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Balneário Camboriú

Coisas que ficaram no passado

Não sei exatamente o que acontece, mas esses tempos que se passam a partir de meados do século XX trazem consigo uma aura mágica, algo imaculado, nostálgico, gostoso de saborear com os olhos e com a alma. É a Itajaí que não veremos mais, a não ser em fotografias. O concreto em seu formato vertical está tomando conta da paisagem. É o irrefreável progresso ocupando os espaços urbanos antes dedicados ao lazer e a uma multiplicidade de brincadeiras.

Desapareceram os campinhos de divertidas peladas, os inúmeros e amplos terrenos onde subíamos em árvores para saborear as mais variadas frutas e onde armávamos as arapucas para caçar passarinhos, as caçadas de funda, normalmente infrutíferas (ainda bem), os pequenos córregos com suas piavas e sapos a coaxar, os vaga-lumes que davam brilho à noite escura, as famílias reunidas na frente das casas para jogar conversa fora para matar o tempo e falar de tudo e de todos, já que raros eram aqueles que possuíam um aparelho de televisão.

E olha que Itajaí já teve uma montadora de televisão, a marca era Ariston, e transmitia em preto e branco. Ficava na rua da antiga Madeireira Irmãos Vitorino, uma transversal da rua Umbelino de Brito. Acordava todos os dias com o ruidoso ranger das serras cortando a madeira, mas não achava ruim porque ao mesmo tempo deliciava-me imensamente com o cheiro emanado desta rotineira tarefa dos trabalhadores. Muitas vezes ficava longos e mágicos minutos apreciando aquela extenuante operação.

Hipnotizava-me o vaivém das serras e o movimento preciso das mãos dos operários no recorte das peças. Eu morava quase defronte à fábrica da Ariston, mais precisamente ao lado da Madeireira Vitorino, onde costumava brincar nas montanhas de cepilho que restavam do beneficiamento da madeira.

Que prazer aquilo proporcionava nos ingênuos deleites da infância! Época em que nós mesmos inventávamos e confeccionávamos os nossos próprios brinquedos. A tecnologia, que acabou afastando as crianças de hoje da diversão ao ar livre para se postar diante do computador, ainda engatinhava.

Quem na faixa dos 50 anos não lembra dos carros de mola?A viagem nesses veículos que precederam os automóveis eram uma delícia. Fazem parte da minha infância na rua Brusque, quando ainda nem tinha calçamento, em meados da década de 60. Os carros de mola eram carruagens de tração animal usados para o passeio das pessoas. Também eram utilizados como táxi.

Costumava me dependurar na traseira deles, até o dia em que um cocheiro acertou-me uma bela e dolorida chicotada na cara. Bom de mira, conseguiu fazer com que o chicote passasse pela pequena janela nos fundos do carro de mola e me atingisse em cheio. A partir daí aprendi a lição e nunca mais repeti a divertida traquinagem!

Bons e inesquecíveis tempos do bilboquê, do pião, do carrinho movido à vela, da pandorga, do rolimã, do pega-pega, dos amplos e arborizados terrenos abertos ao lúdico e ao fascinante contato com a natureza. Mas tudo isto, com o desenvolvimento e a urbanização, virou tijolo sobre tijolo. Tudo isto agora faz parte da memória, que insiste vez ou outra em trazer à lembrança uma época em que a vida fluía devagar e prazerosamente!

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