Entre o Amor e o Poder, por Claudemir Casarin

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O que tem mais valor na vida? O que realmente vale a pena cuidarmos? Será que estamos sabendo medir e diferenciar o que é importante na vida, do que é passageiro? Entre o amor e o poder de que lado ficamos?

Convido as pessoas leitoras a fazermos um teste de consciência, enquanto lemos este pequeno texto.

Primeiro precisamos nos entender sobre o significado de amor e de poder. O amor é intrínseco às nossas relações pessoais. Ao modo como nos relacionamos com as outras pessoas à nossa volta e até com a gente mesma. O poder corresponde às coisas que possuímos. A casa, o telefone, as nossas roupas, os nossos bens.

Lembram daquele velho ditado: o amor não se compra? Quem duvida provavelmente confunde amor com sexo. E, sim, o sexo pode ser uma mercadoria. Se ainda lhe resta alguma dúvida sobre o amor, sugiro assistir a um bom e velho filme, sempre atual: A Felicidade não se Compra.

Parece fácil, bastante óbvio, fazer a escolha certa entre uma pessoa que amamos e uma coisa qualquer. Então responda sinceramente: você costuma deixar seu smartphone sobre a mesa, enquanto vai ao banheiro, num restaurante? Dirigiria até a cidade vizinha com algumas taças de cristal soltas no banco de trás?

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Quanto custa repor uma taça de cristal quebrada? Quantos dinheiros precisamos gastar para comprar um telefone roubado? Sim, nós aprendemos a cuidar dos nossos bens materiais. Sabemos a medida deles dentro das nossas finanças.

Mas quanto às pessoas que amamos: será que estamos sabendo cuidar delas? Filhos nem todo mundo tem, então comecemos por medir como cuidamos do próprio corpo. Uma pessoa que dirige alcoolizada, que sente prazer em colocar a vida em risco, será que sabe cuidar de si mesma, tão bem quanto cuida das coisas que considera importantes?

E quem tem uma criança em casa e a leva para escola, solta no banco de trás do carro, será que valoriza a vida tanto quanto preza pela segurança do seu smartphone? Quem é responsável por um adolescente e lhe permite equilibrar-se sobre uma máquina elétrica de duas rodas em meio ao caos do trânsito, será que cuida da vida deste jovem, com a mesma delicadeza que segura seus cristais?

Encerrando o assunto, lembrei que, de onde eu venho, se diz que durante uma enchente o que vale a pena salvar é a vida, tudo o mais se pode reconstruir quando o sol voltar.

Tomar consciência é o mais amargo dos remédios, nos priva da liberdade do prazer sem compromisso e nos obriga a amar, acima de todas as coisas que a ignorância festiva cultua.

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Agora é com você, entre seus amores e poderes…

Claudemir Casarin é psicólogo socionomista e reside em Balneário Camboriú

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