A colagem foi introduzida na arte por Pablo Picasso e Georges Braque em 1912, para tornar mais vívida a arte cubista. Na obra “Natureza morta com cadeira de vime”, tida como a primeira colagem, Picasso colou um pedaço de vime. E Braque seguiu seu exemplo colando papel de parede imitando textura de madeira em “Fruteira e Copo”. No entanto, foi Max Ernst quem mais inovou em suas colagens, com ilustrações de revistas e jornais, inventou criaturas e ambientes estranhos juntando coisas.
Muitos artistas seguiram usando colagem. No movimento Dadaísta, Hans Harp produziu série usando papel picado e deixando cair num suporte e colando-os no local em que caíram, afirmando: “Revoltados com a carnificina da Guerra de 1914, nós em Zurique nos dedicamos às artes (..)”. A colagem era uma forma de irreverência e desdenhava as formas e as técnicas tradicionais.
Foi com uma colagem de Richard Hamilton, recortada de revistas americanas, criticando o consumismo pós Segunda Guerra que deu início à Pop Art 1956. Roy Lichtenstein, Andy Warhol, ícones da Pop Art, trabalharam com colagem.
Hannah Höch, reconhecida como uma das primeiras feministas, trabalhando questões de desigualdade de gênero e política usando colagem de recortes de fotografia, fez uma fotomontagem, “Da-Dandy”, com fotos de mulheres em preto e branco e de um homem colorida, apontando através da arte a crucial diferença.
Depois de 2018, o dadaísta Kurt Schwitters criou colagem com materiais descartados, como rótulos, passagens de ônibus, fragmentos de madeira, assim como outros dadaístas e surrealistas colaram objetos em suas obras.
Henri Matisse também usou a colagem em sua obra de 1953, O Caracol, papel recortado e pintado de guache, montado sobre tela, hoje na Tate Gallery, Londres.
No Brasil, artistas de expressão que usaram colagem foram: Guinard, Jorge Lima, Athos Bulcão, Hélio Oiticica e Lygia Clark.
A colagem tem uma função terapêutica e é muito usada em várias abordagens, como na Arteterapia e outras. O uso dos diversos materiais, assim como na arte, revistas, sucata, areia, conchas, papeis, oportunizam ricos trabalhos expressivos. É uma atividade que demanda mobilização corporal e psíquica. O ato de colar é um ato de juntar, de unir duas partes que estavam cindidas, trazendo para perto o que estava longe, ter de novo, ter diferente o que já se foi. Colar, no espaço terapêutico é um voltar à origem, apontando um caminho de possibilidade para acessar memórias, fantasias que habitam nosso inconsciente e ressignificar nossas dores.

