Cubismo

Vera Bedin
Colunista, artista visual, juíza de direito aposentada,TJSC.
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O Cubismo, iniciado por Pablo Picasso e Georges Braque, por volta de 1907, era em que a difusão da fotografia liberou a pintura do figurativo para novas formas de expressão. Nesta virada de século, Albert Einstein revolucionava o mundo da física, Sigmund Freud nos dizia que temos uma instância psíquica que nos governa – o inconsciente; aviões e carros modernos fabricados em grande produção. O mundo em ebulição, e a arte, que espelha a alma do humano, não ficaria estática neste cenário de grandes transformações.

Destarte, Pablo Picasso e André Braque, jovens, influenciados pela arte de Cézanne e pela competição com o já então aclamado Matisse, instigados pela Exposição Memorial de Cézanne, inspiraram-se sobre perspectiva e novas formas de ver. Foram transformados pela obra de Cézanne. Picasso dizia que os maus artistas copiam, os grandes furtam. Os dois jovens iniciaram estreita parceria artística como uma odisseia, da qual emergiu o cubismo, definindo as artes visuais do século XX, numa estética modernista. O ponto de partida foi a obra de Picasso, Les demoiselles d’Avignon, hoje no MoMA em NY. As 5 mulheres são bidimensionais, os corpos triangulares com detalhes simplificados ao extremo, até meios grotescos.

O título, cubismo, veio da crítica que Matisse fez à obra de Braque, Casas em L’Estaque, dizendo que Braque pintava cubinhos. “Violino e paleta”, de Braque, é um ícone do cubismo, o objeto desconstruído e visto sob inúmeros pontos de vista. Picasso, idem, com sua Ma Jolie, retrato de sua amante, Marcelle, totalmente desconstruída, irreconhecível, que escreveu o título na própria obra para poder ser reconhecido o tema.

Um grupo experimental de Paris, Fernand Léger e Juan Gris, e outros, em 1910, lançaram manifesto sobre o Cubismo, no Salão dos Independentes, não os fundadores.

Picasso era artista reconhecido quando a dupla iniciou inovação no sentido de usar materiais, transgredindo o conceito de pintura. Braque colando papel de parede e misturando areia e estuque para dar textura na tela e Picasso usando oleado velho, pedaços de cordão torcido, incorporando elementos do cotidiano na pintura, reescreveram as regras sobre a relação da arte com a vida, criando a técnica de colagem, papier collé. Acrescendo papel, cartolina, madeira, tecido, criaram o papier collé tridimensional, hoje assemblages.

O legado do Cubismo foi a arte conceitual de onde bebeu Marcel Duchamp com sua Fonte; as sopas Campbell de Andy Warhol; os cachorrinhos de Jeff Koons; e os tubarões de Damien Hirst. É a apreensão de objetos comuns reapresentados num contexto artístico.

O cubismo influenciou na moda, veja-se Coco Chanel; na decoração – Art Déco; na música com Stravinsky, na prosa de James Joyce, na poesia de T.S.Eliot.

A I Guerra pôs fim ao Cubismo. Finita a festa. Outros movimentos artísticos vieram, como o Dadaísmo, porque a vida não é estática, é complexa e caótica, assim como nós, humanos.

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