Resgate à Vida BC: programa assistencial oferece nova oportunidade para pessoas em situação de rua

Desde novembro de 2025, quando o serviço foi implantado em Balneário Camboriú, mais de 50 atendimentos foram feitos

- Publicidade -
- Publicidade -

Vereador Teco sugere transformar Interpraias em corredor turístico inspirado na Costa Amalfitana

O vereador Alessandro Teco (DC) apresentou uma indicação à prefeita Juliana Pavan propondo a realização de estudos técnicos para...

Da pichação ao breaking: publicação de Luciano Hang reacende debate sobre a Cultura Hip Hop e mobiliza escolas e professores de danças urbanas em...

Por Sam Carvalho Quando vi a publicação de Luciano Hang sobre a Escola Nacional de Hip Hop, minha primeira reação...

Além da praia: cinco atrações para aproveitar as férias de inverno em Balneário Camboriú

Quem associa Balneário Camboriú apenas ao verão pode se surpreender nas férias escolares. Com temperaturas mais amenas, o destino...

Leia também

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

O programa Resgate à Vida BC, que a Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família iniciou em novembro do ano passado, em acordo com o Ministério Público, para acolher e encaminhar pessoas em situação de rua dependentes de drogas e álcool, atendeu em sete meses, 55 pessoas. Destas, 31 foram internadas  involuntariamente e 24 voluntariamente.

O serviço é realizado por uma equipe multiprofissional (formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais) e atua tanto com internações voluntárias quanto involuntárias.

A psicóloga Cleidinara Käfer, responsável técnica pelo Resgate a Vida BC, disse que o programa já registra alguns casos de reinserção na sociedade que seguem com acompanhamento.

O secretário de Assistência Social, Mulher e Família, Dão Koeddermann diz que o serviço é positivo e está tirando pessoas que eram ‘crônicas’ nas ruas. Mas além disso, a prefeitura ainda abre portas para quem deseja se tratar, se livrar da dependência e voltar ao convívio da família, trabalhar, enfim ‘uma nova oportunidade para mudar a vida’. 

Nesta reportagem, Dão explica como funciona o programa e como está a situação hoje em Balneário Camboriú. Acompanhe:

- Continue lendo após o anúncio -
Divulgação
Divulgação

JP3 – Desde novembro foram realizadas 32 internações involuntárias e 24 pessoas acolhidas voluntariamente. Mas quantas pessoas foram abordadas e não aceitaram nenhuma das duas opções oferecidas? 

Dão Koeddermann – Resgate à Vida BC: 562 pessoas atendidas de dezembro de 2025 a junho de 2026. Destas 67 aceitaram acolhimento voluntário e 32 foram internadas involuntariamente.

O Programa Resgate possui essas duas metodologias de trabalho, mas atua em conjunto com a Abordagem Social. Cada caso é dialogado entre os profissionais e compreendido o melhor encaminhamento, as ações do Resgate a Vida não são emergenciais. As ações da Abordagem Social envolvem diversos encaminhamentos, além do acolhimento espontâneo. Diante disso, nos últimos sete meses a Abordagem Social abordou 1.906 pessoas, destas 1.667 (87% do total) aceitaram algum tipo de auxílio, somente 239 não aceitaram o auxílio. 

JP3 – O programa já consegue traçar um perfil sobre as pessoas atendidas? 

DK – A maioria dos usuários é do sexo masculino. Grande parte é de outras localidades e está em Balneário Camboriú há muitos anos. Predominam os adultos jovens, porém também há idosos que foram resgatados pela equipe.

- Continue lendo após o anúncio -

Todos se encontram em situação de rua e apresentam histórico de uso de substâncias psicoativas. Além disso, todos já passaram por tratamentos em comunidades terapêuticas, porém sem sucesso na manutenção dos resultados obtidos.

Todos relatam histórias de perdas afetivas, falecimento geralmente de pai e mãe, separação conjugal, e como fuga buscam alívio no álcool ou drogas, e consequentemente chegam às ruas, pois é único local que consegue permanecer com o vício. 

JP3 – Quantas pessoas trabalham no Resgate a Vida? 

DK – 1 responsável técnica, 1 coordenadora, 1 psicólogo, 1 assistente social, 1 médico psiquiatra, 1 enfermeiro, 1 motorista e 2 educadores sociais = 9 pessoas no total.

JP3 – Quanto custa manter este programa para o município? 

- Continue lendo após o anúncio -

DK – A equipe técnica custa R$ R$ 89.099,61 por mês, com exceção da responsável técnica que é psicóloga efetiva.

JP3 – A Casa de Passagem está fechada para reforma. A intenção é ampliar o espaço de atendimento? 

DK – Será construído uma nova Casa de Passagem municipal, com potencial para acolher 72 pessoas. Isso significa que terá ampliação de vagas, que era de 30 pessoas para 72. A obra está prevista para ser entregue no final de 2027.

JP3 – Qual é a reação das famílias quando são comunicadas que um familiar foi recolhido e internado?

DK – Em todas as situações recebem a informação com alegria, visto que já haviam perdido a esperança de recuperação. O Programa está sendo muito bem acolhido pelas famílias que aos poucos retomam o contato e o fortalecimento dos vínculos é trabalhado. 

Divulgação/PMBC
Divulgação/PMBC

JP3 – Quais são os principais desafios que o programa ainda enfrenta?

DK – O maior desafio no atendimento às pessoas com dependência química está relacionado ao caráter crônico da doença. A internação involuntária constitui um recurso terapêutico previsto para situações específicas, representando um meio de proteção e cuidado, mas não uma garantia de recuperação.

A dependência química é reconhecida como uma condição crônica, passível de tratamento e controle, porém sem cura definitiva. Dessa forma, cada dia de abstinência deve ser compreendido como uma conquista significativa, considerando os inúmeros desafios biopsicossociais enfrentados pela pessoa em processo de recuperação.

Nesse contexto, torna-se imprescindível a oferta de acompanhamento contínuo, multiprofissional e articulado com a rede de atendimento, fortalecendo vínculos, promovendo a reinserção social e reduzindo o risco de recaídas. Assim, os melhores resultados são alcançados por meio de um cuidado permanente e integrado, e não por ações isoladas ou pontuais.

JP3 – Tem algum caso que chamou especial atenção nos atendimentos involuntários?

DK – Cada um tem sua história marcada por muito sofrimento emocional, relacionado a perdas afetivas. Mas entre os 32, tivemos e ainda temos, gestantes, uma delas não sabia da gravidez e tratava como um ‘verme’ mexendo em sua barriga, agredindo-se a fim de que parasse de mexer, sua gravidez só foi descoberta devido a internação involuntária. A outra gestante, atual, está na 10ª ou 11ª, não sabemos ao certo, com apenas 44 anos, usuária de crack aproximadamente 11 anos no município.

Divulgação/PMBC
Divulgação/PMBC

JP3 – Quando a lei foi aprovada, houve forte reação do público sobre internações involuntárias. Hoje esse cenário mudou?

DK – Falar sobre Internação Involuntária sempre será um assunto polêmico, visto que levanta várias questões, que envolve várias áreas de atuação. No entanto, estamos observando que esse caminho, através da metodologia do Programa Resgate a Vida, tem sido positivo.

JP3 – Quantas pessoas em situação de rua vivem hoje em BC?

DK – 121 pessoas em situação de rua.

JP3 – A maioria é de onde?

DK – 16,4% oriundos de municípios catarinenses não limítrofes; 14,3% Rio Grande do Sul; 13,8% Paraná; 

8% cidades limítrofes (Camboriú, Itajaí, Itapema); 

6,3% Estado de São Paulo; 14,6% são oriundos de outros locais, mas possuem vínculo formado com BC e

2,8% são naturais de Balneário Camboriú.

Contatos que podem ajudar a tirar pessoas das ruas: 

  • WhatsApp (47) 98839-7075
  • Central 156

- publicidade -
Clique aqui para seguir o Página 3 no Instagram
Quer receber notícias do Página 3 no whatsapp? Entre em nosso grupo.
- publicidade -
- publicidade -
- publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas