Famílias indígenas que vem na temporada para Balneário Camboriú serão alojadas na antiga Casa de Passagem

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A partir do dia 8 de dezembro Balneário Camboriú começa a receber famílias indígenas que vêm para o litoral na temporada para vender suas produções. 

Na semana passada, a prefeita Juliana Pavan recebeu uma comitiva do Ministério Público Federal (MPF) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para tratar desse assunto. 

O encontro foi para cobrar uma obrigação da prefeitura, de acomodar e definir o local onde estas famílias ficarão no verão. A prefeitura indicou a antiga Casa de Passagem, localizada no km 130 da BR-101, no Bairro Várzea do Ranchinho, que está fechada. 

Os representantes da Funai estiveram no local, acompanhados do secretário Dão Koeddermann e aprovaram o espaço, que tem capacidade para acomodar até 280 pessoas. 

Dão disse ao Página 3 que o local é espaçoso, possui vários banheiros e agora será preparado para receber os indígenas que ficarão ali nesta temporada.

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Balneário tem obrigação de receber os indígenas

Dão Koeddermann explicou que Balneário Camboriú tem uma ação proposta pelo Ministério Público Federal desde 2025, que obriga o município a receber os indígenas todos os anos. 

“O promotor federal solicitou uma reunião, onde explicamos a ele que o terreno em que eles sempre ficavam na BR-101 não vai mais ser possível, porque nós temos um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público, para construir li a nova Casa de Passagem, inclusive aquela que estava ali não poderia mais funcionar como Casa de Passagem porque não atendia uma série de exigências que o MP requisitou”, explicou Dão.

Por este motivo, a Casa foi fechada e a prefeitura comprou vagas em comunidades terapêuticas para as pessoas em situação de rua necessitadas.

O secretário Dão Koeddermann com parte da comitiva que foi conhecer o local onde os indígenas ficarão alojados / Divulgação/PMBC

“Diante do impasse oferecemos para eles somente para este verão, não é uma continuidade, a antiga Casa de Passagem para permanecerem. Terminando a temporada em março, aquele local vai ser preparado para receber o Resgate à Vida BC, porque vai ficar ao lado da nova Casa de Passagem que vai ser licitada agora e será construída ali”, informou Dão.

Local definitivo

Após o verão, a prefeitura tem que encontrar um local permanente, porque os índios vão vir todos os anos.

“Por solicitação da prefeita estamos procurando um local que seja preparado para durante o ano ter outras atividades, mas de dezembro a março hospedará os índios”, acrescentou o secretário.

Índios dormindo nas ruas

Dão disse que na mesma reunião foi solicitado que a Funai esteja mais presente acompanhando essa questão, porque na última temporada, muitas famílias indígenas estavam dormindo nas calçadas.

“Eles alegaram que às vezes o pessoal que está alojado em Itajaí vem pra cá, não consegue retornar e acaba dormindo nas ruas aqui. Segundo a Funai e o MPF é difícil controlar, porque não tem como precisar quantos virão para cá. Então se o alojamento comporta até 280 pessoas e vierem 300, eles vão ficar nas ruas, disseram os representantes da Funai”, afirmou Dão.

A reunião

Divulgação/PMBC

O encontro, realizado no gabinete da prefeita, contou com a presença do procurador da República em Santa Catarina, Anderson Lodetti, de representantes da Funai dos três estados do Sul, do procurador-geral do Município, Diego Montibeler, e do secretário de Assistência Social, Mulher e Família, Dão Koeddermann. 

“Estamos construindo esse encaminhamento de forma conjunta, com diálogo entre o Município, o Ministério Público Federal e a Funai, para garantir que os povos indígenas sejam recebidos com respeito, segurança e dignidade durante sua permanência em Balneário Camboriú. A definição de um espaço adequado para acolhimento é importante tanto para as comunidades indígenas, que terão um local estruturado para permanecer, quanto para a organização da cidade durante a temporada”, disse a prefeita Juliana. 

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O procurador do MPF, Anderson Lodetti, disse que o governo se demonstrou solícito e a prefeita muito compreensiva nas obrigações do município em relação à questão do acolhimento e da organização do comércio dos artesanatos indígenas.

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