade deve começar, nos próximos dias, a patrulha turística da orla, com uso de veículos leves de circulação facilitada na faixa litorânea. O serviço será voltado especialmente ao atendimento de visitantes e ao reforço de presença em áreas de grande circulação de turistas. A novidade, segundo ele, é que os agentes irão utilizar óculos com inteligência artificial para tradução em tempo real, numa iniciativa que, conforme afirmou, pode ser inédita no país entre forças de segurança. O principal objetivo da tecnologia é facilitar a comunicação com estrangeiros, especialmente diante do aumento da circulação de turistas internacionais e de passageiros de cruzeiros em Balneário Camboriú.

“Com a questão dos cruzeiros, a gente passou a perceber que podia ter dificuldades com turistas estrangeiros das mais diversas línguas. O principal objetivo quando buscamos essa tecnologia era a tradução em tempo real. Mas os óculos também dão acesso a outras informações e consultas”, explicou.

Segundo o secretário, a experiência será avaliada em campo antes de eventual ampliação do uso para outras frentes da corporação.

Tráfico continua com pontos de atenção em Municípios e Vila Fortaleza

Ao tratar do tráfico de drogas, o secretário apontou três preocupações principais na visão da segurança municipal. Duas delas estão ligadas a áreas que, segundo ele, mantêm logística própria de abastecimento de bairros e seguem como pontos de atenção: a Rua Corupá, no Bairro dos Municípios, e a Vila Fortaleza.

A terceira preocupação, segundo ele, é impedir que pontos de venda se proliferem em regiões mais turísticas da cidade.

Traficantes são detidos com menos quantidade de drogas, como poucas pedras de crack. Foto de apreensão real da GM neste ano. Crédito GMBC

“Balneário tem três pontos de atenção em relação ao tráfico, na visão da segurança municipal. Dois locais que abastecem bairros e que têm logística própria e continuam sendo preocupação, em especial a Rua Corupá e o Fortaleza. E um terceiro, que é o cuidado para não proliferarem pontos de venda nas regiões mais turísticas, porque normalmente o tráfico tenta se aproximar dos locais onde há pessoas jovens e clima de festa”, afirmou.

Ele observou ainda que, em Santa Catarina, o tráfico costuma operar com estruturas organizadas, ligadas a facções, o que faz com que não funcione como atividade isolada ou improvisada.

Microtráfico preocupa porque dificulta enquadramento como tráfico

Entre os problemas mais sensíveis apontados pelo secretário está o que ele chamou de microtráfico, ou seja, a ocupação de espaços públicos por pequenos vendedores de drogas com quantidades reduzidas, estratégia que, segundo ele, dificulta a responsabilização criminal. Ele afirmou que a legislação atual é mais permissiva em relação ao usuário e que, na prática, isso acaba sendo explorado por redes de venda de drogas para dificultar o enquadramento por tráfico.

A lógica descrita por ele é a pulverização da droga entre vários indivíduos, cada um com pequena quantidade, o que dificulta demonstrar comercialização e separar usuário de traficante.

Traficantes são detidos com menos quantidade de drogas, como poucas pedras de crack. Foto de apreensão real da GM neste ano. Crédito GMBC

“A grande dificuldade é que os critérios entre o que é usuário e o que é traficante permitem que se use a legislação para fugir da responsabilização. Então, ao invés de usar um traficante de rua com 100 ou 150 pedras [de crack], distribuem 10 traficantes nos pontos, cada um com 4, 5, 10 pedras. Muitas vezes quem recebe o dinheiro não é a mesma pessoa que entrega a droga. Fica muito difícil demonstrar em Juízo que aquela pessoa estava comercializando”, afirmou.

Perturbação do sossego é outro foco, com bares, conveniências, escapamentos e aglomerações

O combate à perturbação também aparece como uma das prioridades. Segundo o secretário, há três grandes frentes do problema em Balneário Camboriú: estabelecimentos comerciais que não respeitam horários e limites de barulho, veículos com som alto ou escapamentos adulterados, e aglomerações em espaços públicos que avançam madrugada adentro.

Junto com a BC Trânsito, GM vem fortalecendo ações de combate a perturbação do sossego. Uma das reclamações é dos escapamentos abertos em veículos. Foto BC Trânsito

Entre os pontos citados por ele estão trechos como o Pontal Norte e Calçadão, áreas de grande concentração noturna, onde a movimentação de pessoas, mesmo sem crime aparente, acaba gerando sucessivas reclamações de moradores. O secretário relatou que, em uma ocorrência recente, foi necessário inclusive dispersar a concentração de pessoas entre a roda-gigante e a região do Hotel Marambaia, durante a madrugada, após reiteradas queixas.

Totem mede barulho em tempo real e deve ser testado em áreas com muitas queixas

Como novidade nessa área, a secretaria começou a testar um equipamento desenvolvido a partir de demanda da própria gestão: um totem de monitoramento de ruído, capaz de medir permanentemente a emissão sonora de estabelecimentos, obras ou outras fontes de barulho.

Segundo o secretário, o dispositivo possui sensor, display visual em cores e sistema de telemetria, permitindo o envio dos dados à central. A proposta é gerar registros objetivos sobre os momentos em que o ruído realmente ultrapassa os limites de incômodo. Se o protótipo se mostrar eficiente, a ideia é expandir o uso em pontos críticos da cidade.

“Ele monitora o tempo todo. Tem um display que avisa quando está alto demais e não é um pico isolado, é um algoritmo que avalia quando realmente está incomodando. Além disso, ele manda os dados para a central. Então o sujeito não vai poder dizer simplesmente que não fez barulho. Vai ter o relatório mostrando exatamente a variação”, explicou.

Nova comissão discute carreira da Guarda e prefeitura prepara “pacote da segurança”

O secretário informou ainda que a prefeitura iniciou uma comissão permanente de diálogo sobre a valorização da Guarda Municipal, com discussão de carreira, atribuições, progressão funcional e reestruturação estatutária. Segundo ele, a proposta inclui corrigir distorções, ampliar competências e produzir impacto salarial para equiparar a Guarda de Balneário Camboriú às melhores do país.

Paralelamente, a prefeita Juliana Pavan teria determinado a elaboração de um novo pacote de investimentos em segurança, envolvendo tecnologias, equipamentos, veículos e estruturas físicas. Entre os itens mencionados pelo secretário estão novas câmeras, armamentos, equipamentos individuais, bases móveis comunitárias, quadriciclos, UTV, jet ski e outros veículos especiais que não são cobertos pelos contratos atuais. Também está em estudo a construção de quatro bases descentralizadas em bairros, além de uma nova sede para a Guarda Municipal e outra para a Defesa Civil, ambas em terrenos já pertencentes ao município, pois a sede atual, apesar de positiva, fica em espaço alugado.

Moradores de rua: “problema de assistência, saúde, segurança e zeladoria”

A questão da população em situação de rua ocupou parte importante da entrevista. O secretário classificou o tema como um dos principais problemas que exigem atenção do município e disse que ele não pode ser tratado apenas pela ótica da segurança pública.

Junto com o Resgate Social, Secretaria de Segurança atende casos de pessoas em situação de rua, como acampamentos irregulares. Foto PMBC

Segundo ele, a presença de pessoas em situação de rua afeta a sensação de segurança, especialmente entre mulheres, idosos e crianças, mesmo quando não há crime sendo praticado.

“A pessoa em situação de rua representa, sim, um problema para a sensação de segurança, independentemente de cometer ou não crimes, porque a presença dela gera alteração na percepção do ambiente e insegurança principalmente nos grupos mais vulneráveis”, disse.

Ele ressaltou, porém, que o tema também é de assistência social, saúde pública e zeladoria urbana. Na avaliação do secretário, há diferentes perfis de moradores de rua em Balneário Camboriú: pessoas com transtornos mentais, usuários abusivos de drogas, pessoas que foram para a rua por vulnerabilidade social e financeira, egressos do sistema prisional e um grupo menor que ele chamou de “românticos”, pessoas que optam por viver nas ruas. Para cada perfil, segundo ele, a abordagem precisa ser distinta.

Secretaria diz que pessoas em situação de rua estão ligadas a parte dos furtos e arrombamentos

Embora tenha afirmado que o município ainda não possui números fechados, o secretário disse existir a percepção de que pessoas em situação de rua são responsáveis por parte considerável de alguns crimes bem específicos, principalmente furtos e arrombamentos. Segundo ele, isso ocorre muitas vezes em um ciclo relacionado ao consumo de drogas, em que objetos furtados são trocados ou vendidos para obtenção de entorpecentes. Ele observou, contudo, que moradores de rua normalmente não operam o tráfico em si, mas acabam alimentando indiretamente esse mercado por meio dos furtos.

Operações começam de madrugada e foco agora é agir antes do pico dos furtos

Abordagem a homem em situação de rua, na madrugada de quinta-feira (16), durante operação. Foto Reprodução/GMBC

Para enfrentar esse cenário, a prefeitura ampliou a integração entre Guarda Municipal e Resgate Social, estendeu o período de contratação dos agentes sociais e intensificou ações concentradas em horários críticos. O padrão atual, segundo o secretário, vinha sendo a realização de operações entre 3h30 e 7h. Agora, a secretaria também passou a atuar um pouco antes, entre 23h e 2h, justamente para retirar pessoas das ruas antes do horário apontado como de maior incidência de furtos, entre 2h e 4h.

“A gente vai recolher um pouco antes, para ter a rua mais livre. Quem estiver ali depois de determinado horário porque não quis ir quando teve oportunidade, passa a demandar uma atenção diferente, e aí a gente consegue focar melhor”, afirmou.

Nesse trabalho, as motos recém-retomadas devem ter função importante, pela agilidade e discrição.

Plataforma com reconhecimento facial vai mapear população de rua

O secretário disse ainda que a prefeitura está fechando o edital para testar uma plataforma de cadastramento de pessoas em situação de rua, com reconhecimento facial e georreferenciamento. Segundo ele, o sistema permitirá mapear concentrações, deslocamentos e perfis, além de auxiliar na identificação de foragidos da Justiça que estejam entre essa população. A intenção é gerar mapas de calor e dados concretos para orientar rondas e atendimentos, cruzando informação social e estratégia operacional.

Furtos de fios, bicicletas e arrombamentos estão entre os maiores incômodos

Furtos de bicicletas ainda são comuns em Balneário Camboriú. Foto GMBC

Entre os crimes patrimoniais que mais chamam a atenção da Secretaria de Segurança estão os furtos de fios e materiais metálicos, os furtos de bicicletas e os arrombamentos. O secretário disse que houve alguma redução recente nos furtos de fios, mas reconheceu preocupação especial com o furto de bicicletas, que classificou como um problema antigo da cidade e ainda sem explicação completa.

Segundo ele, a secretaria tenta rastrear os canais de receptação, inclusive em sites e plataformas de venda de usados, mas ainda não encontrou um mercado paralelo suficientemente estruturado que explique sozinho o grande volume desse tipo de crime. A dificuldade, segundo o secretário, é que, em crimes sem violência, os autores frequentemente são soltos em audiência de custódia, o que reduz o impacto imediato das prisões. Ele afirmou, porém, que em alguns casos a polícia tem conseguido manter detidos reincidentes ao apresentar relatórios de inteligência mostrando o histórico delitivo e o risco de continuidade criminosa.

BC atrai foragidos e criminosos por riqueza, anonimato e glamour, diz secretário

Questionado sobre a presença de foragidos e integrantes do crime organizado em Balneário Camboriú, o secretário afirmou que a cidade reúne características que atraem esse perfil. A primeira, segundo ele, é o fato de ser um município com grande número de moradores recém-chegados, o que faz com que pessoas de fora não chamem tanta atenção. A segunda é a riqueza, que permite a criminosos ostentar sinais de prosperidade em meio a muitos empresários e investidores honestos que fazem o mesmo. Ele acrescentou ainda que o volume de negócios e transações facilita operações de lavagem de dinheiro e circulação de recursos ilícitos, enquanto o glamour da cidade a torna um destino desejado para quem quer se esconder em um local de alto padrão.

Integrante de famosa facção carioca foi preso recentemente em Balneário Camboriú. Foto PMSC

“Se o cara puder escolher um lugar para fugir e se esconder, ele tende a escolher um lugar como Balneário Camboriú, não um lugar sem atratividade. Aqui ele consegue transitar, se misturar, ostentar e não chamar tanta atenção”, resumiu.

Ao mesmo tempo, disse que o município tem buscado tornar o ambiente cada vez mais hostil a esse tipo de presença, com troca de informações entre o núcleo de inteligência da Guarda Municipal e a Polícia Federal. Segundo ele, muitas vezes as forças locais localizam alvos e repassam a informação para as capturas serem executadas por órgãos competentes.

“Balneário merece o melhor”, diz secretário ao falar da prefeita

Ao final da entrevista, o secretário disse que a prefeita Juliana Pavan deixou claro desde o início da gestão que a segurança pública é prioridade para a cidade, tanto para moradores de áreas nobres quanto para bairros mais vulneráveis, além de investidores e turistas. Segundo ele, a orientação da prefeita é garantir respostas diferentes para necessidades diferentes de segurança, atendendo desde a moradora que precisa sair cedo para trabalhar até o morador da orla que quer descer do prédio sem se deparar com tráfico ou desordem.

Araújo Gomes afirmou também que a gestão tem a convicção de que segurança se faz com tecnologia, equipamentos e armamentos, mas sobretudo com agente de segurança presente na rua, acessível e resolutivo.

“A prefeita tem a percepção clara de que a segurança pública precisa de tecnologia, equipamentos, armamentos, mas se faz com o agente de segurança na rua, com o guarda presente, acessível e resolutivo. E há um entendimento de que Balneário Camboriú merece o melhor. Se existe uma tecnologia nova, um equipamento mais moderno, a cidade tem que ter”, declarou.

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