A instalação de câmeras em parquímetros de Balneário Camboriú, anunciada nesta semana pela prefeitura, foi alvo de questionamentos do vereador Marcelo Achutti (MDB) na tribuna da Câmara nesta quarta-feira (16).
O parlamentar cobrou explicações sobre os contratos relacionados aos equipamentos e lembrou do prejuízo registrado pelo estacionamento rotativo municipal em 2025.
Recentemente, três parquímetros da região Central receberam câmeras que, segundo a BC Trânsito, serão integradas à Central de Operações e Monitoramento 153. A autarquia afirma que os equipamentos não serão utilizados para fiscalização do estacionamento rotativo ou aplicação de multas.
Achutti relacionou a novidade aos números do estacionamento rotativo divulgados pelo Página 3 no ano passado. Entre janeiro e maio de 2025, o município arrecadou R$ 1,42 milhão com o sistema e teve custos de R$ 1,95 milhão. Considerando especificamente os parquímetros, foram R$ 1,75 milhão em despesas e R$ 227,5 mil em bilhetes vendidos pelas máquinas naquele período.
Diante da instalação das câmeras, o vereador questionou se houve mudança no resultado financeiro do sistema e de que forma os novos equipamentos foram contratados.
“Se dava prejuízo, agora está dando lucro? Qual foi a mágica?”, questionou Achutti ao Página 3.
Vereador cobra contratos
Achutti também levantou dúvidas sobre a contratação de câmeras e equipamentos inteligentes utilizados no trânsito da cidade. Segundo ele, após pesquisar os processos, não encontrou contrato ou licitação que justificasse especificamente a instalação das câmeras nos parquímetros. “Não tem nada, pesquisei. Não tem licitação, não tem contrato. Falei disso na tribuna. Não quero palavras bonitas [de Evaldo Hoffmann], quero documentos. Como as câmeras estão ali se não tem contrato? Se tem, que apresentem o contrato”, afirmou.
O vereador também disse considerar estranho o uso de adesões a atas em vez da realização de novas licitações e afirmou enxergar possíveis relações entre empresas responsáveis por diferentes tecnologias utilizadas no trânsito municipal.
BC Trânsito diz que câmeras estão previstas em contrato já existente
O diretor-presidente da BC Trânsito, Evaldo Hoffmann, disse ao Página 3 que os parquímetros fazem parte do contrato firmado com o consórcio o qual integra a empresa Vago, assinado em 2023 e com vigência até fevereiro de 2027.
Evaldo explicou que o contrato permite a substituição dos parquímetros por tecnologias mais modernas durante sua vigência. Segundo ele, foi nesse processo que chegaram os três equipamentos com câmeras, sem cobrança adicional ao município.
“A empresa informou que faria a troca dos parquímetros por equipamentos mais modernos. Obviamente concordamos porque não houve custo algum para o município. É uma modernização prevista no contrato”, disse.
O diretor reforçou que as câmeras instaladas nesses três parquímetros não serão utilizadas para multar veículos nem fiscalizar o pagamento do estacionamento rotativo. Segundo ele, os equipamentos poderão ser utilizados para funções relacionadas à engenharia de tráfego, como a contagem de veículos. A BC Trânsito definiu os pontos de instalação e optou pela região no entorno da Igreja Santa Inês.
Semáforos inteligentes são outro projeto, diz Evaldo
Evaldo também diferenciou as câmeras instaladas nos parquímetros dos equipamentos utilizados na rede semafórica da cidade.
Segundo ele, Balneário Camboriú possui atualmente 73 semáforos divididos em três tipos. Três utilizam inteligência artificial: um na Avenida Osvaldo Reis, outro no cruzamento das avenidas Alvin Bauer e Central e um terceiro recém-instalado no cruzamento da Avenida Martin Luther com a Rua Dinamarca, em frente à prefeitura.
Outros 50 são digitais, conectados à internet e programados remotamente pela central, enquanto 20 ainda são analógicos e precisam de programação presencial.
Nos equipamentos digitais, segundo Evaldo, podem ser acopladas câmeras de boa resolução associadas a um software que já seria contratado e utilizado pelo município. O diretor negou ainda que a empresa responsável pelos semáforos seja a mesma envolvida com os parquímetros. Segundo ele, os sistemas semafóricos são da Dataprom, enquanto o estacionamento rotativo envolve a Vago. “Essa deve ser uma informação privilegiada do vereador, porque eu não tenho essa informação”, respondeu Evaldo ao ser questionado sobre a alegação de ligação entre as empresas.
Município prevê comprar três novos semáforos com IA
Outra frente, segundo Evaldo, será a compra de três novos semáforos com inteligência artificial. Para isso, a BC Trânsito solicitou crédito de R$ 500 mil do Conselho da Cidade, recurso que, conforme o diretor, teve aprovação na Câmara com participação do próprio Achutti.
Dois equipamentos deverão ser instalados na Avenida das Flores, nos cruzamentos com a Rua Goiás e com a Marginal Leste. A intenção é utilizar os dois pontos de forma integrada para melhorar a fluidez do trânsito.
O terceiro está previsto para o cruzamento da Avenida Brasil com a Rua 3700, apontado pela autarquia como um dos locais de maior retenção de veículos. Nesse caso, diferentemente das câmeras incorporadas aos parquímetros, Evaldo afirmou que haverá processo licitatório para a aquisição dos novos equipamentos.
Rotativo ainda dá prejuízo, afirma diretor
Questionado diretamente pelo Página 3 sobre a situação financeira do estacionamento rotativo, Evaldo afirmou que o sistema continua deficitário e estima um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão por ano para o município. Segundo ele, o resultado foi afetado a partir de 2025 pela impossibilidade de utilizar a viatura equipada com câmeras para fiscalizar infrações do estacionamento rotativo. Desde então, a fiscalização passou a ser realizada pelos agentes de trânsito nas ruas.
Estacionamento rotativo será reformulado
Evaldo adiantou ainda que a prefeitura prepara uma reformulação do estacionamento rotativo, que, segundo ele, faz parte dos compromissos da atual administração. A proposta prevê quatro modalidades de estacionamento.
A Zona Azul terá permanência de até uma hora.
A Zona Verde permitirá até quatro horas e, segundo o diretor, pretende atender principalmente trabalhadores do comércio.
A Zona Branca deverá oferecer a primeira hora gratuita em locais próximos a serviços considerados de utilidade pública, como clínicas médicas, odontológicas e laboratórios.
A Zona Amarela terá caráter sazonal e poderá ser implantada em períodos de maior movimento e em regiões específicas, como a Praia dos Amores durante o verão, caso seja identificada necessidade.
A quantidade de vagas do rotativo também deverá diminuir. Segundo Evaldo, o sistema chegou a ter cerca de 8 mil vagas e já passou por reduções em regiões como Bairro dos Pioneiros e Barra Sul.
No novo modelo, a previsão é não ultrapassar 4 mil vagas.

