A suspensão da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia, determinada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura após a captura nacional atingir 90% da cota estabelecida para a safra de 2026, tem gerado forte reação entre pescadores.
Em Taquaras, um dos principais pontos da atividade no município, a decisão foi recebida com indignação.
Pescador desde a infância e integrante de uma das famílias mais tradicionais da pesca artesanal da região, Jair Euflorzino, presidente da Associação de Moradores do Bairro Taquaras, considera a medida injusta para comunidades que dependem economicamente da safra.
Segundo ele, a lógica da cota nacional não leva em conta a dinâmica natural da migração dos cardumes, que chegam primeiro ao Sul de Santa Catarina e só depois avançam para outras praias catarinenses.
“Não deveria existir cota. A tainha não tem explicação – quando acham que está acabando, aparece um dilúvio de peixe, como aconteceu neste ano. O pescador prepara a rede, espera o ano inteiro pela safra e agora que o peixe começou a se aproximar da nossa região, não podemos mais pescar porque a cota foi atingida em outras praias”, afirma.
A modalidade de arrasto de praia foi encerrada oficialmente no domingo (7), após as capturas se aproximarem do limite estabelecido pelo governo federal. A medida vale para todo o país e tem como objetivo evitar a sobrepesca da espécie e garantir sua reprodução.
Jair questiona a eficácia do sistema atual e defende que, caso as cotas sejam mantidas, elas sejam distribuídas individualmente entre as praias ou comunidades pesqueiras.
“Não adianta achar que o pescador vai deixar o peixe passar para o vizinho pegar, quem vê o cardume e tem rede, vai pegar. Por isso, acho que se é para existir cota, que seja por praia. Poderiam dividir, por exemplo, tantas toneladas para cada ponto de pesca. Assim seria mais justo para todos”, argumenta.
Para o pescador, a situação causa frustração justamente em um momento em que os cardumes estão mais presentes na região de Balneário.
“Não é justo alguns locais pescarem e outros terem que cruzar os braços. O cálculo não bate. O peixe está aqui e nós não podemos mais pegar porque a cota foi atingida principalmente pelos pescador do Sul. Isso prejudica quem vive da pesca”, diz.
Jair também acredita que o governo estadual poderia atuar junto ao governo federal para reavaliar o modelo adotado.
“Sei que vem do governo federal, mas o governador Jorginho Mello poderia levar os números e mostrar a importância da pesca para quem depende dela. A maioria do peixe está passando agora pela nossa região. É preciso olhar para a realidade de quem vive da atividade”, completa.
