A 11ª Parada da Diversidade de Balneário Camboriú acontece neste domingo (9), na Avenida Atlântica, com expectativa dos organizadores de mobilizar 10 mil pessoas. Nos últimos dias, a divulgação do evento expôs uma das questões que a mobilização busca enfrentar: o preconceito.
Na quarta-feira (5), o Página 3 publicou matéria informando sobre a realização da Parada. A publicação nas redes sociais (https://www.instagram.com/p/DbrLuemJt9Z) ultrapassou 500 comentários e, entre as manifestações, houve muitas mensagens em tom de deboche, comentários homofóbicos e até manifestações mais agressivas direcionadas à comunidade LGBTQIA+.
Diante da repercussão, a reportagem procurou a vice-presidente da Associação da Parada da Diversidade de Balneário Camboriú (APDBC) e coordenadora-geral do evento, Sabrina Antônio, para falar sobre a situação e também sobre a proposta da edição deste ano.
Sabrina explica que a associação tem intensificado sua atuação nos últimos seis meses, especialmente por meio de eventos culturais, mobilizações sociais e ações de informação. Para ela, manifestações ofensivas nas redes sociais não devem ser vistas simplesmente como algo corriqueiro da internet.
“Esses ataques são muito perigosos. Parece algo corriqueiro, rotineiro, mas mostram que o preconceito é real e que ele causa medo na população LGBT. As pessoas trans estão na linha de frente disso tudo, mas existe uma preocupação com toda a comunidade”, afirma.
Ela chama atenção especialmente para o fato de que muitas manifestações são feitas publicamente, em perfis identificados.
“Se as pessoas têm essa disponibilidade para fazer ataques ofensivos se expondo, mostrando quem são nas redes sociais, imaginamos o que pode acontecer pessoalmente, o que é ainda pior”, diz.
Segundo Sabrina, a associação está acompanhando as manifestações publicadas nas redes e considera importante que situações que possam ultrapassar os limites da liberdade de expressão sejam observadas pelos órgãos responsáveis.
Apesar da repercussão negativa de parte dos comentários, a orientação da associação é seguir com a proposta de fazer da Parada um espaço de celebração, informação e acolhimento.
Parada no Dia dos Pais terá significado especial
O fato da 11ª edição acontecer no Dia dos Pais também ganhou um significado especial para a organização, apesar dos vários comentários negativos nas redes.
Sabrina lembra que a relação familiar pode ser uma questão delicada para pessoas LGBTQIA+ que enfrentaram rejeição após revelarem sua orientação sexual ou identidade de gênero. Por isso, a intenção é que a Parada também possa alertar sobre essa questão e representar acolhimento neste domingo.
“A comunidade LGBT, infelizmente, muitas vezes não tem o apoio da figura paterna. Existem situações de não aceitação e de abandono parental. Então, realizar a Parada no Dia dos Pais também é uma oportunidade para acolher todas essas pessoas que, por uma questão ligada à sua orientação sexual ou identidade, não têm esse apoio. A gente pretende aproveitar a data para que seja festiva e também para acalentar o coração dessas pessoas”, acrescenta.
Saúde é tema central da 11ª edição
Neste ano, a Parada tem como tema “Cuidar é Resistir – Saúde LGBTQIA+ é Direito”. A escolha surgiu, segundo Sabrina, a partir de relatos recebidos pela associação sobre dificuldades enfrentadas pela comunidade em atendimentos de saúde, incluindo questões relacionadas ao uso do nome social e ao atendimento de pessoas trans.
A partir dessas demandas, a associação aprofundou o levantamento das situações relatadas e procurou a Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo Sabrina, uma reunião realizada em junho com a secretária de Saúde, Aline Leal, e integrantes da pasta abriu espaço para diálogo sobre as necessidades da comunidade e possibilidades de atuação conjunta.
“Nós fomos muito bem acolhidos. Houve interesse em ouvir o que tínhamos para apresentar, entender nossas necessidades e verificar possibilidades de um trabalho colaborativo. A partir do momento em que existe esse reconhecimento das nossas demandas por parte do município, as coisas mudam e melhoram para todo mundo”, afirma.
A aproximação também pretende facilitar ações de prevenção, conscientização e acesso da comunidade aos serviços de saúde.
Expectativa é superar público de 2025
A expectativa da organização para domingo é alta. Segundo Sabrina, aproximadamente oito mil pessoas participaram da edição de 2025 e, neste ano, a associação espera receber pelo menos 10 mil.
“A expectativa é muito boa. Esperamos no mínimo 10 mil pessoas e queremos também receber pessoas das cidades próximas para aproveitar esse dia conosco”, diz.
Mesmo chegando à 11ª edição, Sabrina afirma que a Parada continua sendo realizada sem patrocínio financeiro e que a associação ainda encontra resistência na aproximação com empresas.
Para a organização, existe também um potencial econômico e turístico que poderia ser mais explorado. A avaliação é de que um evento capaz de atrair moradores de outras cidades também pode movimentar hotéis, restaurantes, comércio e atrativos turísticos.
“Balneário Camboriú precisa estar dentro de uma proposta de turismo para todas as pessoas, inclusive para a comunidade LGBT”, defende Sabrina.
Avenida Atlântica terá alteração no trânsito
A programação da 11ª Parada da Diversidade começa às 14h, nas proximidades da Praça Almirante Tamandaré. A partir das 16h, o evento segue pela Avenida Atlântica, com trio elétrico, DJs, performances e apresentações artísticas. O encerramento está previsto para às 19h.
Por conta da realização da Parada, haverá alteração no trânsito da Avenida Atlântica. Segundo a BC Trânsito, a partir das 15h a via ficará em meia pista no trecho entre a Praça Almirante Tamandaré e o Pontal Norte.
A medida será mantida durante a realização do evento, com previsão de normalização após às 19h. A orientação aos motoristas é para que redobrem a atenção, respeitem a sinalização e, quando possível, utilizem rotas alternativas durante o período.

