Uso irregular de patinetes e ciclomotores em calçadas preocupa moradores em Balneário Camboriú

BC Trânsito reforça que circulação nesses espaços é proibida e pode gerar infração; apenas pessoas com mobilidade reduzida têm exceção

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O uso de equipamentos de micromobilidade, como patinetes elétricos e ciclomotores, tem gerado dúvidas e preocupação entre moradores de Balneário Camboriú. Isso porque, cada vez mais, esses veículos são vistos circulando pelas calçadas, dividindo espaço com pedestres, prática que não é permitida pela legislação.

A situação foi relatada ao Página 3 por um morador, que questionou como funciona a regulamentação e quem é responsável pela fiscalização. Segundo ele, o problema é recorrente em diversos pontos da cidade, inclusive em locais onde há ciclovia disponível, mas que muitas vezes é ignorada pelos usuários.

Diante disso, o jornal procurou a Autarquia Municipal de Trânsito (BC Trânsito) para esclarecer as regras.

Vereador também falou sobre o assunto

O uso irregular de patinetes e ciclomotores nas calçadas de Balneário Camboriú também entrou no debate político local. O vereador Marcelo Achutti abordou o tema em suas redes sociais, após registrar, em vídeo, a presença de diversos equipamentos estacionados de forma irregular no calçadão da Avenida Atlântica.

Autopropelido e bike na calçada e a ciclovia lá do outro lado (Foto: Renata Rutes)

Na publicação, Achutti questiona a ocupação do espaço público e defende o respeito aos pedestres. 

“Agora calçada virou estacionamento de patinete? Calçada é lugar de pedestre, de gente caminhando, de idoso, de criança, de quem precisa circular com segurança. Não é depósito de equipamento e muito menos estacionamento irregular”, afirmou.

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O vereador também cobrou mais fiscalização e organização no uso desses modais na cidade. 

“Está faltando fiscalização e respeito. Do jeito que está, quem anda a pé é que está sendo prejudicado. Vamos organizar isso antes que vire bagunça total. Respeito ao pedestre sempre”, completou.

Nos comentários da publicação, Achutti reforçou que não é contra o uso de patinetes ou motocicletas/ciclomotores, mas sim contra o desrespeito às regras de circulação. 

“Não é sobre proibir, é sobre organizar. Não é contra patinete, nem contra moto, é a favor das pessoas. Porque no fim das contas: calçada é para pedestre”, destacou.

O vereador ainda criticou a justificativa de falta de vagas para estacionamento, apontando que isso não pode servir como argumento para o uso irregular das calçadas. 

“Se não tem vaga, procure. O errado não pode virar normal. Falta de vaga não justifica falta de respeito”, afirmou.

O que diz a legislação

De acordo com o diretor-presidente da BC Trânsito, Evaldo Hoffmann, a circulação desses equipamentos é regulamentada pela Resolução nº 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), além de legislação municipal aprovada em janeiro de 2025.

Segundo ele, a regra é clara: calçadas são destinadas exclusivamente aos pedestres, com apenas uma exceção. 

“Nos passeios e calçadas, só é permitido o trânsito de equipamentos utilizados por pessoas com mobilidade reduzida, como cadeiras de rodas ou triciclos adaptados, e ainda assim com velocidade máxima de 6 km/h”, explicou.

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Ou seja, qualquer outro tipo de equipamento motorizado ou elétrico não pode circular nesses espaços.

Onde patinetes e autopropelidos podem andar

Patinetes também não podem andar pela calçada (Foto: Renata Rutes)

Os chamados autopropelidos, como patinetes elétricos e outros modais semelhantes, devem utilizar as ciclovias ou ciclofaixas sempre que houver disponibilidade. 

Na ausência dessas estruturas, a circulação deve ocorrer na via, acompanhando o fluxo dos veículos e sempre pelo bordo direito da pista. 

“Jamais na calçada. Se a pessoa estiver na calçada, o correto é descer do equipamento e empurrar. Isso vale também para a travessia na faixa de pedestres”, reforçou Evaldo.

A regra, inclusive, segue o mesmo princípio já aplicado às bicicletas.

Bike na calçada não pode (Foto: Renata Rutes)

Risco e infração

Quem insiste em circular com esses equipamentos sobre as calçadas está sujeito à autuação. 

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Segundo o diretor, trata-se de uma infração de postura, além de representar risco tanto para quem conduz quanto para os pedestres.

 “Quem anda na calçada está se colocando em risco e colocando outras pessoas também. A calçada é um espaço do pedestre”, pontuou.

Diferença entre equipamentos

Outro ponto destacado pela BC Trânsito é a diferença entre os tipos de veículos dentro da chamada micromobilidade. Existem modelos de autopropelidos em que o condutor permanece sentado, e que, dependendo das características técnicas, podem ser enquadrados como ciclomotores, ou até mesmo como motocicletas.

Nesses casos, passam a exigir habilitação, emplacamento e cumprimento de regras específicas de trânsito. Já os modelos intermediários podem circular em ciclovias ou na via, mas nunca nas calçadas.

Fiscalização diária

A BC Trânsito informa que realiza fiscalização constante em toda a cidade e tem intensificado as ações de orientação à população. 

Somente em 2025, foram registradas quase 3 mil abordagens educativas relacionadas ao uso de equipamentos de micromobilidade. 

“Seguimos fiscalizando todos os dias, mas também orientando, porque é uma mudança cultural. As pessoas precisam entender onde podem e onde não podem circular”, destacou Evaldo.

A recomendação é que usuários desses equipamentos respeitem as regras de circulação, contribuindo para um trânsito mais seguro e organizado, especialmente em uma cidade com grande fluxo como Balneário Camboriú.

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